, 7 de Janeiro de 2021

João Madeira, um caso de resiliência

São muitos, felizmente, os casos de resiliência e resistência de músicos portugueses da área do jazz e da música improvisada no actual quadro pandémico. Os resultados do esforço de um deles – sempre em conjugação com outros, como é de regra neste circuito – para continuar o seu rumo vão ser sentidos já neste primeiro trimestre de 2021. O contrabaixista João Madeira prepara-se para lançar vários discos. O primeiro, com selo FMR, já no próximo dia 16 de Janeiro: um duo de contrabaixos com Hernâni Faustino que tem como título o próprio nome do projecto, “dB Duet”. Seguem-se duas edições digitais (Bandcamp). A 30 o primeiro álbum de Galmadrua, trio com Mário Rua e Paulo Galão, terminado de gravar na véspera da tragédia da Rua de Sta. Marta, Lisboa, em que Galão perdeu a sua casa e todos os seus pertences (incluindo clarinetes e saxofones) e se registou a morte de Gastão Reis, também ele músico. Já em Fevereiro, vez para outro trio de Madeira, este novamente com Rua na bateria e Luís Vicente no trompete.

Para Março estão marcados os lançamentos de um CD a solo de João Madeira (o concerto deste no O’culto da Ajuda, a 27 de Janeiro, antecipará a publicação) e de outro, em quarteto, o Quartet Exquis, registado em “diferido” (com cada instrumentista confinado em casa, com a mistura/montagem das partes individuais realizada depois em estúdio) com dois clarinetistas (Noel Taylor no baixo e AnnaMaria Ignarro no si bemol) e uma violoncelista, Helena Espvall. No propósito de Madeira estava «procurar os limites, as fronteiras, da dita “música contemporânea”». O álbum chamar-se-á “Da Multiplicidade do Vácuo” e é uma homenagem a Cruzeiro Seixas. Nesta série de edições virá ainda “Cinestesia”, disco da FMR que Madeira gravou com os italianos Carlo Mascolo (trombone) e Felice Furioso (bateria), este último a residir em Portugal desde o início da crise do Covid-19. A capa é uma pintura de Miguel Mira, o também violoncelista e arquitecto.