Sara Miguel, 12 de Agosto de 2022

Procurar a maravilha

texto: António Branco / fotografia: Diogo Rola, Austèja Liu

“A Viola e a Viagem” é o disco de estreia do projeto Mar&Ilha, criado pela cantora e poeta Sara Miguel (n. 1987). Nele mistura uma abordagem vocal influenciada pelo jazz com a tradição musical açoriana. O concerto de apresentação do disco aconteceu no dia 3 de julho, no Música no Forte, Forte de Santa Catarina, Lajes do Pico, na ilha montanha.

Projeto musical idealizado em 2019 para celebrar a viola da terra em todas as suas potencialidades, desde a tradição legada por gerações às perspetivas de evolução futura, adentrando-se por várias sonoridades das “músicas do mundo”, Mar&Ilha foi apresentado numa primeira ocasião para assinalar Dia da Viola da Terra, no Auditório da Madalena do Pico. A reação do público foi tão positiva que o espetáculo foi repetido no mesmo local em janeiro de 2020. Após os constrangimentos motivados pela pandemia, o projeto foi retomado numa lógica de continuidade. Da formação fazem parte, além da cantora, o guitarrista galego Marcos Fernandez e o tocador de viola da terra picaroto Jorge “Canarinho” Silva, todos residentes na ilha do Pico. O percussionista e artesão de adufes beirão Rui Silva também participou na gravação do disco.

Mas este é apenas uma faceta de uma artista multifacetada e que espraia o seu talento em diversas frentes. Nascida no Porto, Sara Miguel cedo começou a cantar e a dedicar-se ao estudos musicais. Na adolescência, começou a transformar pensamentos, dúvidas e indagações interiores em textos poéticos. Frequentou brevemente o curso de Psicologia, que abandonou para prosseguir a sua paixão e licenciar-se em Canto Jazz na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE). O seu primeiro disco em nome próprio, “Monção”, viu a luz do dia em 2012. Por essa altura integra a banda Peanut Butter Jelly.

Desde então, tem repartido a sua atividade entre a performance e o ensino artístico. Outros dos momentos-chave do seu percurso foi a edição da sua poesia, depois de acumular textos na gaveta durante quase 15 anos. “Palavras Baixinho”, publicado em 2016 pela Chiado Books, é o seu primeiro livro. Ponto charneira foi a sua mudança, em 2014, para a ilha Terceira, por tempo indefinido. Partiu então numa busca pessoal por novas experiências, num ritmo de vida mais consentâneo com a atividade criativa, tanto no domínio das palavras, como no dos sons.

De entre as suas várias facetas artísticas, destacam-se o espetáculo “A Voice for Freedom”, sentida homenagem à cantora e ativista Nina Simone (1933-2003), concebido a convite da Associação Angrajazz (organizadora do festival com o mesmo nome) para comemorar o Dia Internacional do Jazz. Em 2018 editou o disco de estreia do Bruma Project, onde propõe uma revisitação jazzística de temas açorianos. Integra o duo Blackbird, em parceria com João Belchior – guitarrista e cantor com forte ligação aos blues, rock e folk –, que lançou no início de 2020 o seu EP de estreia, “Becoming”. Tem colaborado regularmente com a Orquestra Angrajazz e com a Orquestra de Jazz do Algarve, neste último caso um trabalho documentado no disco “Invites the Ladies”, recenseado na jazz.pt aqui. Integra ainda o projeto criativo O Canto das Mulheres do Mar.

Muitos motivos para uma longa conversa com Sara Miguel, ainda que com um oceano pelo meio.

Lançou por estes dias o primeiro disco do projeto Mar&Ilha, “A Viola e a Viagem”, muito influenciado pelo meio (social, musical, geográfico...) que a rodeia. Como define este disco?

É primeiramente um disco que celebra a viola da terra açoriana, uma viola de 12 ou 15 cordas prima das outras violas de arame que se podem encontrar em várias regiões portuguesas e que está firmemente enlaçada na herança cultural e na história dos Açores e das comunidades açorianas no mundo. Este disco é como uma viagem de volta ao mundo em que o barco (ou o bote!) é a viola - nas várias canções, passamos por diversas linguagens estilísticas da world music e piscamos o olho a várias regiões do mundo de onde ou para onde a açorianidade trouxe e levou influências. O que nunca falta é a ligação ao universo musical insular, seja pela sonoridade característica da viola, seja pela inclusão de ritmos mais tradicionais da região ou pela mensagem que transpira das letras onde é óbvia esta ligação às viagens, à diáspora, ao mar e aos elementos naturais que permeiam a experiência humana nas ilhas.

Pretende celebrar a viola da terra em toda a sua versatilidade, desde o legado tradicional às potencialidades futuras, no quadro de várias sonoridades das chamadas “músicas do mundo”. De onde surgiu este seu interesse?

