Nils Wogram, 2 de Dezembro de 2019

A tradição e mais além

texto António Branco fotografia Ayse Yavas e Corinne Hächler

No próximo dia 13 de dezembro, a cada vez mais relevante Orquestra de Jazz de Espinho (dirigida por Daniel Dias e Paulo Perfeito) recebe, no Auditório da cidade, um convidado muito especial, o trombonista Nils Wogram. Nesta nova passagem por terras lusas, o músico alemão traz na bagagem “Work Smoothly”, o seu segundo álbum com a NDR Big Band, orquestra da rádio de Hamburgo, para o qual compôs e arranjou todas as peças. “Work Smoothly” tem a particularidade de ter sido registado ao vivo em fita para dois canais analógicos similar à utilizada no final da década de 1950 por orquestras como a de Duke Ellington, para assim melhor emular a ambiência sonora dessa era. A música que escutamos combina com elegância – e sem abdicar de acrescentar pontos ao conto – o som “clássico” das “big bands” com conceções contemporâneas.

Com um percurso solidamente fundado na tradição do jazz, Wogram tem demonstrado um consistente interesse em acrescentar sempre algo novo à sua abordagem, recorrendo sem pruridos a material oriundo de outros domínios musicais, como a música clássica ou a pop. Acredita no poder das relações interpessoais como dínamo para o processo coletivo de criação musical, não sendo. Portanto. de estranhar que eleja Ellington e Miles Davis como referências centrais.

Nascido na cidade de Braunschweig em 1972, Wogram iniciou estudos de trombone quando tinha 15 anos, muito por influência paterna. Os seus talentos levaram-no a ganhar vários galardões nas áreas do jazz e da música clássica e aos 16 anos fundou os seus primeiros grupos. Em 1989 foi chamado a integrar a Orquestra de Jazz da República Federal da Alemanha, dirigida por Peter Herbolzheimer. Três anos depois ganhou uma bolsa de estudo e mudou-se para a New School de Nova Iorque, onde permaneceu até 1994. Durante este período aqueceu o alambique que viria a dar origem a “New York Conversations” (1994), à frente do seu quinteto, primeira pedra de uma discografia que inclui hoje mais de duas dezenas de títulos como líder ou co-líder.

Licenciado pela Universidade de Colónia, em 1999, tem prosseguido, ao longo dos últimos 25 anos, um trabalho multifacetado, em contextos que vão do solo à “big band”, dando mostras de uma clara apetência por grupos longevos. Entre estes, adquirem particular importância os Root 70 (que no próximo ano assinalam o seu 20.º aniversário) – juntamente com o saxofonista Hayden Chisholm, o contrabaixista Matt Penman e o baterista Jochen Rückert –, o Nostalgia Trio (ativo desde 2004), ao lado do baterista Dejan Terzic  e do organista Arno Krijger, para além do seu septeto, do quarteto de trombones Vertigo (com Bernhard Bamert, Andreas Tschopp e Jan Schreiner) e dos duos com o também trombonista Conrad Bauer, os pianistas Simon Nabatov e Bojan Z ou com a cantora Saadet Türköz. Em 2010, criou a Nwog Records para ganhar o controlo completo do processo criativo e editorial.

Para além dos seus próprios grupos, colabora frequentemente com outros projetos. Entre 1994 e 2006, integrou o quinteto Underkarl – liderado pelo contrabaixista Sebastian Gramss –, fez parte do grupo Next Generation de Gunther Hampel e durante vários anos foi membro do grupo de fusão jazz-hip hop-funk Jazzkantine. Tocou ainda com nomes tão díspares quanto Aki Takase, Kenny Werner, Rudi Mahall e Eugene Chadbourne. Os seus grupos tocam exclusivamente a sua música e escreve regularmente a pedido de outras formações. Vive atualmente na Suíça, onde ensina no Conservatório de Lucerna.

 

O que pode o público português esperar do seu concerto com a Orquestra de Jazz de Espinho?

Planeamos tocar peças minhas que compus e arranjei originalmente para a “big band” da rádio de Hamburgo. O meu estilo é muito baseado na tradição do jazz, mas utilizo muitos elementos de outros géneros musicais e tento manter a música fresca e não apenas “retro”. Adoro jazz, melodias, ritmo e o som de uma “big band” com trombones.

