Nuno Campos, 16 de Junho de 2020

Terapia sonora

texto António Branco fotografia Adriana Melo e João Barreira

Uma década bem medida após a estreia como líder, o contrabaixista Nuno Campos (n. 1979) regressa aos discos com “TaCatarinaTen” (com selo da Carimbo Porta-Jazz), um disco que o próprio entende como resultado de uma intenção “terapêutica” de processar anos preenchidos de mudanças, emoções e experiências. A seu lado estão agora o saxofonista José Pedro Coelho, o pianista Miguel Meirinhos e o baterista Ricardo Coelho.

Nascido no Porto, começou musicalmente com um pé na clássica e outro no jazz, no Conservatório de Música e na Escola de Jazz. Em paralelo, formou-se em teatro e desenvolveu atividade relevante nas artes cénicas como ator e encenador na sua cidade natal (Seiva Trupe, Arte e Imagem, TEP). Repartido entre o teatro e a música, decide focar-se nos estudos de contrabaixo. Muda-se para Barcelona, cidade com um ambiente jazzístico e académico fervilhante. Estudou na Escola Superior de Música da Catalunha (ESMUC), tendo tido ensejo de ser aluno de Mario Rossy, Toni Garcia Araque, Horacio Fumero, Luis Vidal, Joan Monné e Joan Díaz, entre outros.

No decorrer do terceiro ano dos seus estudos universitários, ganha uma bolsa da Generalitat da Catalunha para estudar durante um ano no Koninklijk Conservatorium de Haia com Knut Guettler e Hein van der Geyn. De volta à cidade condal, conclui uma tese na qual defende um método de contrabaixo moderno, na mesma altura em que funda o seu próprio trio, que acabaria por ser galardoado com o primeiro prémio do Concurso de Jazz de Barcelona. Na calha estava o disco de estreia, intitulado "My Debut for the Ones Close to Me”, com selo da Fresh Sound New Talent de Jordi Pujol.

No período em que vive em Barcelona, leciona em escolas vinculadas ao Berkelee College of Music, e toca e grava com diversos músicos da cena musical local como Jon Robles, Silvia Perez, Josep Maria Farràs, Marco Mezquida, Ramón Prats e Gonzalo del Val, para apenas citar alguns. Da sua discografia enquanto “sideman”, avultam “Dias en Barcelona” (2009), do Alex Fraile Quartet, com participação do saxofonista Jon Robles, “Tribut to Nino Rota” (2010), do quarteto liderado pelo guitarrista Matteo Sacilotto, “Recital” (2012), do Paulo Gomes Trio, “Big Weird Box” (2012), do guitarrista Ricardo Barriga, e “Morning Rain” (2015), do quinteto da cantora Mariana Vergueiro.

Regressado a Portugal, Nuno Campos conclui o mestrado da Universidade do Minho em ensino da música no seu instrumento. Leciona contrabaixo clássico na Academia de Música de Vilar do Paraíso, no Conservatório de Música da Silva Monteiro e no Conservatório de Música do Porto, tendo também exercido o cargo de coordenador pedagógico na Escola Profissional Jazz ao Norte. A jazz.pt foi ao encontro do contrabaixista e pedagogo para uma conversa em que não apenas ficámos a conhecer melhor os caminhos que trilhou, mas também a saber que planos traça para os próximos tempos.

 

Acaba de lançar “TaCatarinaTen”, o seu segundo disco em nome próprio. Como o define?

Este disco surgiu de uma grande necessidade interior de criar algo novo que refletisse as minhas vivências, quer pessoais, quer musicais, desta última década. Ao mesmo tempo quis fazer uma “espécie” de terapia através das artes. É um disco feito com muito detalhe e muito carinho. É um disco que pretende incluir rasgos de liberdade musical, interação, melodia e história. É um álbum que não está preso a etiquetas como free ou hard ou pós-bop. Pretende apenas ser fiel à história de cada tema, já que cada um tem um propósito e um significado muito claros. No entanto, as minhas influências com certeza estarão presentes.