Mudei-me do Porto para os Açores (primeiro ilha Terceira, agora ilha do Pico) há oito anos depois de estudar Canto Jazz na ESMAE, de ter lançado o meu disco de estreia ‘Monção’ e de cerca de cinco anos de experiência como performer e docente em vários contextos. Quando cheguei às ilhas, fiquei maravilhada com o património musical insular que me era completamente alheio como continental - comecei a descobrir o cancioneiro tradicional, os autores, os intérpretes, a história e aquela ligação muito estreita entre a arte e a cultura populares, as manifestações gregárias sociais e a realidade de viver num ambiente geográfico tão particular. Fiquei inspiradíssima! Foi nos Açores que comecei a aprender a cantar em português, depois de tanto tempo a sentir-me em casa na tradição anglo-saxónicas e até brasileira – e digo “comecei” porque sinto que ainda hoje estou a aperfeiçoar este modo de me expressar na minha língua através do canto. No primeiro disco que gravei nas ilhas em 2016 - o BRUMA Project, que reunia versões jazzísticas de canções tradicionais e dos cantautores “clássicos” açorianos - tive a minha primeira interação mais direta com a viola da terra e mais uma vez a riqueza histórica e expressiva de um elemento particular açoriano fez-me ficar rendida. A viola ficou sempre “in the back of my mind” a partir daí e em 2019 quando o Terry Costa da associação cultural Miratecarts me convidou a conceber um projeto para comemorar o I Dia da Viola da Terra eu soube que era a altura de pensar mais a fundo na viola e começar uma relação mais próxima com ela. No fundo, o que fizemos com os Mar&Ilha desde o início foi procurar ajudar ao movimento de ressurgimento que o instrumento tem experimentado na última década, que se deve ao trabalho árduo de pessoas como o Rafael Carvalho no ensino e na performance, e ao entusiasmo de vários grupos açorianos que transportaram a viola dos grupos folclóricos para a aventura noutros estilos.

Quer falar-nos um pouco do processo de gestação deste projeto?

Quando recebi do Terry esta “carta branca” para conceptualizar o concerto comemorativo do I Dia da Viola da Terra, a ideia era fazer um concerto único (o que acabou por não acontecer, já que o entusiasmo à volta do nosso grupo nos encorajou a continuar). Enquanto pensava sobre o que fazer, fiz alguma pesquisa sobre a história dos Açores e particularmente sobre os movimentos de diáspora (migração) que aconteceram regularmente no meio século de história de ocupação das ilhas, ora devido a desastres naturais, ora devido a situações de sobrepopulação e consequente escassez de recursos. Percebi que hoje em dia o número de açorianos emigrados e seus descendentes perfazem cerca de 1,5 milhões em todo o mundo e no arquipélago são apenas cerca de 250000 - isso fez-me ter noção da dimensão do que os açorianos têm construído lá fora (cidades, comunidades, etc.) e do que levaram e trouxeram nestes movimentos regulares a nível de influências, linguagens, tendências. A viola sempre acompanhou os açorianos nas suas viagens e está permanentemente presente nas manifestações sociais populares e artísticas de todas as comunidades. Então, o que me lembrei de fazer foi mostrar como a viola poderia soar tocando canções das regiões ou países para onde os açorianos tinham emigrado (EUA, Brasil, Uruguai, Canadá, etc.) e como isso podia mostrá-la como um instrumento versátil que não tinha de estar apenas ligado à música tradicional e que se poderia transportar para a world music, o pop, o rock, o jazz ou qualquer outro estilo. Claro que para os puristas da música isto poderá ser uma blasfémia, mas eu identifico-me com a corrente que considera a música uma expressão humana extremamente mutável e cuja evolução depende necessariamente de mistura e experimentação – sobretudo para um instrumento intimamente ligado ao legado tradicional, não há opção senão a transformação para assegurar a sobrevivência num mundo em inevitável aceleração.

Como se juntou o conjunto de músicos que a acompanham?

Os músicos que escolhi para integrarem este projeto representam a mistura perfeita para cumprir os objetivos que referi acima - primeiro, o grupo precisava de alguém que fosse açoriano e que “descendesse” da tradição insular de tocadores de viola de terra, o que me fez chamar o Jorge ‘Canarinho’ Silva, que vem de uma das famílias de tocadores mais famosas dos Açores e que representa uma das formas típicas de tocar viola das ilhas (neste caso do Pico), o tocar “rasgado”; depois, conheci na altura o Marcos Fernandez, um galego a residir no Pico com uma extensa carreira como guitarrista desenvolvida em vários locais do globo, que tinha estudado jazz, flamenco e bossa nova e que personificava esta amálgama de linguagens diferentes e uma essência improvisadora nata. Os três juntos formamos a base e o coração deste projeto, à qual se juntou para desenvolver o trabalho para este disco o percussionista convidado Rui Silva que reside também no Pico. De agora em diante e para a promoção deste trabalho discográfico, continuaremos com este trio de base, convidando outros músicos para nos acompanharem consoante os locais onde formos tocar e as necessidades de cada concerto.

