, 18 de Junho de 2020

Jazz no Parque faz-se este ano só com portugueses

Também o Jazz no Parque, de Serralves, Porto (vidé os casos equivalentes do Julho é de Jazz, em Braga, e do Jazz 2020, em Lisboa), vai ter este ano um programa totalmente dedicado ao jazz nacional, como forma de promover o retorno à actividade de uma comunidade de músicos que ficou parada durante os últimos quatro meses devido à epidemia do Covid-19. Como habitualmente no court de ténis dos jardins de Serralves, às 18h00 dos sábados de Julho, os concertos do ciclo programado por Rui Eduardo Paes acontecerão nos dias 4, 11 e 18.

A abertura faz-se a 4 com os GUME de Yaw Tembe (foto acima de Vera Marmelo), trompetista e compositor de origem suazi e nacionalidade portuguesa, que tem novo repertório a ser editado em disco brevemente. Trata-se de um ensemble de 12 elementos: um quinteto base com Francisco Menezes (saxofones, flauta), André David (guitarra), Pedro Monteiro (contrabaixo), Sebastião Bergmann (bateria) e David Menezes (percussão), para além do próprio Tembe, com o acrescento de um segundo saxofone, André Murraças, de um trio de cordas formado por Maria do Mar (violino), Gil Dionísio (violino) e Joana Guerra (violoncelo), de uma cantora (Leonor Arnaut) e da poeta e declamadora Raquel Lima. Inspirada na Afrological Perspective de George Lewis e com referências em dois Colemans, Steve e Ornette, bem como no afrobeat, a música dos GUME caracteriza-se pelo seu acentuado “groove” e pela relevância que nela tem a palavra dita ou cantada.

No dia 11 tocam os Bogus Pomp de Paulo Chagas, com um projecto encomendado por Serralves para o efeito, “The Deathless Horsie”. Com o multi-instrumentista de Peniche e um dos responsáveis do MIA – Encontro de Música Improvisada de Atouguia da Baleia estarão Fernando Simões (trombone), Nuno Rebelo (guitarra), João Madeira (contrabaixo) e Mário Rua (bateria). Segundo a descrição do próprio Chagas, «o jazz é o centro de atracção e ao mesmo tempo de fuga», numa composição para improvisadores que entra, por vezes, nos domínios da rock, e não só (o líder tem formação clássica em oboé).

O fecho faz-se a 18 com a novíssima geração do jazz português, representada pelos Cíntia de Simão Bárcia (guitarra, electrónica), Tom Maciel (teclados) e Ricardo Oliveira (bateria), também eles com disco quase a sair. Entre uma abordagem lounge muito leve e uma ocasional intensidade punk, o trio absorve elementos do funk, do hip-hop, do rock e da pop numa moldura jazz, surpreendendo como músicos tão jovens tocam uma música tão madura e rica de personalidade. E como não poderia deixar de ser no actual contexto, o Jazz no Parque terá este ano as condicionantes do distanciamento (espaçamento entre cadeiras)…