Chrome Hill: “The Explorer” (Clean Feed)

Gonçalo Falcão

Os Chrome Hill já são velhos conhecidos. Nasceram como Damp na Norwegian Academy of Music e mudaram o nome em 2008 com o lançamento do terceiro disco e a saída de Jørgen Munkeby, que foi formar a banda de avant-rock Shining. Mantêm-se um quarteto de jazz com saxofone, guitarra, contrabaixo e bateria. A música continua fiel aos princípios do início: grandes melodias, evocativas das planícies americanas cheias de tiroteios entre cowboys, sempre centradas na guitarra eléctrica. Este novo CD traz, no entanto, algumas diferenças significativas em relação aos dois anteriores. A fórmula do grupo foi levada à perfeição e tornou-se mais clara para quem ouve. As ditas melodias parecem agora wagnerianas: vão-se desenrolando lentamente, alargando a sua beleza com calma, enquanto a secção rítmica de Roger Arntzen e Torstein Lofthus toca desabridamente. O contraste entre a lentidão da melodia e o galope do ritmo dá à música dos Chrome Hill uma personalidade muito particular. É isto que a torna tão interessante e nova.

As linhas temáticas parecem infinitas, tão belas quanto inconclusivas, abarcando a totalidade dos temas. Andam, andam e nunca se esgotam, como numa canção em que o refrão é tão grande que ocupa toda a música e nunca se repete. A bateria de Lofthus, essa, parece que está a tocar noutro grupo, mas vai encaixando como uma peça de lego, numa mistura improvável que só poderia vir de noruegueses apaixonados pela folk americana. Apesar de o nosso Presidente achar que as fronteiras são para respeitar, a verdade é que elas se movimentam e a prova está na música deste grupo. O som da guitarra eléctrica barítono, mais grave (Asbjørn Lerheim afina-a uma quinta abaixo do normal) e com um sustém maior, dá uma textura sombria ao todo. O agudo metálico do saxofone de Atle Nymo corta-a num duelo em que há empate técnico. Apetece ouvir vezes sem conta este “The Explorer”.