Como é a sua rotina, se a tem, de trabalho nos Açores, onde o tempo corre de modo diferente?

A rotina é pouca! Quando vim para cá rapidamente percebi que teria de ensinar para sobreviver, pois as oportunidades para um performer profissional são ainda mais diminutas aqui do que no continente. Mesmo assim, nestes anos as fases têm sido todas diferentes - ora dou mais aulas, ora menos, ora de uma forma mais organizada institucionalmente, ora mais a título particular, ora tenho meses com muitos concertos e inícios de projetos, ora meses mais escassos... Tenho feito um pouco de tudo musicalmente, desde docência de canto, a condução de workshops de circle singing, direção e técnica coral, trabalho vocal com atores, projetos de várias espécies como performer, trabalho com orquestras... A maior “rotina” é a incerteza e a necessidade de estar sempre a pensar no que criar a seguir, com quem trabalhar, a que instituição propor, como conseguir apoios. Tirando essa parte que muitas vezes nos esgana – artistas precários – e o facto de sentir falta de mais exposição a eventos artísticos que me alimentem a inspiração e as interações, viver nas ilhas é pão para a alma: ter o mar, o horizonte, a natureza sempre perto e beneficiar de um ritmo de vida muito mais ajustado biologicamente acrescenta anos de vida! Não abdico dos mergulhos no mar quando faz bom tempo, de andar a pé pela vila para um chá ou um encontro inesperado (mas inevitável) com algum amigo ou de pegar no carro e passear até aos meus locais preferidos para estar na natureza e não perder a ligação à minha essência.

Percebe-se que o jazz é, naturalmente, uma componente que continua presente na sua abordagem, mas nela também descortinamos muito mais. A permeabilidade e o desejo de explorar outros universos sonoros são evidentes...

O jazz foi a minha escola não por opção mas por inevitabilidade; para estudar a nível superior no Porto na altura só tinha duas alternativas, vertente clássica ou jazz e a escolha estava feita à partida. Ainda assim, acabou por ser para mim a melhor escola, porque me deu tecnicamente muitas ferramentas, mas, sobretudo, porque me fez desenvolver uma grande noção de liberdade em relação ao meu leque de possibilidades criativas. Não me defino como cantora de jazz – sou acima de tudo cantora, e sempre gostei de ouvir e cantar muitos estilos, desde a pop, à soul, ao blues, à MPB e muito mais. Recentemente descobri o apreço pelas músicas de raiz, a tradicional açoriana e portuguesa, a latino-americana, os rimos africanos, etc. Gosto de cantar palavras e canções, por isso o que mais me interessa como fio condutor é escolher temas com mensagens fortes e melodicamente marcantes - o cerne de uma boa canção pode ser encontrado em qualquer estilo! O que me move como artista é a identificação – comigo própria e com o público – e quanto mais sumo tem uma canção ou um autor, mais gosto de os cantar, independentemente da linguagem de onde vêm. No limite, a nível de sonoridade tudo se pode transformar, mas as histórias e as emoções extravasam etiquetas.

Faz-se acompanhar por um pequeno grupo de músicos, mas já gravou com orquestra. Prefere algum destes contextos?

Tendo a ser um pouco bipolar nessa questão! (risos) Adoro os extremos – a nua intimidade de um dueto entre voz e piano e o poder avassalador de cantar à frente de uma big band! Sinto que cada projeto tem uma identidade e que há sempre uma instrumentação certa para servir o seu propósito. Sinto-me realizada por já ter tido experiências tão diversas e poder aprender a encontrar a força de cada contexto. Ainda assim, confesso: o que me leva a um expoente elevado de felicidade e concretização, (quase a um estado alterado de consciência!) é cantar em ensemble vocal, a cappella. É um mundo à parte!

É também poeta. O que vem normalmente primeiro no seu processo criativo, as palavras ou a música?

Eu comecei a escrever antes de começar a cantar mais a sério, se não contarmos com as brincadeiras na escola com as colegas. Desde muito miúda que lia imenso – às vezes escondida à noite debaixo dos lençóis usando a luz de presença – e a escrita foi o meu primeiro escape e a minha primeira forma de expressão artística. Curiosamente, quando comecei a cantar mais houve uma espécie de substituição e deixei de escrever tanta poesia. Hoje em dia, tenho mais vontade de escrever letras para mim e para outros e gosto muito quando posso criar as palavras e a melodia em simultâneo, trabalhando sobre uma base harmónica composta por alguém - este processo de fazer letra e melodia ao mesmo tempo torna-me a criação mais fluida e sinto que o resultado é mais completo e mais satisfatório quando o faço assim.

Este seu amor pelas palavras, pela poesia, de onde vem? Há planos para editar novo livro?

