Vision Festival NYC, 21 de Junho de 2022

Vision Festival NYC

Uma luz no escuro em Nova Iorque

texto: António Branco / fotografia: Armando L. Sanchez, Phil Penman

Junho é habitualmente mês de Vision Festival, emblemático evento organizado pela associação Arts for Art, liderada pelo contrabaixista William Parker, com epicentro este ano no Roulette, em Brooklyn, Nova Iorque. A abrir e a fechar o festival serão homenageadas duas figuras ímpares do jazz das últimas décadas: Wadada Leo Smith e Oliver Lake. Mas muito mais há para ouvir e ver (também em livestream) entre hoje e domingo.

Está de regresso entre 21 e 26 de junho o Vision Festival, evento nova-iorquino de características únicas, que este ano se realiza no Roulette, de Brooklyn, e no Clemente Soto Vélez Cultural & Educational Center, no Lower East Side. Organizado pela Arts for Art, associação sem fins lucrativos fundada em 1996, o festival reunirá artistas de várias disciplinas – free jazz, poesia, artes visuais, dança e muito mais – para «partilhar a mensagem de esperança e justiça com criatividade irrestrita», como refere a organização.

Apodado pelo The New York Times como «um dos eventos de arte mais essenciais de Nova Iorque», o festival tem vindo a ser um cadinho para projetos e colaborações multidisciplinares, sempre pautado pela busca da autenticidade e pela rejeição dos valores mais perniciosos da indústria musical. Do fortíssimo cartaz da 26.ª edição do Vison Festival, que este ano tem como epicentro o Roulette de Brooklyn sob o mote “A Light in Darkness” (uma luz na escuridão), destacam-se as presenças do trompetista e compositor Wadada Leo Smith e do saxofonista Oliver Lake (homenageados no primeiro e último dias do evento, respetivamente), e ainda da flautista Nicole Mitchell, da cantora Fay Victor, do violinista/violetista e compositor Jason Kao Hwang e do pianista Matthew Shipp, apenas para mencionar alguns.

A boa notícia para os melómanos portugueses é a de que será possível acompanhar na íntegra o Vision Festival através de livestream – mais informações sobre bilhetes e preços aqui.

Do primeiro dia (21 de junho) – dia de homenagear Wadada Leo Smith (na foto) – são de realçar a homenagem a Albert Ayler, com Leo Smith e o baterista Pheeroan akLaff, e o Wadada Leo Smith’s Purple Kikuyu com o RedKoral Quartet, que apresentam “Flight 93 in Pennsylvania’s Sky: No Greater Love – A Remembrance of Their Beauty & Courage”, uma homenagem aos que participaram no trágico evento de 11 de setembro de 2001 nos céus da Pensilvânia.

No segundo dia os destaques vão para o quarteto do pianista Matthew Shipp, o projeto Staircase in Space – de Whit Dickey (bateria), Rob Brown (saxofone alto) e Brandon Lopez (contrabaixo), com a artista visual Jo Wood-Brown –, o Heart Trio (antigo William Parker Trio), com William Parker, Hamid Drake (percussões) e Cooper-Moore (instrumentos caseiros), e outro trio constituído por Ned Rothenberg (palhetas), Sylvie Courvoisier (piano) e Hamid Drake (bateria).

A 23 de junho, atenções especiais são devidas aos concertos do trio C’est Trois – com Jaimie Branch (trompete), Luke Stewart (contrabaixo) e Tcheser Holmes (bateria) –, ao quarteto Red Lily do saxofonista tenor James Brandon Lewis, com Kirk Knuffke (corneta), William Parker (contrabaixo) e Chad Taylor (bateria) – o soberbo álbum “Jesup Wagon” foi recenseado na jazz.pt aqui – e o Nicole Mitchell Ensemble “Dreams of Awakening”, com a excelsa flautista e compositora (na foto) a ser acompanhada pelo contrabaixista Ken Filiano, o pianista Joshua White, a percussionista e manipuladora de eletrónicas Val Jeanty e a baterista Terri Lyne Carrington.

No quarto dia (24 de junho) são de realçar as apresentações do quarteto Sparks, com Eri Yamamoto, William Parker (contrabaixo), Chad Fowler (saxofone) e Steve Hirsh bateria), do trio da pianista Angelica Sanchez, com o contrabaixista Michael Formanek e o baterista Hamid Drake, e o para o projeto SoundNoiseFUNK da cantora Fay Victor que estreará na ocasião a obra “Work in These Times”.

No dia 25 salienta-se os concertos do violinista/violetista e compositor Jason Kao Hwang, que apresentará a sua composição “Myths of Origin” para 25 instrumentos de corda e bateria; o projeto Watershed do trombonista e compositor Steve Swell; e a sempre interessante Natural Information Society, formação liderada por Joshua Abrams (contrabaixo, guimbri).

No derradeiro dia do evento – desta feita no Clemente Soto Vélez Cultural & Educational Center, no Lower East Side – a figura central será o saxofonista Oliver Lake (na foto), que tocará a sua obra “Justice” com a Sonic Liberation Front, e que mais tarde se juntará a outros dois históricos, o contrabaixista Reggie Workman e o baterista Andrew Cyrille. A fechar, o regresso do World Saxophone Quartet, de lineup renovado, com David Murray, James Carter, Greg Osby e Bruce Williams.

Para além dos concertos, a 26.ª edição do Vision Festival inclui também exposições (onde estarão patentes obras de Wadada Leo Smith, Oliver Lake, Amir Bey, Jeff Schlanger, William Parker e Patricia Nicholson), sessões de poesia e de cinema e conferências.

Informações detalhadas sobre a programação do Vision Festival aqui.

Agenda

27 Setembro

Eurico Costa e João Grilo

Maus Hábitos - Porto

27 Setembro

Jam Session com Bernardo Tinoco

Hot Clube de Portugal - Lisboa

28 Setembro

Granular Bastards

Oficinas do Convento - Montemor-o-Novo

28 Setembro

João Pedro Coelho “Crónicas”

Hot Clube de Portugal - Lisboa

29 Setembro

Mariana Dionísio & João Pereira “Tracapangã”

Café Dias - Lisboa

29 Setembro

Granular Bastards

O'culto da Ajuda - Lisboa

29 Setembro

Cícero Lee Trio feat. Desidério Lázaro

Drama Bar Lounge - Cascais

29 Setembro

Helena Espvall, José Lencastre e Maria da Rocha

Cossoul - Lisboa

29 Setembro

Conundrum: Pedro Melo Alves, Ignaz Schick

ZDB - Lisboa

29 Setembro

Quarteto Cabaud / Marques

Hot Clube de Portugal - Lisboa

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