Jazz em Agosto, 28 de Junho de 2021

Jazz em Agosto

Com todos os éfes e erres

texto Gonçalo Falcão

Na ausência de nomes norte-americanos, devido às presentes contingências pandémicas, o festival da Gulbenkian apresenta este ano um programa focado na Europa e em Portugal que acaba por ser um dos mais interessantes dos últimos anos. Eis, dia a dia, o que vamos poder ouvir, com todos os cuidados necessários...

A Europa pode orgulhar-se de ter contribuído de modo decisivo para duas grandes inovações no jazz. A primeira vez aconteceu nos anos 1930, com Django Reinhardt e Stéphane Grappelli. A segunda, muito mais profunda, aconteceu no final da década de 1960 quando os músicos ingleses, alemães e holandeses destruíram por completo a forma. Ornette e o free jazz americano tinham dado um primeiro passo, mas com AMM, Derek Bailey e Evan Parker em Inglaterra, Misha Mengelberg, Han Bennink e Wilhem Breuker na Holanda e Peter Brötzmann e Alexander von Schlippenbach na Alemanha desaparece o idioma do jazz e fica só uma ideia, a da improvisação como processo primordial: «A primeira música que o homem tocou foi improvisada», escreveu Bailey no seu livro “Improvisation”. Este impulso europeu deve tanto ao jazz de Ornette como à composição de Stockhausen, Cage ou Nono, mesmo que em processo de ruptura. O berço do jazz gostou da invenção europeia e a “free improvisation” regressou a casa incorporada por músicos norte-americanos como John Zorn, Eugene Chadbourne, Henry Kaiser, Christian Marclay, David Moss e tantos outros. Portugal também participou deste movimento com músicos como Carlos “Zíngaro”, Jorge Lima Barreto, Vítor Rua, Nuno Rebelo e Rafael Toral a dinamizarem a cena local (contudo, apesar de sermos um país fluente em improviso, esta corrente nem sempre foi bem percebida e integrada).

Em 2021, com as viagens transatlânticas altamente incertas, o Jazz em Agosto da Gulbenkian olha para a Europa e para esta forma de jazz única e genuinamente europeia. O festival deste ano, europeu e português, apresenta um dos cartazes mais atraentes dos últimos anos. Ainda sem a música ter subido ao palco (que este ano, devido às obras em curso no CAM, se muda do Anfiteatroao Ar Livre do Centro de Arte Moderna para o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian), o JeA 2021 soa mais contemporâneo, arriscado e provocador. Abundam as razões para não faltar, até porque em 2020 a Fundação já mostrou que sabe fazer um festival altamente seguro, com todos os éfes e erres anti-

29 Julho | Quinta

21:00 / Grande Auditório

Brötzmann + Schlippenbach + Bennink

Foto Dawid Laskowski

Quem ouviu o holandês Han Bennink a tocar com Dexter Gordon em 1969 (“Live at The Amsterdam Paradiso”) não podia imaginar que, poucos anos depois, o baterista se iria transformar numa das figuras centrais da música improvisada europeia. Bennink é um fundador do movimento e simultaneamente uma das suas figuras centrais. A sua bateria começa na tarola, passa pelo banco, continua no estrado do palco e acaba onde a sua curiosidade sentir que há algo para percutir. Vai regressar à Gulbenkian com dois outros músicos que participaram do movimento inaugural: o pianista Alexander von Schlippenbach e o também alemão Peter Brötzmann, que já não vomita os pulmões pelo saxofone, mas ainda tem um som rupestre e forte que nos deixa colados às cadeiras. Já tocaram várias vezes juntos e o disco “Fifty Years After - Live at the Lila Eule 2018” sela 50 anos de música conjunta, uma ligação que começou em 1968 com o seminal “Machine Gun”.
Na Gulbenkian vamos ouvir a história a tocar. Vamos ouvir os fundadores deste movimento, que há 50 anos aperfeiçoam e vivem a música que inventaram. E inventar uma música nova é coisa para uns poucos. 

