, 28 de Maio de 2019

Guarda em jazzes

Em Julho vai voltar a ouvir-se jazz na Guarda. Ou “jazzes”, pois são de orientação muito diversa as propostas feitas pelo Guarda in Jazz, a realizar-se entre 29 de Junho e 13 de Julho no Teatro Municipal da Guarda. A abertura faz-se a 29 de modo nada habitual, porque em formato de dança. Actua o Quorum Ballet, com uma coreografia de Daniel Cardoso sobre músicas de figuras de históricos do jazz como Duke Ellington, Max Roach ou Billie Holiday, a estes se juntando canções de géneros limítrofes assinadas por James Brown e Ray Charles, entre outros.

Os concertos iniciam-se no dia 2 de Julho com o grupo vocal feminino Jogo de Damas, formado por Barbara Francke, Fátima Serro, Sameiro Sequeira e Gabriela Braga Simões. Quando não estiverem a cantar a capella um repertório baseado em “standards”, temas de bossa nova e outros convertidos da pop terão o acompanhamento instrumental de Paulo Gomes em piano, Miguel Ângelo no contrabaixo e Acácio Salero na bateria. No dia seguinte vez para os muito diferentes Albatre de Gonçalo Almeida, numa associação do baixista sediado em Roterdão com o saxofonista alto Hugo Costa e o baterista Philipp Ernsting. A música parte da herança do jazz-rock e do prog para aterrar em pleno doom metal.

No dia 5 toca o Quarteto Solaris, numa fórmula de jazz latino que incide, sobretudo, na música do Brasil. João Vaz Pinto (saxofone alto), Aurélien Vieira Lino (piano), Pedro Teixeira (contrabaixo) e João Sousa (bateria) são os músicos em presença. Maria Anadon apresenta-se a 6, esperando-se que os músicos que com ela subam ao palco sejam os habituais do seu quarteto, designadamente Victor Zamora ao piano, Carlos Barretto no contrabaixo e Marcelo Araújo na bateria. Não surpreenderá se no alinhamento do concerto aparecerem melodias de José Afonso: a cantora vem dando uma especial atenção ao espólio do grande nome da música popular portuguesa.

The Rite of Trio chega à Guarda a 9 de Julho, numa paragem mais desta formação em que desponta o baterista Pedro Melo Alves, vindo directamente da apresentação do seu novo projecto in igma no Porto, em Coimbra e em Lisboa e da gravação de um disco com Carlos “Zíngaro” e Abdul Moimême. Com André Bastos Silva na guitarra eléctrica e Filipe Louro no contrabaixo estará em apresentação um jazz «bem longe do romantismo de lareira» no qual o rock se faz sentir. Segue-se, a 10, o José Valente Trio. Ao lado do violetista que recentemente lançou “Serpente Infinita” estarão João Grilo nos sintetizadores e Luís Bittencourt em percussão e electrónica.

Para o dia 12 está marcada a prestação do Carlos Martins Quinteto, supergrupo em que o saxofonista tenor (foto acima) tem a companhia de João Paulo Esteves da Silva (piano), Mário Delgado (guitarra), Carlos Barretto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), numa reposição de “Sempre”, disco de há 20 anos que fez uma «nova leitura da música de intervenção portuguesa». O fecho do Guarda in Jazz faz-se com o híbrido de jazz, MPB e música erudita da dupla brasileira formada por João Ventura (piano, voz) e Rogério Pitomba (bateria). Pelo meio há ainda lugar para uma conferência de José Duarte (6 de Julho), um filme, “Wild Man Blues: Um Retrato de Woody Allen” (11 de Julho), e uma exposição, “40 Anos de Cartazes de Jazz em Espanha” (a partir de dia 2, até 22).