João Firmino: “A Casa da Árvore” (Sintoma Records)
Sintoma Records
Depois de uma estreia auspiciosa, em 2011, com “A Bolha” (JACC Records), o guitarrista conimbricense João Firmino (n. 1986) confirma e amplia neste seu segundo disco a boa impressão que então causou, guindando-se para um outro patamar, sobretudo na sua dimensão de compositor.
Nesta qualidade, dá um passo decisivo na afirmação de uma identidade musical própria. Se é certo que se mantêm presentes os vetores essenciais que já definiam a sua escrita, há claramente em “A Casa da Árvore” um amadurecer de processos e um refinar de abordagens que fazem deste disco um vigoroso salto em frente.
Continua patente que é um músico de horizontes largos, convocando e complementando influências de diversas frentes para a sua música. As suas composições espaçosas e povoadas de referências, bastante ricas dos pontos de vista harmónico e melódico, contam histórias, relatam emoções e vivências.
Também o facto de a formação se ter reduzido para trio parece contribuir para esta frugalidade, esta espécie de refúgio, representado, afinal de contas, pela metáfora da casa da árvore. Neste álbum, o guitarrista surge muito bem acompanhado por uma sólida e competente secção rítmica, formada pelo contrabaixista João Hasselberg e pelo baterista Luís Candeias.
O disco está repleto de momentos de interesse, desde logo a belíssima peça-título, de forte travo a Brasil, com guitarra acústica e o canto sem palavras do próprio Firmino, Hasselberg a utilizar o arco e Candeias subtilmente eficaz na percussão.
Outro dos píncaros de interesse escuta-se em “The Old Man and the Sea”, peça de uma beleza encantatória (com a voz de Hasselberg), verdadeira banda sonora de uma noite estrelada à beira mar. Em “Mondego” o guitarrista presta homenagem ao rio que banha a cidade que o viu nascer, numa peça de atmosfera relaxada com o contrabaixista a nela rubricar uma excelente prestação.
Na mesma veia, encontramos ainda temas como “Brad´s Song” (palmas de novo para Candeias) e “Nebula”, de contornos melodicamente apurados. A costela rock fica à mostra em “Nova” e “1+1”, esta nervosamente elétrica e com o não despiciendo contributo vocal de Rita Maria. Note-se o feliz recurso pontual a efeitos em “Curly” e nessa espaçosa construção que é “Ciclo”.
“A Casa da Árvore” supera com mérito a síndrome do segundo disco e reforça a certeza de que João Firmino é um músico com muito para dar ao jazz nacional.
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A Casa da Árvore (Sintoma Records)
João Firmino
João Firmino (guitarras, voz); João Hasselberg (contrabaixo, voz); Luís Candeias (bateria, percussão) + Rita Maria (voz)