, 16 de Agosto de 2019

Gileno Santana no FONT 2019

O trompetista luso-brasileiro Gileno Santana (n. 1988) irá participar, a convite de Dave Douglas, no encerramento da edição deste ano do FONT – Festival of New Trumpet Music, que se realiza em Nova Iorque entre 3 e 12 do próximo mês de setembro. Gileno apresentar-se-á no derradeiro dia do festival (às 20h locais), no Conservatório de Brooklyn, e será acompanhado pelo contrabaixista Philip Norris e pelo baterista Dominick “Domo” Branch.

Iniciativa sem fins lucrativos dirigida por e para uma comunidade de trompetistas, o FONT é uma importante montra para intérpretes deste instrumento e nele se apresentam não apenas nomes consagrados como outros em ascensão no panorama internacional. O festival abrange diversos géneros, incluindo jazz, música erudita, balcânica, latina, música eletrónica e experimental, assim como eventos de cariz educacional.

Baiano de nascimento, Gileno mudou-se para Portugal com apenas 18 anos, tendo desde então desenvolvido um interessante percurso do lado de cá do Atlântico, avultando o facto de, desde 2008, ser membro e primeiro trompete da Orquestra Jazz de Matosinhos, com a qual já gravou três discos. Neste âmbito colaborou com gente distinta como Lee Konitz, Carla Bley, Michael Mantler, Maria Schneider, Steve Swallow, Kurt Rosenwinkel, Jim McNeely, Chris Cheek, Mark Turner, Ohad Talmor, Andy Sheppard, Joshua Redman e João Paulo Esteves da Silva, entre muitos outros. Foi convidado pela Orquestra Sinfónica da Casa da Música para acompanhar o cantor Gregory Porter em 2015 e 2017.

Também tem desenvolvido diversos projetos em nome próprio. Com o GS Quartet gravou em 2010 o seu primeiro álbum, intitulado “Início”, no qual contou com as participações de Hermeto Pascoal, Hamilton de Holanda e Mário Santos. Quatro anos volvidos ofereceu-nos o notável “Metamorphosis”, com selo da italiana Caligola Records. Em 2016 foi a vez de lançar “Inevitável”, resultado de um projeto em parceria com o guitarrista, também brasileiro, Tuniko Goulart, focando-se na exploração da música popular brasileira, do choro ao samba. No ano seguinte apresentou o single “Ciranda”, aliando esforços à acordeonista Inês Vaz. Com o saxofonista, clarinetista e flautista suíço Florian Egli mantém o Egli-Santana Group.

A sua atividade enquanto trompetista, compositor e arranjador estende-se em diversos domínios, da música clássica à pop, tendo neste último sido responsável por arranjos de sopros para os Comité Caviar de Pedro Abrunhosa e para os Expensive Soul. Como docente é frequentemente convidado para ministrar “workshops” e “masterclasses” um pouco por todo o mundo. Atualmente é professor da disciplina de Trompete Jazz no Conservatório de Música do Porto. Para saber mais, consulte fontmusic.org. (António Branco)