30 Julho | Sexta

18:00 / Auditório 2

Luís Vicente Solo

 

Seguindo o ritmo habitual do Jazz em Agosto – ainda bem que nem tudo mudou no planeta –, a sexta e o sábado são dias de doses duplas de concertos. Começam no Auditório 2 e, depois de uma pausa alimentar, seguem para o Grande Auditório. Começamos com um solo de Luís Vicente. O trompetista tem construído uma carreira sólida que todos na jazz.pt admiramos. É um músico no mais verdadeiro e puro significado da palavra, que tira sons extraordinários do trompete e está constantemente à procura de ideias interessantes e desafiadoras. Expectantes para o ouvir a solo, confiantes de que vai ser especial, contamos com o lirismo, a abstracção e provocação equilibrados numa lógica musical muito singular, mas que, ao mesmo tempo, parece sempre ter existido. O Auditório 2 vais ser o palco dos solos este ano e muita coisa boa se antecipa desde já. 

21:00 / Grande Auditório

The End - Alt Är Intet

 

A segunda noite dá-se com The End, que são dois saxofones luminosos, diferentes do que estamos habituados pois swingam e rockam, com uma guitarra barítono que faz de baixo, uma bateria a manter o motor ligado e uma cantora invulgar. Uma fórmula muito interessante, entre o jazz e o art-rock. O sueco Mats Gustafsson é actualmente um dos mais reconhecidos tenores mundiais, líder dos Fire! e dos The Thing, que dificilmente passaram despercebidos ao ouvinte que gosta de jazz; também o norueguês Kjetil Møster tem construído uma carreira muito interessante na norueguesa Hubro, com os Møster! ou com Zanussi 5 (que já tocaram em Coimbra e editaram pela portuguesa Clean Feed).

Os The End são um grupo recente, formado em 2018, com dois discos editados, o último dos quais no final de 2020. Ouve-se como uma banda californiana de rock psicadélico. Marca presença o stoner rock guiado pelos saxofones. Vai ser também uma oportunidade de ouvir o guitarrista Anders Hana, dos Jaga Jazzist, que aqui assume uma papel muito diferente.

31 Julho | Sábado

18:00 / Auditório 2

Ignaz Schick & Oliver Steidle

Foto Daniela Steidle 

Entramos no fim-de-semana com a tradicional tardiné das 18h00 no Auditório 2. Vamos ouvir o duo de gira-discos (Ignaz Schick) e bateria (+ percussão + electrónica por Oliver Steidle). O duo alemão mete o ritmo numa misturadora e toca uma música cheia de acontecimentos, com uma rítmica techno desabrida e um conceito em que o exagero produz beleza. No meio dos ritmos aparentemente descontrolados vamos encontrando pequenos pedaços de música, ideias, sons, sequências lógicas que surgem inusitadamente. Parece que vagueamos por um corredor que dá acesso a vários estúdios e vamos ouvindo as diferentes bandas a ensaiar e as suas misturas (todas speed-freaks na batucada). Não é por ser à tarde e mais baratos que estes concertos merecem menos atenção: o Auditório 2 tem sido palco de projectos mais experimentais e um local de descoberta onde já ouvimos concertos extraordinários. Este duo de “beats” extravagantes que mistura o “turntablism” de Christian Marclay, o “plunderphonics” de John Oswald e a bateria de Aphex Twin promete uma tarde intensa, densa e “groovy” que envergonhará muito DJ. 

21:00 / Grande Auditório

Ikizikuri + Susana Santos Silva - Suicide Underground Orchid

 

À noite temos um quarteto que é um trio + 1. Saxofone, baixo e bateria constituem o corpo central, juntando o alemão Julius Gabriel aos portugueses Gonçalo Almeida e Gustavo Costa, com a trompetista Susana Santos Silva como convidada. O trio estreou-se no Guimarães Jazz de 2019, onde pudemos ouvir um som áspero, com repetições obsessivas, free rock e sopros desabridos, numa alternância entre acordos e separações. Nesta música forte e musculada o diálogo entre o saxofone de Gabriel e o trompete de Santos Silva é natural e lento, enquanto o baixo e a bateria tocam com outra intensidade rítmica, fazendo com que pareça estarmos a ouvir duas músicas sobrepostas que por milagre se entendem. Uma proposta muito original e coerente com a linha programadora que o festival construiu. Uma ilusão cubista. 