 

É um disco revelador de apurada sensibilidade e, de facto, gosto pelo detalhe. Como se posiciona esteticamente enquanto músico?

Enquanto músico, a melodia, a forma e o gesto musical têm uma grande importância. O meu percurso na música clássica e no jazz têm grande influência na minha forma de tocar. O meu percurso académico e os meus quase nove anos de vivência fora do país trouxeram-me muitas influências distintas. A mais tardia é mesmo a influência do jazz português, mais concretamente do Porto. Desde que voltei para o Porto senti uma necessidade muito maior de explorar mais o free, o rock ou “even eights”. Quer por curiosidade quer por sobrevivência e desafio pessoal.

 

Este disco surge mais de uma década depois da estreia, em trio, com “My Debut For the Ones Close to Me”. Porquê este hiato tão longo?

Por um lado, o meu instrumento não é solista. Parece-me mais natural tocar a música de outros do que a minha, já que terei sempre que depender mais dos solistas do que da minha “performance”, pois não tenho o papel mais melódico. Não obstante, o meu prazer e a minha prática contínua na composição obrigam-me a fazer algum registo. E este tardou. Por outro lado, o meu retorno a Portugal e a respetiva adequação demoraram o seu tempo. É um país com muitos artistas e com muita qualidade. No entanto, a oferta cultural é muito baixa e a sobrevivência torna-se muito mais difícil do que noutros países. Vi-me forçado por questões económicas a apostar mais na minha profissão de professor, na qual tenho muito prazer e orgulho. Esta levou-me a fazer um mestrado, entre outras coisas. Tudo isto retirou-me tempo para a vida artística, que já estava muito preenchida como “sideman”, pois fui integrando inúmeros projetos e fui participando em alguns discos novos. Por último, a minha vida pessoal foi mudando bastante. E os filhos estão sempre em primeiro lugar.

 

Como contrasta este segundo disco em relação ao anterior?

Com dez anos de diferença este disco teria de ser muito diferente. Com tanta experiência pessoal e artística que vivi nesta última década o disco só poderia ser diferente. Com músicos tão diferentes o resultado mais diferente teria de ser. Diria que há denominadores comuns: a procura e o estudo de novos elementos musicais, a tentativa de ter algo belo e a procura de criar música que promova a espontaneidade. Aliás, a gravação foi muito espontânea e muito certeira.

 

Surge agora acompanhado pelo saxofonista José Pedro Coelho, o pianista Miguel Meirinhos e o vibrafonista e baterista Ricardo Coelho. Como é trabalhar com este grupo?

É uma verdadeira delícia. José Pedro Coelho é um grande amigo e uma grande influência musical. Sem dúvida, um dos grandes do nosso país, cujo reconhecimento ainda não lhe é totalmente devido. Partilhar com ele música e amizade em simultâneo é muito bom e prazeroso. Miguel Meirinhos é uma grande promessa no piano. Já o conheço há bastantes anos, pois chegou, inclusive, a ser meu aluno. É uma excelente pessoa pela qual nutro muita simpatia e amizade e está dotado de uma grande sensibilidade musical, lirismo e som de piano. Fez um percurso clássico e este é notório quando toca, quer no som quer na linguagem. Ricardo Coelho é um vibrafonista excelente e um bom músico. Na bateria demonstra musicalidade e muito bom tempo (algo de que eu não consigo abdicar). Temos elementos musicais comuns que não sei verbalizar e uma grande empatia. É outro músico que dará muito que falar. São todos muito bons músicos que não necessitam de ensaio, caso as partituras e diretrizes estejam claras. Algo que eu não faço muita questão. Estão todos sempre disponíveis para se deixarem levar pelo momento e são todos excelentes pessoas. Como disse: uma delícia.

 

São os contextos intimistas os que mais lhe agradam para expor a sua música?

