, 21 de Março de 2019

Maio vai ser em Portalegre

Está anunciado o cartaz para a 16ª edição do Portalegre JazzFest, a realizar-se de 2 a 4 de Maio no Centro de Artes do Espectáculo daquela cidade alentejana. A abertura acontece a solo, no dia 2, com o norte-americano Marc Ribot (foto acima, de Barbara Rigon), um formato que não lhe é estranho (conta com sete discos sem acompanhamento). O repertório será de um dos mais recentes, “Silent Movies”, e como o próprio título indica compreenderá as bandas-sonoras que criou para uma série de filmes mudos, uns dos primórdios do cinema, como “O Garoto de Charlot”, e outros de índole experimental, a exemplo das curtas-metragens de Jennifer Reeves.

A 3 apresenta-se o Hedvig Mollestad Trio, com a guitarrista líder a fazer-se acompanhar pelo baixo de Trond Frones e a bateria de Ivar Loe Bjornstad. Trata-se de um “power trio” que tem tanto da tradição do prog de uns King Crimson e do rock pesadão dos Black Sabbath e dos Stooges de Iggy Pop quanto do free jazz de Ornette Coleman e Albert Ayler. O grupo norueguês é conhecido pelos concertos com uma única longa improvisação em jeito de “jamming”, com motivos temáticos a surgirem quando menos esperamos.

Se são duas as mulheres da banda de Mollestad, as Hearth fazem o pleno. Trata-se de um novo projecto cooperativo em que à portuguesa, radicada na Suécia, Susana Santos Silva (trompete) se juntam as saxofonistas Ada Rave (tenor, da Argentina) e Mette Rasmussen (alto, da Dinamarca) e a pianista eslovena Kaja Draksler. A música a apresentar pelas Hearth (um neologismo que compreende as palavras Earth – Terra – e Heart – Coração) vai de um paisagismo sereno e sonhador a intempestivas explosões sonoras. Tocam a 4, seguindo-se na mesma noite outra nova formação, a do contrabaixista luso Carlos Bica com os alemães Daniel Erdmann (saxofones tenor e soprano) e DJ Illvibe (gira-discos), numa abordagem ao jazz que é tão elegante e melódica quanto estranha e impossível de categorizar segundo as tendências estabelecidas, pouco tendo que ver com as formações em que habitualmente encontramos estes músicos, como Azul, Das Kapital ou Lok 03.

E há mais: as “after hours” dos dias 2 e 3 estarão entregues aos Sudoku Killer da contrabaixista e compositora italiana Caterina Palazzi, acompanhada por Sergio Pomante (saxofone tenor), Giacomo Ancillotto (guitarra eléctrica) e Maurizio Chiavaro (bateria). Entre o jazz criativo e o pós-rock, a banda caracteriza-se pelas atmosferas negras e imersivas em que nos vai metendo e que ilustram bem a boa música que se está a fazer agora no país da bota. Em Maio, todos os caminhos vão dar ao Sul…