, 20 de Agosto de 2018

Seixal Jazz traz Carla Bley de volta

Agosto não paralisa o País e a prova é que acaba de sair a informação sobre a próxima edição, a 19ª, do Seixal Jazz. Vai ser em Outubro e as propostas são variadas, com um foco inicial na bateria. O fim - sentido - das “after-hours” na Mundet, um dos melhores bares da Grande Lisboa, é a má notícia deste ano. Outra é a mudança na personalidade do certame seixalense, que está agora mais conservador e aposta em músicos desconhecidos. De elogiar a manutenção dos concertos de músicos portugueses em dias nobres da programação. Os destaques vão para o Carla Bley Trio a 27 de Outubro, os RootMagic no dia 25 e o grupo de João Hasselberg e Pedro Branco a 26.

Para a abertura, no dia 18 de Outubro, quinta-feira, o palco estará entregue a Mark Guiliana, um baterista em ascensão na cidade de Nova Iorque, que vem com o quarteto do seu último disco, «Jersey» (2017), e um jazz bem-comportado e conservatorial de qualidade que nos permitirá entrarmos no “Seixal mood”. A 19 toca Transporte Colectivo, quinteto do português José Salgueiro que recentemente se deu a conhecer com aquele que é, também, o primeiro disco como líder no campo do jazz (os Tim Tim por Tim Tum tocam outras músicas) do baterista e percussionista membro dos Lokomotiv de Carlos Barretto que já pertenceu a muitos outros projectos com Maria João, Mário Laginha, Carlos Bica, Bernardo Sassetti e José Peixoto.

A bordo estarão João Paulo Esteves da Silva (piano), Guto Lucena (saxofone tenor e clarinete baixo), Cícero Lee (contrabaixo) e Mário Delgado (guitarra). Será uma noite de fácil audição, com muito ritmo e boas baladas. O trio do pianista Aaron Parks fecha a primeira semana de concertos, com uma música mais serena e contemplativa. Ao Seixal Jazz traz os músicos com quem gravou o seu último disco na ECM («Find the Way», 2017): Ben Street (contrabaixo) e Billy Hart (bateria).

A segunda semana do festival começa na quarta-feira (24) com um de trio do jovem saxofonista polaco Kuba Więcek. O músico está bem apetrechado tecnicamente, mas propõe uma música ainda muito referenciada nos clássicos. Da Polónia viajaremos na quinta para Itália com os Roots Magic, que têm um disco lançado pela portuguesa Clean Feed. O grupo romano trabalha a partir dos blues do Delta (Charley Patton, Blind Willie Johnson, Robert Johnson), misturando-o com as explorações do jazz activista negro (Julius Hemphill, John Carter, Marion Brown, Sun Ra, Roscoe Mitchell), num equilíbrio muito particular da grande tradição afro-americana e da improvisação experimental, se bem que com um flanar italiano.

Na sexta-feira regressa a música portuguesa com o contrabaixista João Hasselberg e o guitarrista Pedro Branco, por meio de canções que misturam os universos da pop e do jazz, sempre com sentido paisagista e uma placidez própria de fim da tarde. Este é um grupo que ficaria perfeito com vista para o rio, na Mundet (não me conformo...). Acompanham-nos Afonso Cabral na voz (You Can’t Win Charlie Brown), Afonso Pais na guitarra e João Lencastre na bateria. Para o fecho, o Seixal Jazz fará regressar Carla Bley a Portugal para um concerto em trio com o saxofonista Andy Sheppard e o baixista Steve Swallow. A pianista já veio várias vezes ao nosso país (e ainda bem), a última em 2016, para apresentar o seu mais recente disco, então recém-lançado pela ECM, e para além do Seixal irá a Coimbra.

Os concertos começam sempre às 22 horas e os bilhetes estarão à venda a partir de Setembro. 

 

Adenda: Boas novidades: Armazém 56

Estávamos aqui a lamentarmo-nos quanto ao desaparecimento dos "after-hours" do Seixal Jazz quando a organização nos surpreendeu com uma excelente notícia: foi acordada a colaboração com um novo espaço, que também nasce dos restos mortais da corticeira Mundet: o novo Armazém 56. Em 2001 conhecemos os antigos refeitórios da emblemática fábrica seixalense, depois veio o Bar Mundet e agora passamos para o novo “Armazém 56”.

O novo espaço terá uma programação paralela ao festival, com quatro formações nacionais e entrada livre (concertos a partir das 23h00, normalmente coincidindo com o fim dos concertos no auditório). O local fica perto: é só descer a rampa. Tem serviço de bar e espaço para arejar ainda mais a carteira e comprar discos. Menos interessante é a a programação, que alinha regra geral pela bitola tradicionalista, sem propor novidades ou inesperados: nos dias 18 e 24, Mano a Mano (Bruno Santos e André Santos nas guitarras), 19 e 20 o Desidério Lázaro Quarteto ( Desidério Lázaro, João Firmino, António Quintino e Joel Silva), dias 25 e 26 o Ricardo Pinto Quinteto (Ricardo Pinto, André Rosinha, Ricardo Toscano, Óscar Graça, Luís Candeias) e, por fim, no dia 27, o André Rosinha Quinteto (André Rosinha, João Barradas, Eduardo Cardinho, Bruno Pedroso, Albert Cirera e Alexandre Alves). (Gonçalo Falcão)