A música, e sobretudo o jazz, é o que eu considero como um privilégio na minha vida. Poder expressar-me e emocionar-me quando quero e necessito é uma mais-valia muito grande na vida. É para mim algo muito sério, o que não quer dizer que não seja divertido. Nesse sentido, é natural que tenha sempre um lado íntimo. Adoro tocar outros géneros e estilos musicais. Por exemplo, tenho o prazer de tocar com um bom amigo de longa data, sempre que vem cá visitar-nos: Vítor Pereira. A música dele tem muita influência rock e não há qualquer tipo de semelhanças. No entanto, divirto-me imenso. Mas escrevo naturalmente música nesse estilo.

 

É natural do Porto, cidade com uma vibrante cena de jazz e outras músicas improvisadas, que não é de hoje. Como se sente neste ambiente e como o mesmo impacta a sua arte?

O Porto é uma cidade que, sobretudo desde o surgimento da Porta-Jazz, trouxe e tem um ambiente criativo muito ativo. Não é uma cidade com tradição de jazz, mas sim de rock, o que influência em muito a cena musical. A composição e os trabalhos originais estão muito presentes e a mistura de estéticas é muito recorrente. Sinto que a cena está mais ligada ao rock do que ao jazz. No entanto, a improvisação e a composição são elementos muito presentes. Quando regressei ao Porto vim de uma cidade com muita tradição de jazz, ainda que com muitos projetos originais e modernos. No início tive de me esforçar por me adaptar a um ambiente musical que para mim era muito diferente e ao mesmo tempo desafiante. Como gosto de desafios e tive sempre a oportunidade de usufruir da amizade e partilha musical de músicos como o José Pedro, rapidamente me integrei. Sinto que evoluí muito e descobri muita coisa nova com o meu regresso ao Porto. É uma cidade que dá luta.

 

Parte significativa da atual visibilidade da Invicta em matéria jazzística deve-se efetivamente ao trabalho da Associação Porta-Jazz e ao seu braço editorial, a Carimbo. Que importância atribui à associação e como descreve o papel que esta tem desempenhado na promoção do jazz?

Sem dúvida que a Porta-Jazz é de máxima importância no jazz do Porto e não só. É muito difícil de aceitar que ao fim de todos estes anos – e já lá vão dez –, a Porta-Jazz ainda não tenha um estatuto muito mais evidente na nossa cidade e no país. Como tinha dito, o Porto não é uma cidade fácil. O curioso é que este tipo de adversidades, como a falta de apoio cultural, trazem uma grande união e um espírito muito salutar entre músicos. Estamos todos bastante unidos.

 

Apesar das iniciativas e dos cruzamentos que têm vindo a acontecer, acha que Lisboa e Porto ainda estão muito separadas em termos do jazz que nelas se faz? Em seu entender, seria desejável uma maior aproximação?

Lisboa tem tradição de jazz. O Porto não, com algumas exceções. Automaticamente, o jazz é bastante diferente. No entanto, há muito interesse no free jazz a nível nacional e ambas as cidades têm bastante do mesmo. A aproximação é cada vez mais necessária. Infelizmente, os custos de portagens, das viagens entre cidades, e os “cachets” de concertos fazem com que a aproximação seja muito difícil.

Desafio e evolução

 

Voltemos um pouco atrás. Recorda-se dos seus primeiros contactos com o jazz?

Perfeitamente. Não comecei muito cedo. Iniciei-me com os discos do meu irmão. Do Pat Metheny Group, entre outros.

 

Desenvolveu estudos de contrabaixo equilibrando a clássica com o jazz. Quer destacar alguns episódios do seu percurso formativo que o tenham marcado particularmente?

O início. Tudo começou por desafio. Um amigo, que tinha adquirido dívidas por aquisição de drogas, tinha de vender o seu baixo elétrico. Eu tinha-lhe dito em convívio que o baixo era um instrumento muito fixe. Ele vendeu-me, quase por imposição, o baixo por uma bagatela, que era o dinheiro que tinha enquanto jovem. Ao fim de uns meses de ter o baixo encostado no meu quarto decidi começar a tocá-lo. E lá fui eu para a Escola de Jazz do Porto ter aulas com o maravilhoso Alberto Jorge! Tenho-lhe muito carinho. Soube motivar-me e mostrar-me este maravilhoso mundo. Assim começou. Passado pouco tempo já estava no Conservatório do Porto a estudar contrabaixo clássico. Mais do que episódios marcantes do meu percurso de estudos musicais no CMP recordo alguns amigos que ainda hoje persistem. Carl Minneman, João Guimarães, António Pedro Neves, tudo músicos ativos no Porto e também na Porta-Jazz. Destaco também que com tanta mudança de cidade muitos amigos fiz. No entanto, o convívio não é possível pela distância. Por último, tive sempre a sorte de ter professores muito inspiradores e dedicados.