Não sei bem de onde vem... A minha mãe sempre me incentivou a ler desde miúda, e isso ajudou, claro. Lembro-me de ler os livros que ela guardou de pequena, aquelas edições antigas ilustradas das Mulherzinhas, do Ben Hur, da Mary Poppins... A poesia começou um bocadinho mais tarde, mas sempre me fascinou a elegância de não ter de ser literal para provocar uma resposta emocional no leitor. Penso que há uma maior relação de interdependência ou cocriação entre o escritor e o leitor na poesia, e há mais magia e mais possibilidade. Editei o meu livro de poesia “Palavras Baixinho” em 2016 reunindo textos que fui juntando desde a adolescência até essa altura, mais como um desafio a mim própria do que como uma tentativa de provar algo. Desde então, tenho continuado a escrever e sinto que gosto mais do que escrevo agora do que aquilo que incluí nesse livro, por isso é provável que volte a editar em breve.

Viremos a agulha para outras facetas do seu trabalho. O projeto “A Voice for Freedom” presta homenagem ao lado mais ativista e combativo de Nina Simone. O que lhe interessa mais na figura dela, a música, o combate desassombrado?

Embora muitos não tenham noção, a Nina foi uma das personalidades artísticas mais relevantes do século XX, por ser fraturante, temerária, genial, por ser daquelas pessoas que se ama ou se odeia mas a que não se pode ser indiferente. Não dá para separar a arte da pessoa, porque está tudo amalgamado na sua música - mesmo quando cantava músicas leves e sem mensagem política, continuava a ser aquela mulher negra, impetuosa, que ia contra todas as convenções, com aquele porte imponente de realeza de quem não aceita ser desafiada na sua verdade. Ter sido a ativista que foi naquela altura de início de luta incendiária pelos direitos dos negros, das mulheres, das minorias nos EUA, ter vencido o medo para passar uma mensagem e aproveitar a plataforma que tinha e ter sofrido até ao fim com as consequências desse posicionamento, tudo isto enquanto esbatia as vedações entre os estilos musicais e criava uma voz musical própria que influenciaria gerações de artistas até aos dias de hoje, foi admirável! Mesmo lutando com a doença mental, o abuso de substâncias e sendo vítima de violência doméstica, conseguiu a força necessária para fazer uma carreira de relevo, marcar uma era e incentivar o apoio às causas, e isso faz com que a admire incondicionalmente. Gostaria de ter um décimo da sua coragem e da sua determinação e desde que criei este projeto de tributo à sua música de intervenção comecei a estar mais consciente da minha responsabilidade social como artista, da importância da forma como trabalho e comunico e de qual pode ser o meu papel na construção do mundo em que desejo viver.

Já o mencionou, mas fale-nos um pouco mais do seu projeto Bruma, no qual revisita o cancioneiro tradicional açoriano. É para retomar ou este projeto Mar&Ilha acaba, de certo modo, por fazê-lo?

Criei o Bruma Project em 2016 com o Roberto Rosa para gravarmos um disco que abordasse alguns temas açorianos tradicionais e de autor mas com uma roupagem mais fresca e mais jazzística, com enfoque na improvisação. Lançámos o disco em 2018 e fizemos uma tour por cinco ilhas, e em 2021 fizemos um concerto de 3o aniversário com mais dois grupos convidados no CCCAH em Angra do Heroísmo. Embora nos fizesse muito felizes levar este projeto a palco mais vezes, é um desafio muito grande a nível logístico, já que a banda é composta por sete elementos de várias ilhas e do continente. Assumimos que pode haver regressos esporádicos, mas que não será um projeto de continuidade – ainda assim, foi maravilhoso poder trabalhar com o Mário Barreiros que na altura gravou este disco em Angra e com todos os artistas que passaram pelo projeto no disco e nos concertos subsequentes – Luís Senra, o Gonçalo Moreira, o Mike Ross, o Alexandre Frazão, o Zeca Sousa, o Marcos Fernandez, o Joaquim Rodrigues e o Mário Costa - assim como o Mundo Diaz nas projeções vídeo. Os Mar&Ilha já são algo diferente – além de apostarmos em repertório original, não passamos assumidamente pelo espectro do jazz, ainda que haja tónicas comuns como o espaço à improvisação, a presença da viola da terra e o cerne no universo musical açoriano. Este sim, quero que seja um projeto de continuidade – tem as condições e o potencial para isso.

Tem cantado com a Orquestra Angrajazz e com a Orquestra de Jazz do Algarve. Como se proporcionaram estes encontros e como é trabalhar com músicos que operam preferencialmente numa posição geográfica de certa forma periférica, longe dos grandes centros?

