Rafael Toral: “Constellation in Still Time” (Room40)

Rui Eduardo Paes

Neste seu novo álbum, Rafael Toral retoma uma composição de 1992 que se seguiu a outras da mesma série criadas entre 1987 e 1990, “AER 7”, que ouvimos em disco, numa versão para guitarra, no seu título de estreia, “Sound Mind Sound Body”, de 1994. Na altura, estava no seu período de música ambiente, seguindo-se aquele em que se dedicou ao que refere como “jazz electrónico”, substituindo as seis cordas por outros dispositivos de produção sonora, e desde 2017, com “Moon Field”, pelo que dá contexto a este registo. Nesta “terceira fase”, como lhe chama, reúne aspectos das duas primeiras, não para voltar atrás, mas com o fito de dar novos passos num «espaço em que mensagens e histórias divergentes desses dois períodos mostrem ser necessárias e façam sentido nos nossos dias».

Para o fazer contou com a colaboração de várias figuras da actual música criativa portuguesa, designadamente Angélica V. Salvi (harpa), Joana Bagulho (clavinete), Joana Gama (piano), Luís Bittencourt (vibrafone) e Riccardo Dillon Wanke (Fender Rhodes), com Toral a ocupar-se das sinusoidais geradas por computador. Reconhecemos a estrutura, mas é como se fosse uma nova obra, marcada pelo entendimento acústico e instrumental da sua passagem pelo jazz, mas, curiosamente, e como ele próprio o reconhece, resultando no «mais quintessencial disco de ambient que já lançou». O mesmo Rafael Toral considera que “AER 7” é um “gerador melódico”, um “gerativo” e, de facto, o que ouvimos soa como elipses melódicas que, apesar de utilizarem as mesmas notas, nunca se repetem, com desfechos imprevisíveis de um despojamento, uma nudez, que chega a ser comovente de tão bela.