Weird Beard: “Orientation” (Intakt)

Rui Eduardo Paes

Weird Beard é mais um artefacto resultante das osmoses do jazz com o rock que não passam pelos legados do jazz de fusão e de colagem. Fundado pelo saxofonista e clarinetista suíço Florian Egli, este grupo com Dave Gisler na guitarra, Martina Berther no baixo eléctrico e Rico Baumann na bateria baseia todos os procedimentos – os composicionais e os improvisacionais – numa lógica de contrastes, indo do suave ao agressivo e do lento ao rápido com a instantaneidade que só as coisas da vida têm. Fá-lo sem medo da melodia – e bem verdade é que algumas linhas melódicas dos temas reunidos são particularmente bonitas, regra geral com o tipo de melancolia e o carácter contemplativo que encontramos em incursões similares do jazz português – e também sem medo de sujar os panoramas que vai criando com a sonoridade própria dos instrumentos eléctricos.

As duas primeiras faixas, “Hanako” e “Empty Shell”, instalam-nos, ainda assim, no lado mais sonhador da fórmula escolhida, pelo que acabamos por o procurar mais à medida que vamos escutando. Mesmo a esse nível, o que encontramos é como se Egli e os seus companheiros estivessem a tentar no campo do jazz que foi feito pelo pós-rock, avançando mesmo com o termo “pós-jazz” como válido para referir este tipo de abordagem. E porque não, apesar do incómodo que isso possa causar em todos os velhos do Restelo que há pelo mundo?