Foram experiências muito valiosas para mim! Trabalhei com a Orquestra Angrajazz sob a direção de Pedro Moreira e Claus Nymark durante cerca de quatro anos e desenvolvi muita coisa. Foi um incentivo a formar o meu quarteto de jazz na Terceira em que participavam músicos da big band, e deu-me também a oportunidade de trabalhar e conhecer músicos nacionais e internacionais quer em concertos com convidados, quer nos festivais Angrajazz em que participei. Quanto à OJA, fui aluna do maestro Hugo Alves na ESMAE e ele foi seguindo o meu trabalho nos anos seguintes, o que acabou por levar ao convite para trabalhar com a orquestra num repertório de homenagem à Ella Fitzgerald, a minha referência maior. Adorei trabalhar com aqueles músicos e ver o entusiasmo do público algarvio! Participei em discos de ambas as orquestras, o que muito me honra, e percebi com estas colaborações a importância destes grupos nestas zonas mais periféricas – quer na Terceira, quer no Algarve, há muito público que não teria outro acesso ao jazz sem a existência destas orquestras, muitos músicos que não teriam uma hipótese real de desenvolver o seu trabalho a nível profissional com frequência e continuidade (isto em relação à OJA) e muitos grupos-satélite que enriquecem o panorama musical regional que não se formariam. As oportunidades de concerto, formação, aprendizagem e crescimento que estes agrupamentos criam têm consequências inegavelmente positivas.

Importa aqui falar da sua mudança para as ilhas açorianas, em 2014. O que buscou verdadeiramente quando tomou esta opção?

Ainda hoje, oito anos depois, quando me fazem essa pergunta a minha resposta parece sempre algo esotérica! A verdade é que segui a minha intuição, sem nada de organizado à minha espera nas ilhas... Senti que estava num plateau no Porto – tinha feito o curso, dava aulas em algumas escolas, tinha um ou dois projetos com os quais tocava sempre na mesma zona e nada me estava realmente a entusiasmar... Então visitei a Terceira pela primeira vez para fazer um gig e apaixonei-me por aquele lugar – senti um chamamento forte e decidi arriscar. Hoje, vários anos depois, e mesmo tendo começado a vender gelados no primeiro verão e continuando até estes dias numa posição de precariedade laboral, vejo que o facto de ter vindo para cá me deu oportunidades que talvez não encontrado se tivesse continuado no continente - nos Açores, era até recentemente a única cantora com a minha formação (este ano a Joana Pacheco, terceirense que ajudei a preparar para o acesso à ESMAE, conclui a sua licenciatura!), o que me permitiu sobressair, trabalhar muito em formação, ter muitos convites para trabalhos com grupos diversos. Na altura não sabia o que procurava, mas hoje sinto que cá encontrei o meu lugar como artista e, sobretudo, desenvolvi a minha voz própria.

 

 

Música recalcada

Teve uma infância com música ao redor? Recorda-se do que então ouvia?

A minha família não é nada musical! O meu pai diz que o seu pai costumava pegar numa violinha que tinha e se punha a tocar depois do jantar nas escadas do quintal, mesmo sem saber, mas eu nunca o conheci. A minha mãe gostava de ter sido bailarina, mas a minha avó nunca a deixou sequer experimentar. Mesmo na família menos nuclear não há referências artísticas diretas. Lá em casa ouvia-se música como em qualquer casa normal, no rádio, na televisão... Onde os meus pais acertaram foi em apostar na nossa formação musical desde miúdos, eu no piano e o meu irmão no violino. Nesse sentido, crescemos com música e acabámos por estudar ambos na ESMAE, eu jazz e ele PTM... e alguma propensão deveria haver, porque a minha avó diz que eu comecei a cantarolar muito pequenina, antes dos dois anos ainda, e que era muito afinada e decorava melodias com imensa facilidade. Acima de tudo sempre adorei ouvir rádio, ter aquela surpresa da música seguinte, gravar cassetes para as viagens de verão com as músicas que passavam no World Chart Show na RFM, sempre com o dedo em suspenso para parar a gravação antes de o locutor falar! Acho que isso também fez com que desenvolvesse o gosto muito eclético que me caracteriza.

Consegue precisar o momento em que o jazz começa a entrar na sua vida?

Sim, como disse mais atrás, foi mesmo por vontade de estudar na ESMAE - fiz lá o curso livre de canto com a professora e cantora Sofia Ribeiro para me preparar para o ingresso e foi apenas aí que comecei a ouvir mais jazz, a cantar standards e a estudar a história do estilo. Comecei a preparação no curso livre mais ou menos no início de 2007, concorri em maio e não entrei, continuei a estudar mais um ano e em 2008 concorri e entrei. Até então, nunca tinha estado ligada ao mundo jazzístico de forma nenhuma.

Quer falar-nos de alguns episódios ou de pessoas que de alguma forma a tenham marcado particularmente ao longo do seu processo formativo?