 

Como surgiu a sua ligação à Orquestra de Jazz de Espinho?

A orquestra entrou em contacto com o meu agente e gostei da ideia de trabalharmos em conjunto logo desde a primeira abordagem.

 

Conhece alguma coisa do atual panorama do jazz em Portugal?

Sim e não. Surpreendentemente, o intercâmbio entre as várias cenas do jazz na Europa ainda é algo que está para ser desenvolvido. Claro que conheço os músicos portugueses de jazz mais famosos, como Mário Laginha, e tenho tocado muitas vezes em Lisboa, mas não conheço bem a menos estabelecida, mas muito criativa, cena portuguesa. Espero que isso possa mudar.

 

Pode revelar-nos o repertório que irão tocar nesse concerto?

Tenho um disco chamado “Work Smoothly”. A ideia é tocar algumas das peças desse repertório, que apresentam muitas reminiscências da história do jazz e das “big bands”.

 

“Work Smoothly” foi gravado com a NDR Big Band, sediada em Hamburgo, na Alemanha, em fita de duas pistas, tal como fazia Duke Ellington. Qual foi o principal propósito? Resgatar o som peculiar dessa era?

O principal propósito foi obter em disco o espírito do som ao vivo real. Tenho participado em muitas sessões de gravação onde o foco está mais na perfeição e na correção e menos no espírito das peças e na sua interpretação. Quando os músicos sabem que haverá uma edição mínima após a gravação têm uma prestação mais fluida, uma maior concentração e um desempenho mais vivo. Acresce que adoro o som desses discos antigos. Mas não fomos totalmente “retro”.

 

Quer dizer que procurou alcançar uma espécie de balanço entre passado e presente?

Sim, essa tem sido uma questão importante para mim. Quando comecei a ouvir jazz, com cerca de sete anos, gostei muito do jazz tradicional. Quando me desenvolvi enquanto músico descobri muitas coisas novas na música e passei a usá-las na minha própria forma de tocar e nas minhas composições. Também descobri que muita da música de que gosto hoje tem um bom balanço entre a tradição e as novas correntes. Acredito que podemos beneficiar muito da tradição musical e ainda assim criar algo pessoal e novo.

 

Isso leva-me a voltar atrás no tempo. Desenvolveu um sólido percurso musical clássico e descobriu o jazz. Como é que isto se passou? Foi um processo lento?

Isso é o que muita gente pensa, mas não foi assim. O meu primeiro amor foi o jazz, mas uma vez que não havia professor de trombone jazz tive aulas com um professor de clássica. Ele transmitiu-me muito conhecimento e técnica para tocar bem trombone e estar apto a tocar o que eu quisesse expressar. Toquei simultaneamente jazz e música clássica desde o primeiro momento, mas o meu coração estava mais com o jazz.

 

E porquê o trombone? Porque o seu pai foi um trombonista amador?

Bem, penso que sim. Ele tinha uma grande coleção de discos: J. J. Johnson, Jimmy Knepper, Curtis Fuller, Charlie Parker e muitos outros. E eu ouvia-o a tocar em casa e em palco. Ele não era um músico profissional, mas eu gostava na mesma. Então, familiarizei-me com o instrumento e com a tradição.

 

Trinta anos após a reunificação alemã, que tipo de memórias lhe trazem esses tempos, antes e depois da queda do muro? A separação entre as duas Alemanhas afetou-o?

A minha mãe nasceu em Halle, na antiga República Democrática da Alemanha (RDA). A sua família escapou mesmo antes de o muro ter sido construído. Foi algo arriscado, porque poderiam ter sido presos se as autoridades soubessem do seu plano. Na Alemanha ocidental tiveram de novo de começar do zero. Lembro-me de irmos a festas de família na RDA. Era estranho para nós, mas gostávamos dos nossos familiares que lá ficaram. Penso que esta seja a razão pela qual tenho ótimas relações com músicos da antiga RDA, como Conny Bauer, Joe Sachse e Gunther Baby Sommer. Teria sido muito difícil tocar com eles se o muro não tivesse caído.

 

Estudou na New School de Nova Iorque entre 1992 e 1994. Em que medida esta experiência foi importante para si? Encontrou lá grandes diferenças entre as abordagens europeia e americana à música em geral e ao jazz em particular?

