, 4 de Maio de 2020

Hot News homenageia Manuel Jorge Veloso

O mais recente número do boletim informativo do Hot Clube de Portugal – Hot News – disponibilizado a 30 de abril, data em que se assinala o Dia Internacional do Jazz, é dedicado a Manuel Jorge Veloso (MJV), baterista (e violinista), compositor, produtor, crítico e divulgador de jazz, falecido a 13 de novembro de 2019. Tal como os anteriores, este número do boletim Hot News está disponível gratuitamente em hcp.pt.

Para além de um editorial da presidente da direção do Hot, Inês Homem Cunha (que recorda que quatro dias após a morte de Veloso, num concerto realizado em Berlim, em dueto com o pianista Gerald Clayton, Charles Lloyd lhe dedicou um “requiem”), este número inclui um artigo do próprio MJV, intitulado «Da Arte da “Improvisação” no Jazz», publicado originalmente no sítio Abril Abril, a 13 de agosto de 2016, inspirado pela audição do disco “The Transformer”, de Thelonious Monk.

António Curvelo, também crítico e divulgador de jazz e amigo próximo de Veloso (os dois promoveram a iniciativa pioneira “Histórias de Jazz em Portugal”, entre janeiro de 2014 e maio de 2015), assina o sentido artigo “Até amanhã, camarada!”, que conclui deste modo: «Espelho exemplar da sua fina ironia, quantas vezes não o ouvimos despedir-se – num abraço de amizade e ternura só dispensado àqueles com quem havia construído uma forte empatia – com um caloroso “sempre a considerá-lo!”».

Pedro Guedes, músico e diretor da Orquestra Jazz de Matosinhos (que levou a cabo com Veloso o projeto musical “Uma Viagem pelos Tempos do Jazz – Big-Bands do Ballroom à Sala de Concerto”),  escreve no artigo “Manuel Jorge Veloso: Uma voz singular que se perde; irreparável” que «como um mestre perante os aprendizes, neste ciclo de concertos que fizemos, indicou-nos o caminho, selecionou o que era fundamental tocar e ouvir, deu-nos as versões originais para ouvirmos, que tentámos reproduzir fidedignamente.»

Em “Quarteto do Hot Clube de Portugal, Manuel Jorge Veloso & outras memórias” é recolhido o testemunho de Bernardo Moreira (Binau), seu companheiro musical de longa data, a propósito dos tempos que antecederam o nascimento do lendário Quarteto do Hot Clube de Portugal (primeira formação a representar o jazz nacional no estrangeiro, no Festival Comblain-la-Tour, Bélgica, 1963), dos seus bastidores e das portas que, com ele, se abriram para o futuro do jazz em Portugal.

Nascido em Lisboa a 21 de maio de 1937, Manuel Jorge Souto de Sousa Veloso foi um dos protagonistas da chamada primeira geração de músicos “amadores-profissionais” e o primeiro a compor música de jazz para cinema (entre outros, e notavelmente, “Belarmino” (1964), de Fernando Lopes).

Nota pessoal: Manuel Jorge Veloso continua a ser uma absoluta referência. Poucos como ele me ensinaram tanto, ao longo dos anos. A escuta assídua do seu incontornável “Um Toque de Jazz” e a leitura dos seus escritos publicados no Diário de Notícias (que ainda guardo) – mais tarde também na internet, nomeadamente no blogue O Sítio do Jazz – foram decisivas para mim. Muitos foram os concertos e festivais onde nos cruzámos. O que também aconteceu em conferências, como “Dois Injustos Esquecidos do Jazz Moderno (Lennie Tristano e Eric Dolphy)” que em 2005 apresentou na Culturgest; ou no ciclo “Histórias de Jazz em Portugal”, cuja organização detalhada e inovadora partilhou com outro bom amigo, António Curvelo. Mais tarde, e testemunhado o rigor, mas também a boa disposição, que em tudo colocava, viria a ter a honra de com ele colaborar no sítio Jazz 6/4, com Leonel Santos, Paulo Barbosa, Raul Vaz Bernardo e Rui Duarte. Saudades, Manuel! (António Branco)