 

Em que momento e porque razão se decidiu musicalmente pelo jazz?

Desde o primeiro momento em que tive contacto com ele. A minha decisão de estudar contrabaixo clássico veio do aconselhamento do meu irmão João Campos (guitarrista clássico), que insistiu comigo para passar pelo género clássico. Rapidamente percebi que tinha de ir por este caminho. Deixei o jazz parado uns anos e depois comecei a estudar os dois géneros em simultâneo. Quer na ESMUC (Universidade de Barcelona) quer no Koninklijk Conservatorium (Universidade da Haia) foi-me permitido estudar clássico e jazz. E foi o melhor que fiz. Ainda que sempre mais no jazz e com alguma “balda” no clássico.

 

O que reteve dessas experiências?

Em ambas as cidades, estive sempre rodeado de muita cultura e de uma grande quantidade de músicos absolutamente fenomenais. A inspiração e a motivação estavam em todo lado. É uma das vantagens de estar neste tipo de cidades. Respira-se “cultura” em todo o lado. Retenho, sem dúvida, o facto de ter ganho o Concurso de Jazz de Barcelona com o meu primeiro disco. Viajei bastante à custa dele e depois deste prémio toquei num só ano em 19 formações musicais. Retenho muito esse ano. Foi glorioso e deu-me muita bagagem. Deu-me bastante experiência em estúdio e muito rodagem de projetos e concertos. Em ambas as cidades o nível musical era excelente. Senti-me sempre desafiado e isso deu-me sempre alento e motivação para evoluir. Fiz muitas amizades e participei em muito projetos e discos. Lembro sobretudo as amizades e o intercâmbio cultural que tive.

 

Fale-nos das suas principais referências, no contrabaixo e não só...

No contrabaixo, sem dúvida os meus admirados e muito estudados contrabaixistas foram Marc Johnson, Ray Brown, Percy Heath, John Patitucci e Christian McBride. As minhas referências foram mudando muito à medida do meu percurso. Os meus irmãos foram sempre uma grande referência, quer pessoalmente quer musicalmente. Um dos meus irmãos influenciou-me musicalmente e no meu percurso académico musical. Ouvi muita música por influência dele. Ele também é músico. O meu outro irmão foi sempre uma grande referência como ser humano e nas letras. É um verdadeiro devorador de livros.

 

Para além da música, também tem formação em teatro, área em que exerceu vasta atividade. Como equilibrou estes dois mundos?

Estes dois mundos nunca estiveram muito equilibrados. Literalmente, o teatro foi sendo abandonado para a área da música. Tive a sorte de trabalhar em boas companhias nacionais, de ter participado em algumas grandes coproduções, de ter dirigido alguma coisa e sobretudo de ter tido esta vida anterior, da qual tanto aprendi. O teatro é uma bela arte que, tal como a músic,a deveria fazer parte da vida de todos, sobretudo na escola. Talvez mais o teatro que a música. O psicodrama deveria obrigatoriamente estar presente nas escolas. Resolveria muitos problemas da nossa sociedade.

 

Já se vê que é influenciado por outras artes, que gosta de cruzamentos artísticos.

Sou muito influenciado por outras artes e gostaria muito de fazer mais cruzamentos artísticos. No entanto, tendo em conta a escassez de apoios culturais e a necessidade de o artista ter quase sempre outro meio de subsistência, este cruzamento torna-se muito difícil.

 

Focando-nos no jazz, que papel atribui ao estudo da tradição na formação de um músico?