01 Agosto | Domingo

18:00 / Auditório 2

João Pedro Brandão - Trama no Navio

 

João Pedro Brandão é um flautista/saxofonista do Porto, da nova geração, que se tem afirmado como uma das vozes mais interessantes na composição e na interpretação do jazz actual português. A história do concerto que iremos ouvir começa em 2019, no tempo em que ainda havia concertos: João Pedro Brandão foi um dos músicos a quem encomendaram peças para serem tocadas pela Orquestra Jazz de Matosinhos. O projecto era musicar o filme “O Couraçado de Poutenkim” de Sergei Eisenstein, e Brandão ficou com a segunda parte do filme. “Trama no Navio” é a música que escreveu para a orquestra, agora reduzida para quarteto de saxofone, piano, contrabaixo e bateria. Vamos ouvir a música despida da grandeza orquestral, mais focada na composição e nos solos. A música será acompanhada por projeções vídeo de Alexandra Corte-Real, que tem a tarefa problemática de colocar novas imagens em movimento nesta música. 

21:00 / Grande Auditório

Fire! - Defeat

 

Regresso dos Fire! ao Jazz em Agosto. O trio de sax, baixo e bateria (Mats Gustafsson, Johan Berthling, Andreas Werliin) tem testado a sua fórmula stoner jazz em várias versões, desde a original até à orquestral. Há cerca de 30 anos que o multi-instrumentista sueco se move entre mundos - jazz, improvisação, rock - com um saxofone barítono intenso e directo. Em trio, os Fire! raramente tocam devagar: descobriram uma fórmula incrível que une a música mínima num som maximal, usando o rock para jazzar. Têm procurado, através de diferentes colaborações (ex: Jim O’Rourke, Oren Ambarchi), testar novas soluções para a receita base, forçando a música do grupo a reagir a novos contextos. Acabaram de lançar na Rune (uma das “labels” que nos mantêm a par das maravilhas do jazz nórdico) o seu novo disco, “Defeat”, um título que de optimista não tem nada. Mesmo sem arco-íris, esta nova edição traz novidades e por isso vale a pena voltar aos Fire!, que agora têm uma frente de metais alargada com Goran Kajfeš no trompete e Mats Äleklint no trombone. E a música mudou de facto. O som do saxofone de Mats Gustafsson mantém-se denso, mas surge agora uma flauta que adiciona leveza. A música, que era feita de repetições de elementos mínimos, surge agora com mais frases e “grooves”: os dois metais extra fazem diferença, expandem a paleta sónica e criam uma base paralela à do baixo, quase soul. Os Fire! continuam a ser uma aventura auditiva, fazendo ressoar Albert Ayler e Roland Kirk, surgindo ritmos mais lentos, como os do dia seguinte à festa. 

5 Agosto | Quinta

21:00 / Grande Auditório

Pedro Moreira Sax Ensemble - Two Maybe More

 

Como de costume (o prazer de regressar à rotina é, nestes tempos, indizível), o JeA intervala de segunda a quinta para ganhar balanço para o segundo fim-de-semana. A proposta para o primeiro dia da segunda semana é encontrarmo-nos à noite no Grande Auditório para ouvir um decateto. A instrumentação invulgar deste grupo tem uma explicação: tal como João Pedro Brandão, Pedro Moreira recebeu uma encomenda para compor música para dança destinada à interpretação do Coro Gulbenkian. Também aqui vamos ter o privilégio de assistir à estreia da reinstrumentação desta música, desta vez transposta para oito saxofonistas, contrabaixo e bateria. Seguindo os pressupostos originais da obra, a música vive da tensão entre o individual e o colectivo, uma das grandes contradições do jazz: o individualismo, que se centra no que é singular no músico, sem levar em conta as relações sociais e acreditando na unicidade da sua voz, e, por outro lado, a interconectividade, as relações entre duas ou mais pessoas, particularmente importantes no jazz quando a música é impulsionada por um contexto conjunto de estímulos musicais. O Sax Ensemble de Moreira reúne Ricardo Toscano, Daniel Sousa, Tomás Marques, Bernardo Tinoco, Mateja Dolsak, Francisco Andrade e João Capinha com Mário Franco no contrabaixo e Luís Candeias na bateria. 

