Witold Oleszak / Luís Vicente + Witold Oleszak / Vasco Trilla: “Live at 1st Spontaneous Music Festival” (Spontaneous Music Tribune)

Rui Eduardo Paes

Este é o primeiro tomo da Spontaneous Live Series, colecção de discos que irá documentar o que aconteça no Spontaneous Music Festival, evento realizado anualmente por alturas de Maio em Poznan, na Polónia. Sintomático é que, logo na estreia da editora, a um pianista local, Witold Oleszak, se juntem, num par de duos, músicos da cena portuguesa ou a esta ligados, designadamente Luís Vicente e o luso-catalão Vasco Trilla. O gosto dos amantes polacos do jazz e da música improvisada que se praticam em Portugal já é conhecido e tem-se traduzido nas habituais presenças, naquele país, destes e de outros músicos nacionais, a exemplo de Rodrigo Pinheiro, Hernâni Faustino e Gabriel Ferrandini.

Oleszak é um pianista de características particulares: quando não toca em pianos arruinados, explorando ao máximo as poucas possibilidades que estes lhe ofereçam, prepara-os de forma extrema, com vista a tirar partido de timbres totalmente alterados. Os improvisadores que toquem com tal interlocutor (caso anterior do catalão Albert Cirera, que viveu em Lisboa durante alguns anos e com ele gravou “Terra Plana”) são convidados a fazerem usos menos convencionais dos seus instrumentos, e é isso o que aqui se verifica. Vicente aplica toda uma série de técnicas extensivas, mais preocupado com o factor som do que com quaisquer dos classicamente definidos parâmetros da musicalidade. Pelo seu lado, Trilla utiliza a bateria e a percussão como uma orquestra não-temperada, produzindo os mais inauditos eventos vibratórios. Ficam os dois lados de uma mesma moeda: a dupla Oleszak / Vicente chega a swingar quando julgaríamos tal coisa uma impossibilidade e a dupla Oleszak / Trilla mais parece estar a criar a banda-sonora de um filme imaginário. Numa palavra: brilhante.