Volcano Hour: “Anticlan” (Creative Sources)

Rui Eduardo Paes

Conhecemos o saxofonista alto português Hugo Costa e o baterista alemão Philipp Ernsting dos Albatre de Gonçalo Almeida, trio de jazzcore que, como este, está sediado em Roterdão. Com os Volcano Hour encontramo-los num contexto bem diferente, e não só porque o terceiro elemento é o guitarrista Josué Amador, outro músico migrante, no seu caso vindo do México, que escolheu a Holanda como país residente: as coordenadas deste “Anticlan” são as da música livremente improvisada (em Albatre, a composição – pela pena de Almeida – é um factor determinante).

É certo que o jazz e o rock continuam a ser elementos chave, com Costa e Amador, sobretudo eles (Ernsting aplica-os a ambos apenas de passagem, preferindo o desenvolvimento de um labor textural em que se revela altamente eficaz), a fazerem um generoso uso desses referentes idiomáticos, mas os ditos são continuamente desconstruídos até nos proporcionarem um paisagismo contemplativo, abstracto e “moody”, mesmo nos momentos mais suaves forjando uma atmosfera algo inquietante. O nome do grupo faz justiça à música que propõe, pois o que vem neste disco é a calma que precede o explodir de um vulcão. O tipo de abordagem permite os jogos de dinâmicas e as subtilezas que não são possíveis com a intensidade e a densidade sonora dos Albatre, revelando-nos ainda algo mais que é importante registar: designadamente, as capacidades saxofonísticas de Hugo Costa, que ficam aqui completamente aclaradas e são mais do que muitas.