6 Agosto | Sexta

18:00 / Auditório 2

Gabriel Ferandini - Hair of the Dog

 

“Volúpias”, o incrível disco de estreia em nome próprio de Gabriel Ferrandini, confirmou o percurso e a capacidade musical do baterista de Cascais. A viagem musical tem sido feita com imenso trabalho e colaborações com vários músicos nacionais e internacionais, mas a sua música, a sua voz, ouviu-se mais nitidamente nesse primeiro LP editado pela Clean Feed em 2019. Nasceu de uma residência artística na Galeria Zé dos Bois no Bairro Alto e foi gravado em Fonte Santa, Alandroal. Fechado o ciclo “Volúpias” entramos agora em “Hair of the Dog”, que já não é em trio (com Hernâni Faustino e Pedro Sousa) mas a solo. Vamos ouvir um concerto que condensa num hora o trabalho dos últimos anos e onde a bateria se cruza com “samples” de música antiga e amplificação de alguns dos seus elementos. Apesar de a música de Ferrandini ser iconoclasta, o espectáculo não será só sonoro: o baterista tem construído ligações com criadores visuais e usado electrónica luminosa para maximizar a experiência sensorial do ouvinte.

21:00 / Grande Auditório

Hedvig Mollestad - Ekhidna

 

Quem ouviu Hedvig Mollestad há dois anos no festival de Portalegre sabe que esta norueguesa franzina de fato de lantejoulas brilhante e sapato alto a condizer é uma máquina de rock infernal. Toca fabulosamente guitarra, tem um som excelente e uma música própria que radica em Hendrix, mas é outra coisa. Em trio (com Ellen Brekken no baixo e IvarBjørnstad na bateria) ouve-se na sua versão mais crua e rockeira, onde a composição exigente e o improviso rápido e incisivo a coloca no universo do jazz. A sua música está entre fronteiras e por isso os seus discos são elogiados tanto pela Downbeat como pela Rolling Stone. A inglesa Classic Rock diz que é “Jazz Sabbath”, mas nesta lógica prefiro a designação “Kenton Rock”: melodias lentas e complexas, lindíssimas, que se vão desenrolando como se estivessem a espreguiçar na praia depois de uma noite de exageros. Para a Gulbenkian a guitarrista vem em sexteto, com quatro nórdicos: dois pianos eléctricos mais sintetizadores, bateria (o mesmo dos Elephant9) e percussão (não há baixo) e Susana Santos Silva no trompete.

O grupo surgiu em 2018 quando o festival VossaJazz (Voss, Noruega) lhe encomendou uma peça para a edição do ano seguinte; coincidiu com o facto de Hedvig estar a pensar em música que pudesse alargar o seu trio e assim surgiu Ekhidna, o disco que dá o nome a este concerto. O Grande Auditório vai abanar. 

07 Agosto | Sábado

18:00 / Auditório 2

Katharina Ernst - Extrametric

 

Tal como na tarde anterior, vamos regressar ao Auditório 2 para ouvir percussão. Desta feita é a austríaca Katharina Ernst que apresenta o seu mais recente disco. A música é um escangalho feito de sons reais de percussão traficados por electrónica, numa sobreposição de camadas – algumas rítmicas, outras ambientais - que se compõem numa audição muito interessante, viva, cheia de pontos diferentes e um mar de possibilidades. Será uma outra visão das possibilidades da percussão, neste ano em que precisamos de ritmo. 

21:00 / Grande Auditório

Anthropic Neglect

 

Mais um grupo português a subir ao palco principal numa das noites maiores do festival. Anthropic Neglect é o título do disco editado este ano pela Clean Feed que é liderado por José Lencastre mas que apresenta uma relação muito interessante entre o saxofone e a guitarra eléctrica. E se destaco este diálogo – que não é novo no jazz – é porque aqui ele surge com particularidades únicas. Jorge Nuno toca como um improvisador, usando todos os sons, mesmo os menos convencionais, também ele com a guitarra tingida de rock. O disco é feito com três temas longos de jazz para tipos que gostam de rock. E é sobre o “power trio” mais clássico do rock – baixo, bateria e guitarra – que o saxofone de João Lencastre flutua, sem se agarrar aos temas propostos pelo grupo, mas criando linhas melódicas derivantes. O disco foi uma das boas surpresas do ano que passou. O concerto aguarda-se com entusiasmo. 

