Caterina Palazzi SudoKu KilleR: “Asperger” (Clean Feed)

Gonçalo Falcão

“Asperger” é o segundo disco deste grupo italiano que toca uma música a meio caminho entre o jazz e o art-rock. A classificação “art” aplicada no rock serviu (e ainda não está curta) para designar os grupos que estão na fronteira entre uma música intelectualizada e performativa e o rock, mostrando que este último não serve só a puberdade e as suas poucas preocupações. No primeiro disco, “Infanticide”, o quarteto romano trabalhava precisamente sobre a fim da visão do mundo das crianças, através da instalação da ideia de que os bons vencem sempre no final. Neste segundo, o tema continua a ser o desenvolvimento humano, captado um pouco mais tarde, quando a transição para um mundo adulto gera uma atracção pelo mal. Assim, cada tema da contrabaixista e compositora Caterina Palazzi é inspirado por uma personagem maléfica da Disney.

O disco começa com uma metralha de bateria à qual se junta a guitarra eléctrica, avisando-nos logo ao que vem. A música é tocada pelo grupo liderado por Caterina com a dita guitarra, a bateria e o saxofone soando a um rock pesado, aquilo a que hoje chamamos de “stoner”, com temas que se desenvolvem lentamente e passam por várias situações. Contudo, e mesmo acreditando que a juventude está cada vez melhor, as múltiplas voltas de cada um dos temas, a ausência de um contínuo rítmico regular e os solos deixariam um festivaleiro do rock totalmente desorientado. É um jazz que rocka, mas é jazz. Intrépido, pede a linguagem do(s) rock(s) emprestada para explorar universos psicológicos onde ninguém quer muito entrar, e fá-lo com um sentido de revolução social. Punk, por causa desta proposta, e jazz porque a música se liberta pela improvisação. A banda é uma surpresa interessante, juntando-se a uma série de grupos portugueses, escandinavos, americanos e alemães que exploram este território.