Gabriel Ferrandini “Casino”, 26 de Dezembro de 2022

Gabriel Ferrandini “Casino”

Experiência sonora e visual de alta intensidade

texto: Sofia Rajado / fotografia: Vera Marmelo

O baterista, improvisador e compositor Gabriel Ferrandini apresentou no Centro Cultural de Belém um espetáculo original que cruzou som e luz. Em “Casino”, o desenho de luz de Rui Monteiro acompanhou o trabalho da bateria. Foi uma experiência sonora e visual intensa.

Foi a 22 de dezembro que o Pequeno Auditório do CCB recebeu o percussionista Gabriel Ferrandini num espetáculo sonoro e também visual. Ferrandini é um músico e compositor já com alguns anos de trabalho dentro do campo do jazz e da música improvisada: tocou com músicos reconhecidos a nível internacional e nacional, gravou discos da sua autoria e como integrante de outras formações, dinamizou residências artísticas e, mais recentemente, trilhou caminho pela área do teatro, com participação na peça de Tiago Rodrigues (autor e encenador), “Dans la mesure de l’impossible”, também como músico. No CCB, veio repetir a façanha de tocar a solo – estar sozinho em palco, algo muito desafiante para um improvisador e criador.

“Casino”, título dado por Gabriel Ferrandini a este espetáculo que serviu, segundo ele em algumas entrevistas, para evocar a sua juventude no Estoril e, inevitavelmente, em torno do Casino Estoril, cruzou som e luz. Foi em ato contínuo que o público se deixou levar, em cerca de 45 minutos de muita energia que, no final, pareciam ter sido apenas 10: a envolvência foi tal que se perdeu a noção do tempo.

Debaixo de um ténue foco vertical de luz branca, onde ele próprio se ensombrava a si mesmo, iniciou o concerto com silêncios, momentos curtos de intervenção da percussão e entrada de feedbacks. Foi um começo um pouco tímido e também pouco fluído, como se a máquina não estivesse devidamente oleada e precisasse um pouco de tempo para colocar a engrenagem a funcionar, um aquecimento às vezes necessário. Mas, logo em seguida, o músico e compositor libertou-se e tudo fluiu livremente e seguiu um curso intenso, o que coincidiu com mudanças no desenho de luz, da autoria de Rui Monteiro, que numa segunda fase alterou a cor do foco e, numa terceira, o disparou para o público de forma certeira, apenas interrompida pelos movimentos corporais do músico. Foi num ambiente enigmático provocado pelo fumo lançado no palco que o público se viu dentro do espetáculo, com um leque gradual de focos longos e estreitos a atingir as pessoas sentadas nas suas cadeiras, numa espécie de invasão que as fazia saltar para dentro do espectro de luz, da energia e da música tocada pelo percussionista, que nesse momento era muito dinâmica, em movimentos rápidos no bombo, na tarola, nos pratos da bateria, interrompidos por movimentos de feedback que faziam estremecer o auditório do CCB.

Foi um espetáculo onde se manifestaram as já conhecidas qualidades técnicas e criativas de Ferrandini – onde a energia cresceu de forma paulatina, gradual, que envolveu o público até atingir o clímax artístico. Quem esteve presente, não saiu indiferente.

Agenda

01 Fevereiro

Com Calma Jazz Jam

Com Calma - Espaço Cultural - Lisboa

02 Fevereiro

João Lencastre, Pedro Branco e João Hasselberg

Miradouro de Baixo - Carpintarias de São Lázaro - Lisboa

02 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre

Água Ardente - Lisboa

02 Fevereiro

Ensemble Porta-Jazz / Robalo

Porta-Jazz - Porto

02 Fevereiro

José Menezes Quarteto

Cine Incrível - Alma Danada - Almada

03 Fevereiro

Pedro Neves Trio “Hindrances” / Wabjie

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Percussion

Água Ardente - Lisboa

03 Fevereiro

Gianni Narduzzi “Dharma Bums” / Carlos Azevedo Quarteto “Serpente”

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre

Salão Brazil - Coimbra

04 Fevereiro

Coletivo Osso/Porta-Jazz “Interferências” / Umbral

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

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