08 Agosto | Domingo

18:00 / Auditório 2

João Lobo – Simorgh

 

Num ano de destaque para os bateristas não estranhamos a presença de João Lobo e dos Simorgh. O músico é hoje uma referência internacional no seu instrumento. E é de ritmo que é feita a música deste projeto: bases rítmicas aceleradas, cheias de pequenos acontecimentos. Sobre elas entra a improvisação em guitarra eléctrica de Norberto Lobo, saturada e com um som espacial. Leva-nos para longe, para uma América cheia de precariedade e solidão. “Simorgh” não é só música planeada por um baterista, é também mais um exemplo de jazz cruzado com rock, desta feita com um “groove” espacial, uma forma diferente de ver o futurismo no jazz. E é mais um caso excepcional na música portuguesa.

21:00 / Grande Auditório

Roots Magic - Take Root Among the Stars

 Foto Eleonora Cerri

E para fechar o festival deste ano um dos projectos que mais prazer me deram ao vivo. Os Roots Magic são um grupo italiano que “vuo' fa' l'americano, 'mericano, 'mericano” e o americano aqui é uma enorme paixão – e um conhecimento enciclopédico - pelos blues. São italianos (“Tu vuo' fa' l'americano, 'mericano, mericano, Ma si' nato in Italy”) e sabem mais de blues do que todo o “staff” da embaixada dos EUA. A música dos Roots Magic fala das raízes, do início de tudo, dos blues do Delta do Mississippi. Mas não tocam blues. Agarram nos blues e jazzam-no e, com a dedicação de um arqueólogo, escavam a história do jazz à procura de uma essência blues. Assim encontramos Ornette Coleman no mesmo barco que Skip James, ou Kalaparusha Maurice Macintyre (que não tocou só jazz, também militou no grupo de J.B.Hutto) e Charlie Patton, Sun Ra e Phil Cohran.

Para o terceiro LP que dá nome ao concerto “Take Root Among the Stars” (que como os dois anteriores saiu na portuguesa Clean Feed), o quarteto cresce com alguns convidados especiais: aparece o sopro histórico de Eugenio Colombo e o vibrafonista Francesco Lo Cascio. Estamos numa mistura esquisita de deep blues e free jazz, numa terra lindíssima onde a espiritualidade é iluminada por um entendimento profundo, sábio, feito pelo exterior. E provavelmente só um grupo não americano poderia conseguir fazer esta releitura tão bem feita. A versão de “Devil Got my Woman” arrepia, mesmo estando completamente revista. Parte concerto, parte aula de história da grande música negra, encerramos o festival deste ano em grande.

 

Bilhética & Etecétira

A pandemia forçou inúmeras mudanças em tudo e nos festivais de música o impacto tem sido gigantesco. A edição deste ano do Jazz em Agosto é diferente do habitual. Na ausência de grandes nomes americanos, dá-nos propostas mais arriscadas, vivas e contemporâneas. Para quem não quer envelhecer num escritório obscuro a preencher contabilidade, o Jazz em Agosto deste ano promete resgatar a vida congelada pela Covid-19.

 

Preço dos bilhetes da tarde para o Auditório 2: 5 euros

Preço dos concertos da noite no Grande Auditório: 10 euros

 

Passe para todos os concertos no Auditório 2: 25 euros

Passe para todos os concertos no Grande Auditório: 65 euros

 

A Fundação Calouste Gulbenkian adoptou as orientações da Direção-Geral da Saúde para prevenir a transmissão da Covid-19 em equipamentos culturais. Os espectadores são sentados com um lugar de intervalo, desencontrados entre filas, sendo o uso de máscara obrigatório. Foram também implementadas normas rigorosas de higienização dos espaços.