Capricorn Climber

Kris Davis: “Capricorn Climber” (Clean Feed)

Clean Feed

António Branco

A pianista e compositora Kris Davis (nascida em Vancouver e residente em Brooklyn) tem vindo a conquistar nos últimos anos um lugar entre o escol do jazz e da música improvisada de feição mais aventurosa do panorama nova-iorquino. Sexto disco na condição de líder (sétimo a ostentar o seu nome no catálogo da Clean Feed), “Capricorn Climber” consolida-a igualmente como um dos nomes de proa do selo lisboeta.

Depois do RIDD Quartet, do trio SKM, de dois discos com o seu trio Paradoxical Frog, de “Novela” de Tony Malaby (em que também assinou os arranjos) e do excelente registo a solo, “Aeriol Piano”, Davis apresenta o primeiro disco do seu quinteto, no qual surge acompanhada por improvisadores de primeira água, com quem estabelece empáticas relações: a saxofonista Ingrid Laubrock e o baterista Tom Rainey (habituais colaboradores próximos) e ainda pelo violetista Mat Maneri e pelo contrabaixista Trevor Dunn.

Após uma saudada apresentação em regime de improvisação total no Barbès, clube de Brooklyn, Davis inspirou-se para escrever música para esta formação. Em “Capricorn Climber” volta a exibir os traços fundamentais que caracterizam a sua escrita, aliando distintamente uma capacidade de interligar elementos que vão da tradição do jazz a técnicas vanguardistas.

A sua abordagem geométrica assenta numa rigorosa gestão do espaço e das várias camadas sónicas, das tensões e dos contrastes, dos timbres e das intensidades. De facto, muitas das composições afiguram-se-nos como se de peças improvisadas se tratasse, o que confere à música que aqui se escuta uma frescura e uma espontaneidade notáveis, potenciadas pelo elevado nível das interações (as entre Maneri e Laubrock, em uníssono ou confronto, são particularmente relevantes).

A maioria das peças incluídas remete-nos para ambiências tranquilas e de grande contenção instrumental, à maneira de um certo jazz de recorte camerístico. Mesmo quando os músicos se afastam dessa postura (o que até acontece amiúde), há sempre a intenção de a ela voltar, qual porto de abrigo a que se almeja regressar depois da tormenta.

Nota de realce para “Trevor´s Luffa Complex”, introduzida pelo próprio e com um incandescente solo de Laubrock, “Pass the Magic Hat”, peça que contém algumas das referências mais enquadradas no cânone jazzístico, e para esse verdadeiro “tour-de-force” que é a peça título, com a sua inicial atmosfera soturna (graças à líder e a Maneri) e o desenvolvimento em crescendo.

“Capricorn Climber” é uma nova roda dentada numa engrenagem que marca decisivamente o jazz mais exigente dos dias que correm.

  • Capricorn Climber

    Capricorn Climber (Clean Feed)

    Kris Davis

    Kris Davis (piano); Mat Maneri (viola); Ingrid Laubrock (saxofone tenor); Trevor Dunn (contrabaixo); Tom Rainey (bateria)

Agenda

01 Fevereiro

Com Calma Jazz Jam

Com Calma - Espaço Cultural - Lisboa

02 Fevereiro

João Lencastre, Pedro Branco e João Hasselberg

Miradouro de Baixo - Carpintarias de São Lázaro - Lisboa

02 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre

Água Ardente - Lisboa

02 Fevereiro

Ensemble Porta-Jazz / Robalo

Porta-Jazz - Porto

02 Fevereiro

José Menezes Quarteto

Cine Incrível - Alma Danada - Almada

03 Fevereiro

Pedro Neves Trio “Hindrances” / Wabjie

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Percussion

Água Ardente - Lisboa

03 Fevereiro

Gianni Narduzzi “Dharma Bums” / Carlos Azevedo Quarteto “Serpente”

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

03 Fevereiro

Mockūnas-Mikalkenas-Berre

Salão Brazil - Coimbra

04 Fevereiro

Coletivo Osso/Porta-Jazz “Interferências” / Umbral

Festival Porta-Jazz - Rivoli - Porto

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