Luís Vicente / Seppe Gebruers / Onno Govaert: “Room With No Name” (Fundacja Słuchaj!)

Luís Vicente / Seppe Gebruers / Onno Govaert: “Room With No Name” (Fundacja Słuchaj!)

Fundacja Słuchaj!

Nuno Catarino

Ao segundo registo, o trio Vicente / Gebruers / Govaert volta a dar uma lição de improvisação sem limites.

Já sabemos há muito que o versátil trompetista português Luís Vicente é uma das figuras mais ativas da cena improvisada europeia, repartindo esforços por dezenas de projetos diferentes, entre inúmeras colaborações. Se 2021 foi um ano particularmente rico em edições discográficas (“Chanting in the name of”, “Dog Star”, “Made of Mist”, “Dawn to Dusk”, “Light Machina”, “Mata Mata”, “The Fall”), já este ano, o trompetista tem-se mostrado sobretudo ao vivo.

Entre outros momentos marcantes, apresentou-se em quarteto no Jazz no Parque de Serralves, com o convidado Luke Stewart, andou em tour com um quarteto com os lendários William Parker e Hamid Drake (grupo que editou o disco “Goes without saying, but it's got to be said” e atuou no Teatro do Bairro Alto em Lisboa), além de concertos com os grupos Gravelshard, Ziv Taubenfeld’s Full Sun, duo com Marcelo dos Reis e o seu Luís Vicente Trio, entre outras colaborações. 

Neste projeto em particular, o trompetista luso tem a companhia de dois músicos europeus: o pianista belga Seppe Gebruers e o baterista neerlandês Onno Govaert (o baterista tem outra ligação com Portugal, integra o trio The Attic de Rodrigo Amado). Em 2018 o trio editou o seu registo de estreia, “Live at Ljubljana” (Multikulti). No início deste ano, o trio lançou o seu segundo registo, “Room With No Name” (agora edição Fundacja Słuchaj!), álbum que documenta a atuação do grupo em Coimbra, a 10 de julho de 2019, no Museu Nacional de Machado de Castro.

O disco está dividido em dois longos temas (o primeiro de meia hora, o segundo de quase vinte minutos). O trio trata de trabalhar uma improvisação livre, sem composições, sem rede. O trompete de Vicente está sempre muito presente, o piano assume-se no centro, muito desconcertante, e a bateria é sempre reativa e atenta (e também provocadora). A música assume geralmente formas abstratas, assente no diálogo/conflito entre as três vozes instrumentais. Por vezes os caminhos entrelaçam-se, mas esta é sobretudo uma música de desencontro, de desvios e fugas.

Vicente apresenta-nos mais um belo trabalho de improvisação livre, assente no puro diálogo instrumental. Este trio trans-europeu mostra-nos três excelentes praticantes do género, todos em ótima forma, a servirem-se da sua técnica (e de técnicas menos convencionais) para criar uma música que desafia constantemente o ouvinte. Por vezes parece que estão a construir um caminho, mas rapidamente nos tiram o tapete debaixo dos pés, seguindo outra ideia, par onde caímos - surpreendidos, mas com todo o gosto.

Se a improvisação é o som da surpresa, esta música está sempre a surpreender. Ao segundo registo, o trio Vicente / Gebruers / Govaert volta a dar uma lição de improvisação sem limites.

 

 

  • Room With No Name

    Room With No Name (Fundacja Słuchaj!)

    Luis Vicente / Seppe Gebruers / Onno Govaert

    Luís Vicente (trompete); Seppe Gebruers (piano); Onno Govaert (bateria)

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