Mário Franco: “Rush” (Nischo Records)

Rui Eduardo Paes

Membro do trio responsável por um dos melhores discos saídos em 2017, “Brightbird”, em que a parceria com João Paulo Esteves da Silva e Samuel Rohrer se faz em âmbito camerístico, o contrabaixista Mário Franco não termina o ano sem um trabalho em seu próprio nome que também se destaca no panorama nacional da edição, até por pouco ter que ver com a sua actividade no jazz acústico e nada, aparentemente, com a sua dedicação paralela ao repertório barroco. É outra a vertente explorada em “Rush”, disco que será lançado oficialmente a 15 de Dezembro próximo: aquela que decorre da sua anterior colaboração com Sérgio Pelágio (oiça-se “Our Door”, de 2013), numa linha influída pelo rock e por outras músicas urbanas, cumplicidade essa que ganha, inclusive, uma dimensão simbólica, ou não fosse Pelágio, com os históricos Idefix, um dos nomes cimeiros do jazz de fusão em Portugal.

Neste álbum sobre o movimento (Franco tem actividade paralela como bailarino, e Pelágio é igualmente um reconhecido compositor para dança) que apela a uma desaceleração do nosso ritmo de vida (e daí as 11 fotos de praia que acompanham o CD) surgem outros músicos de primeira linha. Designadamente, a dupla de teclistas formada por Óscar Graça (piano, electrónica) e Luís Figueiredo (piano eléctrico Fender Rhodes, órgão Hammond, philicorda – instrumentos fundamentais para a sonoridade global do grupo) e o baterista Alexandre Frazão, cujo “grooving” é tão notável quanto o melhor a que já nos habituou. O que este álbum tem de especial é o facto de não se enfiar passivamente num espartilho estilístico: não se trata simplesmente de jazz-rock ou de rock-jazz, nem de uma actualização do chamado rock progressivo ou de um pós-rock que tenha finalmente assumido o seu amor pelo jazz. Mário Franco procura outras pistas e por vezes encontra-as mesmo, com ideias composicionais intrigantes que ele e os restantes membros do quinteto colocam em prática com uma entrega e uma energia merecedoras de aplauso.