, 23 de Março de 2018

Jazz em Agosto dedica edição especial a John Zorn

Está anunciado o programa da 35ª edição do Jazz em Agosto, a ter lugar, este ano, em vários espaços da Fundação Calouste Gulbenkian: Anfiteatro ao Ar Livre, Grande Auditório, Auditório 2 e Sala Polivalente do Museu de Arte Moderna. John Zorn é o mote e a figura tutelar do festival que se realizará entre os próximos dias 27 de Julho e 5 de Agosto: ouvi-lo-emos em três dos concertos e nos restantes as formações convidadas ou interpretarão a sua música ou têm por comum característica a influência que vem de alguma maneira deixando. O que explica o título escolhido para o cartaz: John Zorn Special Edition.

O arranque faz-se, a 27, com um supertrio na zona de fronteira entre o free jazz e o free rock que, além de Zorn, conta com as participações de Thurston Moore, ex-Sonic Youth, e Milford Graves. O mesmo John Zorn voltará a surgir em palco na segunda parte da “double bill” do dia seguinte, à frente dos seus Masada, com o elenco original de Dave Douglas, Greg Cohen e Joey Baron, desta feita para tocar um hard bop com as escalas judaicas do klezmer. A sua terceira intervenção será a 29 de Julho a tocar órgão de tubos e não o seu habitual saxofone alto, com a electrónica de Ikue Mori em conjugação, naquela que será a estreia absoluta em Portugal do projecto “The Hermetic Organ”.

Na primeira metade do serão de 28 de Julho o Mary Halvorson Quartet, com Miles Okazaki na segunda guitarra, Drew Gress no baixo eléctrico e Tomas Fujiwara na bateria, farão a sua leitura de uma das mais renomadas composições de grande fôlego assinadas por John Zorn, “The Book of Angels”. Outra, o ciclo de canções para voz e piano “Jumalatteret”, estará entregue ao duo formado por Barbara Hannigan e Stephen Gosling, com intervenção no final da tarde de dia 29. A 30 de Julho, as “Bagatelles” zornianas serão tocadas pelo Nova Quartet de John Medeski (piano), Kenny Wollesen (vibrafone), Trevor Dunn (contrabaixo, baixo eléctrico) e Joey Baron (bateria) e, logo de seguida, pelos Asmodeus do guitarrista Marc Ribot com Dunn novamente e Kenny Grohowski na bateria. No dia 31, voltam Medeski e Grohowski, desta feita para um trio de órgão Hammond completado pela guitarra de Matt Hollenberg, a fim de tocarem as partituras de “Simulacrum”, numa viagem que irá dos blues ao noise.

A 1 de Agosto, pela tardinha, será a vez de Robert Dick interpretar peças de Zorn para flauta contrabaixo. À noite, mais uma dupla actuação dedicada ao “Book of Bagatelles”, com o Kris Davis Quartet, juntando-se Halvorson, Gress e Wollesen à pianista, e depois com o John Medeski Trio, o líder em Hammond coadjuvado pelo guitarrista David Fiuczynski e pelo baterista Calvin Weston. No dia 3, à tarde, vez para o quarteto de guitarras Dither (James Moore, Taylor Levine, Josh Lopes, Gyan Riley), com as “Game Pieces” de John Zorn. Para a noite fica “Insurrection”, com Julian Lage e a sua guitarra a somarem-se a três repetentes no festival, Hollenberg, Dunn e Grohowski.

Os Trigger de Will Greene (guitarra), Simon Hanes (baixo) e Aaron Edgcomb (bateria) aparecem ao entardecer de dia 4 com as pautas de “Apparitions” e mais algumas “Bagatelles”. Outras da série ficam para a noite, com um solo de Craig Taborn ao piano e uma prestação do Brian Marsella Trio, formado pelo pianista com Dunn e Wollesen. A última jornada do Jazz em Agosto deste ano, a 5, começa com o duo de guitarras (acústicas, desta vez) de Lage e Riley, para mais música de Zorn. Depois do jantar, o grupo de rock experimental liderado pelo guitarrista Trey Spruance, Secret Chiefs 3, intervém para interpretar algum do repertório dos Masada. Eyving Kang (violino), Matt Lebofsky (teclados), Jason Schimmel (guitarra), Shanir Blumenkranz (contrabaixo, baixo eléctrico), Grohowski e Ches Smith (percussões várias) são os oficiantes.

A parte do cartaz reservada para os projectos de inspiração zorniana inicia-se a 30 de Julho com um concerto à tarde do português The Rite of Trio, grupo de metal-jazz constituído por André Bastos Silva (guitarra), Filipe Louro (contrabaixo) e Pedro Melo Alves (bateria). No dia seguinte, pela mesma hora, poderemos assistir a um concerto com filme protagonizado por Ikue Mori, “Pomegranate Seeds”. A 2 de Agosto, mais um fim de dia nacional, com os Slow is Possible de João Clemente, Bruno Figueira, André Pontífice, Nuno Santos Dias, Ricardo Sousa e Duarte Fonseca a lançarem pontes entre o jazz, o rock, a música clássica e as típicas atmosferas das bandas-sonoras para cinema. À noite, apresenta-se o Highsmith Trio, projecto de Mori com Taborn e um baterista bem conhecido dos portugueses, Jim Black.

O Jazz em Agosto inclui ainda uma boa selecção de filmes. “John Zorn (2016-2018)”, de Mathieu Amalric, é projectado a 29 de Julho. “Bhima Swarga”, de Ikue Mori, será visto a 2 de Agosto. “John Zorn’s The Book of Heads – 35 Etudes for Solo Guitar Performed by James Moore”, de Stephen Taylor, está agendado para dia 3. “Celestial Subway Lines / Salvaging Noise”, de Ken Davis, e “Between Science and Garbage”, de Pierre Hérbert, seguem-se a 4 e 5 de Agosto, respectivamente.