, 17 de Abril de 2019

Portal, Kimbrough e Zenón vêm ao Angrajazz

O festival Angrajazz vai levar a Angra do Heroísmo uma selecção de músicos de diferentes gerações e estéticas. Para a sua 21º edição, o festival açoriano volta aos moldes habituais, apresentando um total de seis concertos distribuídos ao longo de três noites, de 3 a 5 de Outubro, sempre com o Centro Cultural e de Congressos como palco. O programa reúne nomes grandes da cena internacional, além de um projecto dos mais talentosos saxofonistas nacionais.

O arranque faz-se a 3 de Outubro, quinta-feira, com a habitual actuação da Orquestra Angrajazz. Para este concerto a “big band” convida Carlos Azevedo, pianista e co-director da Orquestra Jazz de Matosinhos. Sob a direcção dos maestros Pedro Moreira e Claus Nymark, o repertório a interpretar será constituído por composições originais de Azevedo. Depois da apresentação do segundo disco da orquestra, editado no ano passado, ficamos na expectativa do que aí vem.

Após intervalo, sobe ao palco um grupo jovem que conta com a participação de um convidado veterano. O saxofonista francês Emile Parisien apresenta-se com o Quintet Sfumato, formação que pratica um jazz criativo e integra o baterista português Mário Costa – as colaborações entre ambos remontam ao grupo de Hugo Carvalhais que gravou “Partícula”. Além de Parisien (saxofones soprano e tenor) e Costa (que editou no ano passado o excelente “Oxy Patina”), tocarão Roberto Negro (piano), Manu Codjia (guitarra) e Simon Tailleu (contrabaixo). Com eles estará um músico lendário do jazz europeu, Michel Portal (clarinete baixo – foto acima de Francis Vernet).

O segundo dia de festival começa com os AXES de João Mortágua. O saxofonista natural de Estarreja tem sido uma das forças criativas do presente jazz nacional, em parcerias com nomes como Bruno Pernadas, Alexandre Coelho ou Nelson Cascais e encontramo-lo num novo trio com Carlos Bica e André Santos. Os AXES distinguem-se pela sua instrumentação original, constituída por uma frente de quatro saxofones e pelo suporte de duas baterias, resultando numa música intensa. Neste grupo Mortágua (saxofones alto e soprano) terá a companhia de José Soares (sax alto), Hugo Ciríaco (sax tenor), Rui Teixeira (sax barítono), Alex Lázaro (bateria) e Pedro Vasconcelos (bateria).

A noite de dia 4 completa-se com uma prestação do quarteto de Frank Kimbrough. O pianista americano terá consigo o saxofonista Scott Robinson, o contrabaixista Rufus Reid e o baterista Billy Drummond. Com uma carreira vasta, Kimbrough foi fundador e compositor residente do Jazz Composers Collective (1992-2005) e fundador do Herbie Nichols Project, que esteve no Angrajazz 2004. Para este concerto o quarteto de Kimbrough traz na bagagem o megalómano “Monk’s Dreams”, uma revisitação da música intemporal de Thelonious Monk numa “box-set” de seis discos. A expectativa é bem alta.

O último dia do Angrajazz de 2019 chega com a Allan Harris Band. O festival da Ilha Terceira tem sedimentado a tradição de apresentar alguma proposta de jazz vocal, desta vez recaindo a escolha numa voz masculina. Com o cantor, compositor e guitarrista americano virão Arcoiris Sandoval (piano), Nimrod Speaks (contrabaixo) e Shirazette Tinnin (bateria). O seu mais recente trabalho é uma homenagem ao cantor Nat “King” Cole e o concerto no Angrajazz deverá ter esse disco como bússola.

O festival encerra com o porto-riquenho Miguel Zenón. O saxofonista é um dos mais virtuosos instrumentistas da cena internacional, tendo recentemente participado como convidado no disco “Interchange” do português César Cardoso. O saxofone alto de Zenón terá a companhia do piano de Luis Perdomo, do contrabaixo de Hans Glawischnig e da bateria de Henry Cole. Com este quarteto o evento atlântico promete fechar com chave de ouro. (Nuno Catarino)