, 28 de Janeiro de 2019

Irreversible Entanglements: jazz de protesto em Portugal

Com os Irreversible Entanglements o jazz volta a ser uma música de causas, o que só podia acontecer no actual contexto político vivido nos Estados Unidos. Pois ei-los que vêm fazer uma pequena digressão em Portugal, e precisamente num momento em que o racismo revela por cá a sua verdadeira face, inclusive por parte das forças policiais. Este grupo estreado em 2015 no contexto da manifestação organizada pelo Musicians Against Police Brutality, após o assassinato de Akai Gurley pela Polícia de Nova Iorque, vai tocar a 4 de Fevereiro no Salão Brazil, em Coimbra, tem concerto marcado para a ZDB, em Lisboa, no dia seguinte, e a 6 apresenta-se no gnration, em Braga.

A voz é de Camae Ayewa, poeta que sob o nome artístico de Moor Mother já se apresentou na ZDB, e com ela estarão Keir Neuringer em saxofone alto, Aquiles Navarro em trompete, Luke Stewart no contrabaixo e Tcheser Holmes na bateria. A tradição abraçada pelo quinteto é a do free jazz político das décadas de 1960 e 70, numa retoma dos princípios do Black Power e do Black is Beautiful, com os textos interventivos e de protesto de Ayewa a pronunciarem as opções estéticas do projecto e a trazerem-nas para os nossos dias. A formação junta duas que se apresentaram nas acções de há quatro anos: o trio então formado por Ayewa, Neuringer e Stewart e o duo de Navarro e Holmes. A gravação do disco homónimo com todos os cinco foi realizada logo de seguida num estúdio de Brooklyn e lançada por uma editora de Chicago, a International Anthem. Desde então que o grupo não pára de difundir a sua mensagem emancipatória e de protesto – agora, é a nossa vez de a ouvir.