A Sofia Ribeiro foi uma ótima professora, foi quem me levou pela mão no início do meu caminho no jazz, era ainda muito nova na altura e sabia como ensinar e como chegar aos alunos. Procurava trazer professores de fora para trabalharem connosco em masterclasses e tinha sempre o nosso melhor interesse em vista. Foi uma influência importante e positiva e que me motivou a continuar, mesmo nos momentos mais complicados. Não posso dizer que tenham sido anos fáceis, porque senti bastante a ausência de um background mais sólido no jazz comparativamente à maioria dos meus colegas, senti bastante o peso de ser cantora e sobretudo de ser mulher num meio tão masculinizado, e houve várias situações que me poderiam ter feito desistir. Senti que o mundo musical e jazzístico podem ser meios muito libertadores ou muito castradores, dependendo das pessoas com quem te cruzas e da carapaça que desenvolves ou não.

Em termos de influências – na música, nas palavras – há alguém que queira destacar particularmente pelo impacte que tem na sua própria abordagem?

Adorei participar num masterclass com o Bobby McFerrin em 2012 na Guimarães Capital da Cultura. As palavras dele sobre a procura da sua voz, a expressão pelo canto e a liberdade na abordagem ficaram-me marcadas, assim como o momento em que pude cantar com ele durante uns minutos. De resto, há muitos cantores cujo trabalho e identidade admiro, sobretudo nos clássicos – Ella, Nina, Nat King Cole, Chet Baker, Tom Jobim, Chico Buarque, João Gilberto... Enfim, artistas consensuais. Nas palavras, a minha santíssima trindade – Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade e Fernando Pessoa. Mas há muitos autores, cantores, músicos atuais que também me inspiram, tudo o que ouço e vejo e me rodeia me inspira e influencia de alguma forma.

Frequentou o curso de Psicologia, de que abdicou em favor da música. Aproveita alguns dos conhecimentos que então adquiriu para o seu lado artístico, enquanto cantora e poeta?

Sim, estive dois anos a estudar Psicologia na Universidade do Porto antes de perceber que tinha a música recalcada! Estudar psicologia fez-me ter uma ideia mais aprofundada do ser humano, das suas motivações e das suas complexidades. Penso que me tornou acima de tudo ainda mais empática, e mais disponível para ouvir e entender o outro e penso que isso são também ferramentas essenciais para um artista, quer para um escritor que reflete e escreve sobre o que pensa e sente para alguém que lê, quer para um músico que cria também sobre a experiência humana e que o faz na maior parte das vezes em partilha com outros músicos. Entender o outro é essencial para trabalhar e conviver com o outro, mas entendermo-nos a nós mesmos é o mais basilar, e nesse aspeto a psicologia pode ser uma das entradas para um percurso de autoconhecimento que todos deveríamos fazer e que deve ser, a meu ver, holístico e interdisciplinar.

Sara, como é ser mulher na música, em geral, e no jazz, em particular, em Portugal?

Pois, é ainda muito menos inclusivo do que deveria... Como já referi acima, muitas vezes durante o meu percurso académico me senti inferiorizada por ser mulher e ser cantora, por vezes com situações muito constrangedoras. No meu ano entraram perto de 20 alunos no curso de jazz e apenas três eram mulheres – sei que a realidade está a mudar aos poucos e que nos últimos 10 anos tem havido mais discussão e mais consciência em relação à inclusão e à equidade, mas a verdade é que continua a ser um meio muito masculinizado em que as mulheres sentem que têm de ser “one of the boys” para serem incluídas ou então a sua posição não é tão credibilizada a nível da qualidade e validade do seu contributo. Os cartazes culturais continuam a não ser representativos e ser líder de projetos sendo mulher é mais desafiante no que toca a sentir que a nossa liderança é respeitada e bem aceite. Arrepio-me quando há mulheres a dizer que já não acham que o género seja uma questão na música ou no mercado de trabalho em geral – ou têm vivido numa bolha ou estão em negação, porque há ainda muito trabalho a ser feito nesse âmbito e negar um problema não faz com que ele desapareça. Fico feliz por haver já mulheres que são mais vocais em relação a estas problemáticas, como a Beatriz Nunes por exemplo, e por haver homens que também desejam já ser parte da solução e não parte do problema.

O papel que as mulheres têm vindo a desempenhar na evolução das músicas criativas acaba por espelhar as dinâmicas gerais de funcionamento da sociedade, secularmente centradas na figura masculina...

Claro. Estamos a falar de séculos de sociedades construídas e desenvolvidas sobre uma lógica que coloca o papel da mulher centrado na vida da casa e da família e o do homem centrado no trabalho fora de casa e nos lugares sociais de liderança. Só no século XX por premência histórica e social é que as mulheres começaram a trabalhar fora de casa por sistema e a adentrar nos círculos predominantemente masculinos e se bem que não se possa negar o avanço que já foi feito com os movimentos feministas, não me parece satisfatório que nos tempos em que estamos ainda existam as barreiras que encontramos. Enquanto houver uma mulher que seja que acha que ser artista não é um caminho profissional respeitável, que tem de ser cantora em vez de instrumentista, que tem de se maquilhar ou pôr saltos altos para ir para um palco e encaixar no seu papel feminino (e contra mim falo!), que tem de escolher entre ter uma carreira ou ser mãe ou que tem de se calar e aceitar quando é alvo de objetificação ou menorização no seu local de aprendizagem ou de trabalho, a nossa missão como cidadãos na procura da equidade social não está cumprida. E quem fala das mulheres fala de todas as “minorias” não representadas justamente, minorias essas que todas juntas perfazem nada mais que uma maioria na sociedade.