Claro que esse tempo foi muito importante para mim. Tinha 19 anos e vinha de uma pequena cidade na Alemanha. Em Nova Iorque tive a oportunidade de estudar e às vezes mesmo de tocar com alguns dos meus heróis. Aprendi que a tradição é muito importante e que o “groove” é essencial. Penso que esta é uma das grandes diferenças: nos Estados Unidos os músicos estão muito mais preocupados com a tradição, o ritmo e a forma do que na Europa. Claro que podemos encontrar outros exemplos dos dois lados do oceano e isto é algo belo. Penso que estou algures no meio. Eu vivo e fui criado na Europa, mas as minhas influências são também da tradição do jazz norte-americano.

 

E de que forma sente o “peso” de séculos de tradição europeia musical clássica?

Beneficio dela. Nas minhas melodias e nas minhas composições. Penso que isso esteja a fazer a minha música mais interessante e menos “retro”. Também sinto que a dramaturgia na música clássica europeia me ajudou a encontrar a minha própria voz.

 

Quando regressou dos Estados Unidos, em 1994, começou a trabalhar em praticamente todas as configurações, do solo à “big band”. Passado todo este tempo, prefere a intimidade de um pequeno grupo ou a energia de uma grande orquestra?

Gosto de ambas, mas o meu foco é nos grupos pequenos. Dá-me mais oportunidade para tocar a minha música e tocar trombone. Os concertos com formações mais alargadas são mais raros e verdadeiros pontos altos. 

Pessoal, mas flexível

 

A sua música é multidimensional. Nunca se fixou num dado formato ou contexto. A sua discografia é abundante e diversa. Afinal, o que busca com a sua música?

O meu objetivo é ter a minha própria voz em qualquer situação musical em que esteja envolvido. Quero ter um som pessoal, mas, ainda assim, ser flexível. Como seres humanos, somos mais do que uma personagem. Temos oportunidades em função do grupo em que estamos inseridos e da linguagem que falamos. Mas somos a mesma pessoa. Acho que se passa o mesmo na música. Para além disto, quero tocar e desafiar o público. Tirá-los dos seus hábitos e tocar coisas que não conheçam. Apenas cumprir expectativas é aborrecido.

 

Seria então interessante conhecer melhor as suas referências em vários géneros musicais...

Para além das minhas influências no jazz, gosto de compositores e grupos como Björk, Radiohead, Hermeto Pascoal, Frank Zappa, Ivo Papasov, Alban Berg, entre muitos outros...

 

Assumo, portanto, que não goste de ser balizado por convenções ou estereótipos...

Sou um músico de jazz. Gosto de jazz e isto é o principal. Também gosto da forma como os músicos de jazz pensam. É sobre estar aberto, encontrar novos caminhos e novas combinações.  Improvisando e fazendo “grooving”... Com espírito crítico e avançado em muitos sentidos. Isto mantém a música fresca e previne-nos de estereótipos.

 

É um compositor rigoroso e detalhado, mas também um excelente improvisador. Que tipo de equilíbrio procura entre composição e improvisação, entre complexidade e simplicidade?

Penso que a composição no jazz e a música improvisada devem ter um carácter forte, mas não devem limitar o improvisador. Às vezes temos peças que são muito difíceis de tocar ou de improvisar sobre. Isto não significa que não as devamos tocar. Significa que devemos melhorar as nossas capacidades para improvisar. Um exemplo famoso é o tema “Giant Steps” de John Coltrane. Extremamente difícil de tocar, mas também muito inspirador. Componho, sobretudo, para escrever alguma coisa e mais tarde olhar para ela como instrumentista e improvisador. Tenho muitas vezes de praticar as minhas próprias peças de modo a tocá-las bem. Elas não são apenas veículos para demonstrar as minhas capacidades no instrumento.

 

Olhando para o seu percurso, parece preferir colaborações musicais longevas, como as que mantém com o quarteto Root 70, o trio Nostalgia, o seu septeto, o quarteto Vertigo ou o duo com o pianista Simon Nabatov. Acredita em algum tipo de “química humana” que una os músicos e estimule a criação musical?

