Loosense: “Saloon” (Ed. de Autor)

Rui Eduardo Paes

Ao longo das últimas décadas, as conversas iniciadas entre jazz e rock nas décadas de 1960 e 70 ganharam um novo fulgor, com soluções de combinação que recuperaram o factor exploratório de discos como “Bitches Brew”, “On the Corner” e “Live / Evil” (Miles Davis) ou de grupos como Mahavishnu Orchestra, Weather Report, Return to Forever, Soft Machine, Magma e Henry Cow, e levaram (estão a levar) mais além essa fórmula. Com a corrente “fusion” e os becos sem saída que esta encontrou, a lufada de ar fresco que os anteriores jazz-rock e jazz-funk-rock tinham trazido parecia ter-se desvanecido para sempre, mas outras ideias e outros desempenhos bem mais felizes continuaram esse propósito. É, pois, no mínimo estranho que jovens músicos dos dias de hoje insistam em pegar como modelo no pior que o jazz de fusão ofereceu, seguindo o mau exemplo de formações como BadBadNotGood (repare-se na ironia do nome) e Snarky Puppy…

Um desses casos é representado pelos Loosense, banda de Setúbal que acaba de lançar este “Saloon”. A ficha técnica é excitante, dando conta da intervenção de dois teclistas, dois guitarristas, uma frente de sopros com três elementos, mais baixo, bateria e percussão. A audição do disco depressa nos refreia os ânimos: tudo soa datado e mole, em temas composicionalmente desinteressantes e de um conformismo estético incompreensível. Num tempo em que o jazz nacional conquistou personalidade própria e criatividade, um projecto com tais características arrisca-se a só poder ser tomado como um equívoco. Os Loosense conduzem, decididamente, em contramão.