Quais os motivos, no seu entender, pelos quais não se valoriza e reconhece mais a contribuição das mulheres?

Foi uma narrativa social perpetuada através da história que urge desfazer, mas o seu peso é ainda muito grande. Mesmo pessoas da minha geração que já cresceram nesta mudança de paradigma em termos de consciencialização veem-se muitas vezes numa luta interna entre as respostas automáticas inconscientes de julgamento e preconceito que nos foram instiladas pela comunidade durante o crescimento e as respostas conscientes e refletidas da nova mentalidade com que queremos alinhar. Temo que vá ser preciso muito tempo e a renovação de várias gerações para que estas velhas visões do mundo se vão extinguindo e mesmo assim, vivendo num mundo globalizado, temos de ter noção que haverá sempre países e lugares em que o progresso das mentalidades será ainda mais dolorosamente lento e que isso permeia necessariamente os outros lugares deste mundo aberto...

Há quem insulte um negro, uma pessoa de etnia cigana ou um estrangeiro e no instante seguinte afirmam que não são racistas ou xenófobos, ou os que inferiorizam uma mulher e logo dizem que não são machistas... Que esquizofrenia é esta?

Isso não acontece apenas em Portugal, acontece até nos países maiores e mais diversos que deveriam ser os mais inclusivos, como os EUA. Acontece também nos países que consideramos mais civilizados que o nosso. Infelizmente, faz parte da condição humana gerir o medo e a incerteza face ao diferente e ao desconhecido através do preconceito, da segregação e da violência. Acredito mesmo que há muita gente neste limbo entre o que adquiriram na sua aprendizagem e aquilo que desejavam ser. Outros há que são simplesmente hipócritas. Acho também que as pessoas valorizam demais os rótulos sem perceberem bem o que está em causa, sem perceberem que por trás de qualquer ilusão de diferença a nossa essência enquanto seres humanos é muito semelhante. Os media e a sociedade extremamente individualista e consumista em que vivemos contribuem para a massificação dos maus exemplos e para a promoção da competição em vez da cooperação e tudo isso nos afasta do caminho da empatia. Não sei se existirá uma solução para todas estas questões que nos fazem divergir, acho que tem de haver várias soluções concertadas e um corte drástico no paradigma em que vivemos. Acredito que a arte, o desenvolvimento pessoal e a fuga à massificação e aos grandes centros farão parte da solução e tento fazer ao meu minúsculo nível individual e local o que posso para ser parte dessa onda positiva e proactiva.

Fale-nos do projeto criativo “O Canto das Mulheres do Mar”...

Esse projeto veio exatamente na linha das questões de inclusão de género. A organização do Festival Pico Zen decidiu fazer uma candidatura ao projeto “Sea Women” integrado no programa Europa Criativa e liderado pela Fundación Iberoamericana de las Industrias Culturales y Creativas, cujo objectivo principal é a dinamização da cultura nas Regiões Ultraperiféricas e Insulares com um foco específico no papel das mulheres nas indústrias criativas apoiado na estratégia da UE para fazer face ao impacto da pandemia covid-19. Desta candidatura surgiu a ideia de fazer uma residência artística em 2022 que juntasse mulheres originárias ou a residir e a trabalhar nas ilhas (Açores e Madeira) que culminasse num concerto final inserido no programa do festival. Decidimos debruçar-nos sobre o contexto histórico das mulheres artistas nos Açores através de trabalho de pesquisa e da criação de um concerto com 8 temas originais com textos e música nossos ou com textos de escritoras insulares que musicamos - Natália Correia, Madalena Férin, Judite Canha Fernandes e outras. Desta forma, queríamos chamar a atenção para o papel secundário e meio secreto que as mulheres artistas sempre foram tento ao longo da história nos Açores e amplificar a sua voz, sobretudo a daquelas que contribuíram localmente para a educação e disseminação artística mas cujos nomes não são lembrados e as histórias não são conhecidas. Ficámos com a perfeita noção de que esta residência veio apenas levantar uma minúscula ponta do véu que cobre estas questões, mas ficámos também com muita vontade de continuar o projeto – as artistas, eu, a Isabel Mesquita, a Gianna de Toni, a Antonella Barletta e a Catarina Terra, e também a equipa de produção da residência, o Rui Aires, o João Sousa e a Carla Natário. Além de a receção do público ao projeto ter sido muito calorosa e positiva e de termos sentido que estávamos em território muito relevante e muito pouco explorado, foi também uma experiência muito diferente e libertadora - para mim em especial, foi das poucas vezes que trabalhei quase exclusivamente com mulheres e desfrutei de um sentimento de irmandade, partilha, tranquilidade, ausência de medo ou reservas que nunca tinha sentido antes em projetos criativos. Acho que todas as artistas mulheres deveriam poder experienciar algo assim para acreditarem mais no seu potencial e para se imbuírem da vontade de remar em conjunto na mesma direção no desenvolvimento da sua identidade de género das artes!