Sim, vejo isto como uma relação. Mas tenho de admitir que, às vezes, os passos seguem caminhos diferentes. Simon Nabatov e eu tocámos juntos durante 19 anos e agora já não o fazemos. Também tive de encontrar um novo elemento para tocar Hammond (agora Arno Krijger), porque Florian Ross saiu do grupo [o trio Nostalgia]. Estas coisas acontecem, mas acredito que num grupo o som evolui com os anos. Simplesmente porque não nos juntamos para tocar a tua cena. Desenvolvemos algo em conjunto e este é o segredo dos bons grupos. Não é apenas teres os melhores músicos no grupo. É a combinação específica.

 

Duke Ellington e Miles Davis, entre outros, escreveram e arranjaram a pensar nas características específicas dos seus músicos...

O que estou a tentar copiar deles é o espírito de liderança e de deixar as pessoas fazerem o que sentem. Claro que tenho as minhas preferências, mas na música um som pessoal é mais importante do que o que o líder da banda diz. Claro que isto tem as suas fronteiras. Se não gosto de algo digo, mas no final é o músico que tem de decidir.

 

Com o trio Nostalgia misturou jazz “mainstream” com alguns elementos da música clássica e mesmo da pop. Dadas estas coordenadas, qual é a principal ideia do grupo?

A ideia principal é pegar em alguns aspetos musicais da tradição (não apenas do jazz) e desenvolver algo pessoal e novo com eles. É o mesmo grupo e nós nunca pensamos em termos de estilos. É por isso que podemos tocar bebop ou uma peça mais rock e continuar a soar como nós. Os objetivos deste grupo são o jazz, o “groove”, a improvisação e a forma. Também se consegue escutar isto no nosso álbum mais recente, “Things We Like to Hear” [2019].

Espécie de filtro

 

Um dos seus discos de que mais gosto é “Serious Fun”, um dueto de trombones livremente improvisado com Konrad “Conny” Bauer. Quer falar-nos um pouco deste disco e de qual é a sua relação com a improvisação livre?

A estória por detrás deste disco é a seguinte: em 1991 ganhei um prémio alemão de jazz e fui convidado para tocar com várias bandas e em dueto. Um dos duetos que escolhi foi com o Conny. Correu muito bem e aprendi muito com ele. Um dos nossos primeiros concertos foi gravado e enviei o registo para a editora CIMP. Eles gostaram, mas insistiram para que gravássemos no seu estúdio (sala de estar). Voámos para Syracuse (Nova Iorque) e gravámos três dias de música livremente improvisada. O disco tem um bom espírito e muitos apreciadores dentro da família da música improvisada.

 

De entre a sua discografia, “Odd and Awkward” é outro dos meus favoritos e um dos registos que mais evidenciam os seus predicados. É também um disco especial para si?

Sim, foi a primeira vez que compus para e gravei com um grupo alargado. Estava muito entusiasmado e no final fiquei muito satisfeito com o resultado. Mais tarde, quando tive a oportunidade de tocar mais frequentemente neste contexto, decidi formar um septeto de seis sopros e bateria, com músicos alemães.

 

A sua inventividade e o seu desejo de experimentação também parecem derivar, pelo menos em parte, do trabalho de trombonistas alemães seminais, como o já falado Bauer e Albert Mangelsdorff. Em que medida está em dívida para com eles?

Penso que sou mais influenciado por trombonistas norte-americanos de jazz, mas o que me faz estar próximo do Conny e do Albert é a sua grande forma de se expressarem com diferentes passados musicais. Tocar jazz e música improvisada como músico europeu e respeitar e seguir alguma espécie de tradição do jazz norte-americano. Isto é especialmente verdade no caso de Albert Mangelsdorff. Penso que devo muito a ele e ao Conny. Eles também me deram a vontade e a crença de ser um solista de jazz no trombone.

 

Como falámos antes, apesar de a sua música estar profundamente enraizada na tradição, incorpora elementos de outros géneros, para assim expandir a sua própria abordagem. Os seus horizontes são muito mais largos. Qual é então o seu conceito de ecletismo?

Não penso em termos de estilos. Penso que isto seja muito importante. No momento em que queres tocar ou copiar um certo estilo estás agarrado e não consegues ir a lado nenhum. Simplesmente pego em elementos de todos os géneros de música de que gosto e trago-os para a minha música. Mesmo isto não funciona por vontade, mas sim por automatismo. Se sai na minha música é porque é verdadeiro para mim. Se não, precisa de mais tempo ou nunca fará parte dela. A minha mente é uma espécie de filtro.

