Festival Jazz ao Centro, 29 de Setembro de 2021

Festival Jazz ao Centro

Em tamanho grande

texto Rui Eduardo Paes

“Ensembles” alargados e colaborações entre músicos portugueses e da Noruega: são estes os dois principais tópicos da 19ª edição do festival de Coimbra, a realizar no final do próximo mês de Outubro. Nele serão apresentados novos discos e discos serão gravados durante o evento para edição próxima.

Tal como vem acontecendo, o mês de Outubro traz consigo mais uma edição, a 19ª, do Festival Jazz ao Centro, também conhecido como Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, com organização do Jazz ao Centro Clube com a Câmara Municipal de Coimbra e direcção artística de José Miguel Pereira. Num total de 11 concertos e um cineconcerto em seis espaços da cidade, envolvendo mais de 100 músicos, o evento decorrerá entre 21 e 30 de Outubro (com quatro dias de intervalo pelo meio) à volta de dois eixos principais: um é a apresentação de formações alargadas e o outro a colaboração de portugueses com artistas ligados ao festival norueguês All Ears, na mesma linha de parcerias europeias anteriormente estabelecidas com os colectivos DOEK (Holanda) e Tricollectif (França).

A abertura faz-se, a 21, com o Omniae Large Ensemble de Pedro Melo Alves (foto acima), em apresentação do álbum “Lumina”, que será lançado dentro de dias pela Clean Feed. Com 23 elementos e condução do maestro Pedro Carneiro, a orquestra propõe um desenvolvimento das premissas anunciadas pelo Omniae Ensemble original, projecto que recebeu o Prémio Bernardo Sassetti, e tanto a nível do número de integrantes como no musical. O encontro está marcado para o Teatrão.

As actividades de 22 e 23 começam de manhã no primeiro dia e à tarde no segundo, dirigidas a um público mais jovem. O SPACE Ensemble irá musicar ao vivo o filme “As Aventuras do Príncipe Achmed”, de Lotte Reiniger, tendo a Blackbox do Convento de São Francisco como cenário. Na noite de 22, o Grémio Operário de Coimbra recebe o Humanization 4tet de Luís Lopes, que actuará no termo de uma digressão europeia que era para ter acontecido em 2020, mas só agora se proporciona devido à pandemia. A jornada termina no Salão Brazil, logo de seguida, com o Mondego: Ensemble Jazz ao Centro, “big band” em que encontramos nomes como João Mortágua, José Soares e Ricardo Formoso. O concerto será gravado, para posterior edição pela JACC Records.

Luís Lopes

Mondego

João Camões e Jean-Marc Foussat

Cíntia

Luís Figueiredo

Maria do Mar por Carlos Paes

Henriette Eilertsen

LUME por Cátia Barbosa

Yaw Tembe

Andreas Wildhagen

O serão de sábado, 23 de Outubro, está entregue a dois trios. Jean-Marc Foussat, João Camões e Jean-Luc Capozzo tocam na antiga igreja do Convento de São Francisco, num enquadramento de improvisação electroacústica devedor tanto ao jazz como à música de câmara contemporânea. Logo depois, os Cíntia de Simão Bárcia, Tom Maciel e Ricardo Oliveira passam pelo Salão Brazil, naquele que será um concerto de pré-apresentação do seu primeiro disco, “Sítio”, a editar em breve no quadro das iniciativas da Cena Jovem Jazz.pt.

O domingo, 24, tem uma única entrada na agenda, ao fim da tarde. O Coro Coimbra Vocal encomendou uma composição ao pianista Luís Figueiredo e esta será a estreia absoluta de “Memória da Viagem”, para coro e trio de piano jazz, com Bernardo Moreira e Bruno Pedroso a juntarem-se a Figueiredo na secção instrumental. Terá lugar no Grande Auditório do Convento de São Francisco.

O Festival Jazz ao Centro é retomado na tarde de 29 de Outubro, no Museu Nacional Machado de Castro, com o primeiro dos encontros da série “All Ears on Jazz ao Centro”, juntando as portuguesas Joana Sá e Maria do Mar à norueguesa Henriette Eilertsen. Depois do jantar segue-se para o Teatro Académico Gil Vicente a fim de ouvir o repertório do novo disco do LUME de Marco Barroso, “Las Californias”, com selo Clean Feed. Mais um “ensemble” alargado no programa, este conhecido pela forma como alia a tradição orquestral do jazz com elementos da música erudita, do funk e do rock. A noite termina no Salão Brazil de novo em contexto colaborativo Portugal-Noruega. Ao trio da tarde juntam-se mais quatro músicos, Yaw Tembe, Joel Ring, Marcelo dos Reis e Andreas Wildhagen, formando um septeto que terá nesta ocasião a sua primeiríssima existência.

No sábado, 30 de Outubro, são esses quatro músicos adicionais do septeto que se apresentam à tarde no Grémio Operário de Coimbra, com Ring e Wildhagen a representarem o All Ears e Tembe e dos Reis o Jazz ao Centro. O fecho dos Encontros deste ano faz-se no Salão Brazil com novo concerto (e nova sessão de gravação) do “ensemble” All Ears on Jazz ao Centro, com a certeza de que a música soará totalmente diferente, pois é essa a natureza da improvisação. Pelo que sabemos, nenhumas partituras serão utilizadas – a não ser que resultem deste dias de trabalho conjunto. Para todos os efeitos, e tal como se lê no texto de apresentação do festival, o propósito deste é também «iniciar ou dar continuidade a processos de criação», uma característica que, aliás, faz com que ocupe «um lugar único no panorama dos festivais de jazz realizados em solo nacional e um lugar relevante no contexto europeu».

 

Para saber mais

https://www.facebook.com/FestivalJazzaoCentro/