, 1 de Outubro de 2019

Seixal Jazz: Marca Vinte

Vinte anos depois, já é dado assente que o Seixal Jazz marca a “rentrée” jazz de cada ano – no continente, porque nos Açores acontece também, por esta altura, o Angra Jazz. Pois ei-lo de volta, com “Marca Vinte” como subtítulo, porque de uma edição de aniversário se trata, distribuída por dois fins-de-semana, o de 17 a 19 de Outubro e o de 23 a 26. Os concertos decorrerão, como habitualmente, entre o auditório do Fórum Cultural do Seixal e o Armazém 56 da Mundet, onde estará instalado o Seixal Jazz Clube.

Kenny Barron toca com honras de abertura no dia 17, à frente do seu trio com Kiyoshi Kitagawa e Savannah Harris, contrabaixista e baterista respectivamente. Um trio de piano jazz que se distingue pelo seu lirismo e pela elegância das interpretações, com a inigualável marca do seu líder. Logo de seguida, uns metros adiante, terá lugar o primeiro de dois concertos com selo Cena Jovem Jazz.pt, o do Fragoso Quinteto. O grupo é o mesmo que inaugurou o concurso promovido pelo Jazz ao Centro Clube e pela jazz.pt, mas com a substituição do saxofonista original do projecto, Albert Cirera (hoje a residir em Copenhaga), por Mateja Dolsak. O contrabaixista e compositor João Fragoso mantém consigo o trompetista João Almeida, o guitarrista João Carreiro e o baterista Miguel Rodrigues, cúmplices de uma música que tem raízes no período de ouro da Blue Note, mas vai muito mais além.

A 18, vez para o César Cardoso Quartet, com o saxofone tenor do seu protagonista a fazer-se acompanhar pela guitarra de Bruno Santos, o contrabaixo de Demian Cabaud e a bateria de André Sousa Machado. A prestação surge na sequência do sucesso obtido pelo álbum “Interchange”, que teve a participação especial de Miguel Zenón. A noite termina no Clube com o Daniel Neto Quinteto, na primeira de duas sessões (repete a 19). Com o guitarrista estarão Ricardo Ribeiro no clarinete, Paulo Santo no vibrafone, André Rosinha no contrabaixo e Miguel Moreira na bateria. Mais uma escolha a dedo do melhor que tem surgido no jazz nacional.

No dia 19 de Outubro, vez para o Peter Bernstein Quartet. Com o discípulo de Jim Hall que tocou com históricos do jazz como Sonny Rollins, Bobby Hutcherson, George Coleman e Lee Konitz teremos alguns notáveis da actualidade: Sullivan Fortner ao piano, Doug Weiss no contrabaixo e Leon Parker na bateria.

Após uns dias de descanso, o festival é retomado a 23 com um solo do muito celebrado Ralph Towner (foto acima), em guitarras de seis e 12 cordas. Quem conhece os seus discos na ECM, ou o que fez com a banda Oregon, sabe o que pode esperar. Numa linha de requinte musical igualmente intimista, actua depois o Miguel Rodrigues Trio, escolha do júri da Cena Jovem Jazz.pt. Ao baterista e compositor juntam-se o jovem (e brilhante) pianista José Diogo Martins e um veterano da cena portuguesa do jazz, Demian Cabaud.

O Wojtek Mazolewski Quintet sobe ao palco no dia 24, em representação de um circuito do jazz europeu que por cá ainda pouco conhecemos, o polaco. A música do contrabaixista com Oskar Torok (trompete), Marek Pospieszalski (saxofone tenor), Joanna Duda (piano) e Qba Janicki (bateria) segue as premissas dos maiores inovadores das décadas de 1960 e 70, designadamente Miles Davis, Eric Dolphy, Albert Ayler e Ornette Coleman. Na Mundet, os trabalhos estarão depois entregues ao Trio NOA de Nuno Costa (guitarra), Óscar Marcelino da Graça (piano) e André Sousa Machado, este em mais uma contribuição para o cartaz do Seixal Jazz.

Ricardo Toscano apresenta-se a 25 num contexto diferente do que lhe é habitual, um trio em que encontramos o contrabaixista Géraud Portal e o baterista Ali Jackson. Dois improvisadores que, como o português, pegam na tradição e convertem-na em inventividade. O serão termina com o Indra Trio de Luís Barrigas (piano), João Custódio (contrabaixo) e Jorge Moniz (bateria), outro exemplo do bom nível de criatividade no jazz nacional.

O fecho chega, a 26 de Outubro, com a Monk’estra de John Beasley, dedicada, como o nome indica, à reinterpretação do espólio escrito de Thelonious Monk. O pianista conduzirá uma formação em que encontramos os sopros de Magnus Lindgren (saxofone tenor), Joris Roelofs (clarinete), James Ford (trompete) e Francisco Torres (trombone), o baixo eléctrico de Ben Shepherd e a bateria de Gene Coye. O adeus da 20ª edição do Seixal Jazz faz-se com o Jeffery Davis Quinteto. O vibrafonista de origem canadiana residente no Porto e os seus parceiros, designadamente José Soares (saxofone alto), o repetente Óscar Graça, Francisco Brito (contrabaixo) e Marcos Cavaleiro (bateria), terão como mote o repertório do seu novo disco, “For Mad People Only”.

O programa do festival de jazz do Seixal completa-se com duas intervenções de José Duarte sob a designação Ouver Jazz. Na Oficina de Artes Manuel Cargaleiro (Quinta da Fidalga, na Arentela), terá como temas o nascimento (anos 1930 e 40) do jazz moderno no Kansas (19 de Outubro) e a Vintage Collection do período compreendido entre 1958 e 1961 (26 de Outubro). A 26, o Isabel Rato Quinteto fará um concerto comentado para as escolas locais. A pianista e compositora terá consigo João David Almeida (voz), João Capinha (saxofones soprano, alto e tenor), João Custódio e Alexandre Alves (bateria).