 

Voltando ao tema da tradição do jazz, que lhe é tão caro. Steve Coleman, em entrevista recente, disse-me que não gosta sequer da palavra “jazz”...

Julgo que na Europa é um pouco diferente. Conheço muita gente que tenta evitar a palavra “jazz” porque entende que esta representa música menos séria e qualquer coisa que vem do entretenimento. Para mim, jazz significa um certo espírito livre e individual, improvisação, “groove”. Não é possível encontrar estas coisas em muitos outros géneros musicais, e é por isso que me considero um músico de jazz. Prefiro lutar pelo género jazz em toda a sua variedade do que evitar o termo.

 

Tem alguma ideia de para onde o jazz está a ir?

Boa pergunta. Vejo três correntes diferentes. 1) uma corrente académica em que os músicos e os peritos são os principais críticos e que procura mais aventura e mais heróis através de uma música cada vez mais complexa e avançada; 2) uma corrente que nunca realmente gostou de jazz e que constantemente ataca o espírito da improvisação: «Quem quer ouvir aquela música complicada e que está sempre a mudar? Onde está a melodia? Porquê tão complexa? Queremos ouvir música que é facilmente acessível e que tenha um “groove” simples. Com isto farão mais dinheiro e atrairão mais público»; e 3) uma corrente de comunidades: o jazz é a música de que gostamos! Vamos viver para ela e fazê-la acontecer. Juntos. Encontraremos o nosso público e partilharemos este espírito com ele.  Não somos uma elite, mas temos uma identidade artística que não queremos perder. A nossa música vai voltar ao seu objetivo original e mais honesto: juntar as pessoas, inspirá-las através da arte e da música. Celebrar. Apesar de pensar que sou privilegiado, sinto-me mais próximo do número 3.

 

Em 2010 fundou a sua própria editora discográfica, a Nwog Records, para ganhar, penso, controlo completo das suas decisões artísticas. Qual foi a necessidade que sentiu e quais têm sido as principais vantagens e riscos desta opção?

No passado, trabalhei com muitas editoras. Para ser honesto, nunca fiquei realmente satisfeito, porque havia muitas coisas que eu queria fazer de modo diferente, mas não havia vontade ou capacidade. Quando a Intuition (a última em que estive) despediu o seu gestor e outras pessoas e me ofereceu um péssimo contrato para o meu próximo disco, convenci uma dessas pessoas despedidas a ajudar-me a formar a minha própria editora. Tenho de dizer que esta foi uma boa decisão. Dá bastante trabalho, mas tenho várias pessoas a ajudar-me, em especial Imke Machura, que basicamente é quem gere a Nwog Records. Tenho muita liberdade, mas também muito mais responsabilidades. Se cometer um erro ou se um disco não corre bem não posso culpar alguém senão a mim próprio. A situação financeira também não é fácil. Mas no total está a correr bem.

 

É também um reconhecido professor, em especial no Conservatório de Lucerna. Quais são as mensagens centrais que tenta veicular aos seus alunos?

Presto atenção às pessoas que estou a ensinar. O que é que elas querem aprender? Qual é o seu objetivo e a sua personalidade? Claro que a tradição é importante: aprender a improvisar sobre peças, ter um forte sentido de ritmo, tocar bem o instrumento. Logo que eles dominem isto, estou aberto para quase tudo. Tento ajudá-los no seu caminho pessoal e no seu desenvolvimento musical. Motivo-os a fazerem o que acham que está certo e a tocarem o que quiserem. Assim, eles encontrarão as pessoas certas e tornar-se-ão (ou continuarão a ser) pessoas felizes.

 

O que podemos esperar de si nos tempos mais próximos?

No próximo ano os Root 70 comemoram o seu 20.º aniversário. Faremos duas digressões e estou a trabalhar agora numa caixa com todas as nossas gravações, uma coleção de fotografias da história do grupo (em estúdio, ao vivo e na estrada), todos os vídeos e documentários sobre o grupo e um volume de partituras.

 

Para saber mais

http://nilswogram.com