Acho perfeitamente possível não estudar a tradição e ser-se um excelente músico. No entanto, acho que isso é para muito poucos se falamos de jazz “puro e duro”. Para quebrar as regras, não há nada como conhecê-las bem. Aos dias de hoje, a definição de jazz parece cada vez mais ser a improvisação. E isto é muito vasto e ambíguo. Cada vez faz mais sentido falar de música e não de géneros musicais. Se não falamos de um idioma próprio como o do jazz feito até aos anos sessenta então falar de tradição parece não encaixar.

 

Em que medida esse legado está presente na sua música?

A tradição do jazz até aos anos sessenta está muito presente no meu percurso. Fui e sou um fã desse jazz. Barcelona sempre teve muita tradição e modernidade ao mesmo tempo.

 

Interessa-se pela improvisação livre, sem estruturas pré-estabelecidas?

Desde cedo que tenho interesse pela improvisação livre. No entanto, senti sempre a necessidade de conhecer tudo o que estava antes, pois para mim só tem sentido tocar sem estruturas pré-estabelecidas se as conseguir elaborar na hora. O que é muito difícil de fazer, sobretudo em grupo. É uma estética na qual estou recentemente muito interessado, por sentir que a entendo melhor atualmente e por visceralmente me fazer mais sentido. Cada vez ouço mais compositores do século XXI para descobrir outras formas de estabelecer estruturas de forma quer composicional quer espontânea a tocar.

 

Está nos seus planos editar um disco a solo, é um desafio que o move?

Um disco a solo não está nos meus planos. Mas sim, é um desafio que me move. Sinto que teria de tirar muito tempo para trazer algo a público que aportasse algo de inovador. Depois de Francois Rabath, Stefano Scodanibbio e obras de Hindemith ou Berio, a fasquia ficou mesmo muito alta para fazer algo novo. Mas sim, imagino que algum dia o farei.

 

Em que outros projetos está presentemente envolvido?

Em projetos com Mariana Vergueiro, Brian Blaker e o meu quarteto. De resto, participo noutros projetos pontualmente.

 

Falando no quinteto da cantora Mariana Vergueiro e do álbum “Morning Rain”. Como se sente no papel de acompanhar uma voz?

Gosto muito de acompanhar uma voz. Gosto ainda mais quando essa voz é de cantora e de instrumentista. A Mariana reúne essas duas qualidades. Além do mais, a afinidade é quase familiar.

 

Desenvolve também atividade letiva. O que procura transmitir de essencial aos seus alunos?

Essencialmente o prazer pela Música. Com “M” grande. Aquela que não é jazz, clássica, rock ou seja lá o que for. É apenas Música. E o prazer pela viagem do estudo da mesma sem pretensões de nada. Ser profissional ou amador. Como disse antes, poder fazer música é um privilégio enormíssimo. Não sei como viveria sem este escape.

 

Como têm estes períodos de confinamento e de (lento) desconfinamento, relacionados com a pandemia do Covid-19, influenciado a sua vida de músico? Como se adaptou e prepara o (novo) normal?

Este novo disco saiu em pleno estado de confinamento. Todos os concertos agendados foram cancelados ou adiados. Outros concertos com outras formações ou concertos em eventos também foram cancelados. Houve perdas económicas. Aparte disto, a música é um evento social e não poder expressar-me e partilhar música com outros músicos faz-me muita falta. Não obstante, tenho ouvido mais música que nunca e composto mesmo muito.

 

O que tem ouvido?

Muito Ravel, Debussy, Messiaen e Stravinsky. Assim como Paul Motian e muitos discos com Billy Hart.

 

Quer destacar alguém, nos planos nacional e internacional, com quem gostasse particularmente de trabalhar?

Pergunta difícil quando há tanto músico bom e interessante hoje em dia.

 

Teremos de esperar mais dez anos para escutar o seu terceiro disco?

Sem dúvida que não. Nem sei como aguentei tantos anos sem lançar um novo. Algo me diz que terei de recuperar o tempo perdido. E por último, tenho composto mesmo muito e já tenho muito material disponível.

 

Para saber mais          

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