Nasceu e passou boa parte da vida no Porto, cidade com intensa vida jazzística, na última década exponenciada pela atividade da Associação Porta-Jazz. A Sara colabora com alguns músicos da cena portuense. Acompanha o que acontece, segue os novos talentos que despontam?

Sim, embora seja muito fácil esquecer o resto do mundo quando se vive nas ilhas – o que pode ser bom e mau! – tento estar atenta ao que acontece no continente. Vou acompanhando nas redes o trabalho dos colegas que se cruzaram comigo na ESMAE ou de outros músicos com quem fui trabalhando cá e lá ao longo destes oito anos. Sempre que há oportunidade, tento trazer às ilhas músicos do continente, o que é ótimo para mim mas também para a diversidade de oferta local – é sempre enriquecedor poder proporcionar aos músicos e estudantes de artes de cá um workshop ou um concerto com músicos que trabalham a outros níveis e noutras esferas que às vezes nos parecem tão distantes cá. Sobretudo aos alunos de música que gostariam de se profissionalizar, é muito importante mostrar que essa não é uma opção tão inalcançável como lhes pode parecer aqui e que há um caminho possível. Era importante que houvesse mais parcerias e portas abertas a nível institucional para a circulação de artistas entre o continente e as ilhas – como a Porta-Jazz vai fazendo na Terceira – para que não parecessem dois territórios separados e para que se pudesse beber da inspiração, dos recursos e das sinergias de ambos os lados.

Também se tem focado na componente do ensino. O que mais a motiva neste campo? O que de essencial procura veicular aos seus alunos?

O ensino acabou por ser uma necessidade face à dificuldade de viver apenas da performance no nosso país. Acabei por investir no ensino e por perceber que tinha algo de válido a passar aos alunos. Percebi também que ensinar era uma ótima forma de consolidar e desenvolver os conceitos e ferramentas que eu aprendera e que um professor pode ser uma força motriz de incomparável importância no percurso de desenvolvimento de um aluno - pode ser o responsável por encorajá-lo a prosseguir ou o responsável por fazê-lo desistir! Tento dar aos meus alunos o que senti falta da parte dos meus professores e não fazer aquilo que sinto que me prejudicou – aprendi que o meu papel é passar ferramentas e conteúdos mas, sobretudo, ajudá-los a encontrar a sua voz própria, os seus gostos, os seus pontos fortes e a alegria e o prazer nesta forma de expressão! A voz é um instrumento muito peculiar de ensinar e aprender, por estar dentro do nosso corpo e ser tão necessária a visualização e a atenção à sensação física, mas também por estar tão intimamente ligado à nossa sensibilidade, ao nosso autoconceito e à nossa emotividade. Desde logo percebi que trabalhar a voz é muitas vezes trabalhar o coração do aluno e estar preparado para que surjam muitas questões pessoais e muitos entraves que são muito mais psicológicos e emocionais do que físicos. Trabalhar a este nível cria muitas vezes uma ligação estreita entre professor e aluno e é muito motivador para mim sentir a evolução deles como cantores e pessoas e sentir o seu carinho quando vão aos meus concertos, compram os meus discos ou me mandam mensagens a dizer que sentem a minha falta nas férias. Embora haja muitos artistas autodidatas, acho que o ensino artístico tem um papel fundamental na formação dos futuros artistas que desejamos ter no mundo e também na educação de públicos para uma maior valorização da cultura artística pela sociedade.

Já pensou no que virá a seguir ou deixa que a vida siga o seu curso natural e que lhe indique o caminho?

Embora quando estou com projetos em mãos seja uma superplaneadora e um pouco obsessiva em relação à organização e a fazer todos os possíveis para os concretizar da melhor forma e dar as melhores condições a quem trabalha comigo, a um nível geral já deixei de fazer planos. Se há coisa que a vida me ensinou na última década é que a maior parte das vezes acaba por nos acontecer a última coisa que imaginávamos e que é assim que podemos encontrar as melhores surpresas. Sempre que eu larguei e aceitei o fluxo, a minha vida pulou e avançou e deu-me coisas melhores do que as que eu poderia ter imaginado sozinha. Vou estando atenta aos quadrantes e ajustando as velas aos ventos, deixando que eles me levem para onde a vida fluir. E, como diz o poeta, a única coisa que faço sempre onde quer que esteja é procurar, procurar, procurar a maravilha!

Para saber mais:

https://www.facebook.com/saramiguelmusic/

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