Charlotte Greve / Vinnie Sperrazza / Chris Tordini: “The Choir Invisible” (Intakt)

Gonçalo Falcão

Acabado de aterrar em minha casa, o lançamento de Verão da suíça Intakt, uma das editoras mais interessantes e vivas da actualidade, a par da ECM e da Clean Feed. Assim, apressei-me a pôr a rodela na gaveta do aparelho para verificar o que é que o Verão helvético nos destinava. Confirma-se: é um disco de Verão. No jazz esta categoria não garante noites dançáveis vestidos de branco ou “sunsets” alcoolizados. É um disco agradável de ouvir, solar, alegre, mas que não traz qualquer novidade de especial. É uma gentil espreguiçadeira que nos dá bons solos, boa música, mas não nos coloca a interrogação mais decisiva: conheço isto, mas isto não é aquilo que eu conheço.

“The Choir Invisible” é o nome do disco lançado por este jovem trio de sax, contrabaixo e bateria. A experiência diz-nos que esta instrumentação favorece a interacção, por não haver instrumento harmónico. Tudo é melodia e ritmo e som. E, de facto, são linhas melódicas e rítmicas que encontramos em acção, bem tocadas por uma banda coesa. O trio toca desde 2017 e isso explica as boas rotinas e o entendimento que ouvimos. Sperrazza e Tordini são nova-iorquinos e Greve mudou-se de Berlim para a Big Apple a fim de prosseguir a sua carreira musical. Nova Iorque está por todo o lado, até na forma como se gravou, à antiga, num só dia, em Brooklyn. O bom som do grupo, a destreza técnica e um grande conhecimento da história e da tradição garantem uma audição agradável e descontraída. Acompanhar com uma boa sangria.