Dwiki Dharmawan, 10 de Setembro de 2018

Dwiki Dharmawan

Groove indonésio

texto Nuno Catarino fotografia Welcome People & Art

O teclista da Indonésia que funde o jazz com a música tradicional do seu país passou por Lisboa com o seu grupo e teve convidados portugueses como Maria João, João Farinha e Pedro Jóia. O público gostou do que ouviu…

O pianista Dwiki Dharmawan apresentou-se pela primeira vez em Portugal no passado dia 9 de Setembro, num evento que teve o apoio da embaixada da Indonésia, em celebração dos 73 anos da independência do país. O concerto teve lugar no Museu Nacional de Arqueologia, (Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa) e contou com a participação especial de três músicos portugueses como convidados: Pedro Jóia, Maria João e João Farinha.

O espectáculo arrancou pouco depois das 19h00, com a actuação de Pedro Jóia. O guitarrista apresentou-se a solo e interpretou uma sequência de três temas (incluindo uma versão de Armandinho) que lhe permitiram exibir o seu virtuosismo. Seguiu-se depois a dupla de Maria João (voz) e João Farinha (teclados), que começou por apresentar uma versão delicada de “Parrots and Lions” (uma das peças inesquecíveis do “songbook” da cantora). Após essa entrada intimista foi chamado ao palco o pianista Dwiki Dharmawan, que se juntou à dupla portuguesa para interpretar um tema eléctrico e mais enérgico. Neste, Dharmawan mostrou desde logo a sua versatilidade e, além do piano, ainda tocou vibrafone e sintetizador.

Depois, toda a banda de Dharmawan subiu ao palco, juntando-se aos portugueses, designadamente Dede Yanto (no suling, flauta tradicional), Adi Dharmawan (no baixo), Gerry Herb Siwalette (na bateria) e Mohamad Rudiana (no kendang, percussão tradicional). Primeiro o grupo interpretou um tema da dupla nacional, naquele que foi um verdadeiro primeiro momento de fusão. Depois, Maria João e João Farinha saíram do palco e ficou apenas a banda de Dwiki, que atacou com “groove” e mostrou a sua música original. Dharmawan desenvolve uma original música de fusão que combina a linguagem jazzística com a tradição musical da Indonésia, aproximando-se ainda do rock progressivo. O pianista e compositor tem colaborado com músicos como Gilad Atzmon e Nguyên Lê e em 2018 publicou o seu disco mais recente, “Rumah Batu”, edição da Moonjune Records.

O público que encheu o Salão Nobre do Museu de Arqueologia ficou rapidamente conquistado pela proposta. Ao grupo juntou-se a cantora Ita Purnamasari, que rapidamente mostrou a amplitude da sua voz, com os músicos a exibirem a sua alta intensidade rítmica. O duo João & Farinha regressou depois, formando um septeto para, desta vez, tocarem um tema original de Dwiki Dharmawan, com os portugueses a entrarem no mundo dos indonésios e Maria João a cantar sem palavras.

Seguiu-se aquilo que pareceu uma música não ensaiada. Dwiki convidou e Maria João alinhou no jogo, tendo culminado com um muito aplaudido solo da cantora muito. A dupla portuguesa manteve-se em palco até ao final, colaborando em mais dois temas, um deles interpretado em Português ainda. Este tema de despedida começou com o percussionista a brincar com as palmas do público e passou por um criativo diálogo entre a voz de Maria João e o piano. Apesar de ter estado contida em alguns momentos (sobretudo em algumas composições de Dharmawan), a vocalista mostrou-se mais expressiva nesse final.

O público não escondeu a satisfação e aplaudiu entusiasticamente. No início os músicos confessaram que apenas tiveram tempo para fazer «um ensaio e meio». Pela forma como interagiram não pareceu. E, pela receptividade do público, Dwiki Dharmawan tem o caminho aberto para voltar a Portugal, provavelmente numa sala maior ou em outro espaço - como o festival FMM Sines, por exemplo.