, 9 de Março de 2018

Portalegre Jazzfest traz Frisell e Morgan em Abril

Com a sua 15ª edição concentrada num único fim-de-semana, o de 26 a 28 de Abril próximo, acaba de ser anunciado o programa do Portalegre Jazzfest de 2018, com o duo muito introspectivo e marcado pelas ambiências da folk do álbum “Small Town” – um dos que marcaram a oferta discográfica do ano que passou – como cabeça-de-cartaz, juntando a guitarra de Bill Frisell e o contrabaixo de Thomas Morgan (foto acima por Bill Thomas). Os dois celebrados músicos dos Estados Unidos apresentar-se-ão no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre a 27 de Abril, culminando outras boas propostas.

A abertura faz-se no dia 26 com uma das versões do projecto Angles de Martin Kuchen, o Angles 3, depois de uma digressão americana e de terem gravado na SMUP (linha de Cascais) o disco “Parede”. Com o líder saxofonista estarão, de novo, Ingebrigt Haker Flaten no contrabaixo e Kjell Nordeson na bateria, esperando-se uma música particularmente intensa, por vezes parecendo utilizar mais a energia do rock do que a da estética free jazz com que alinha, mas com relevo para a melodia e ocasionais referências às tradições da Escandinávia e de África.

O último dia do festival é inteiramente português, reunindo duas das formações que mais se têm destacado no panorama português dos últimos anos, o Ricardo Toscano Quarteto e os Slow is Possible. A primeira assenta a sua muito afirmativa postura musical na interpretação de grandes temas da história do jazz, com particular gosto pelos assinados por John Coltrane e Ornette Coleman. Com Toscano e o seu saxofone alto estarão João Pedro Coelho (piano), Romeu Tristão (contrabaixo) e João Pereira (bateria), todos eles muito jovens e todos eles com uma “garra” que não era habitual encontrar por cá.

Os Slow is Possible de Bruno Figueira (saxofone alto), André Pontífice (violoncelo), João Clemente (guitarra eléctrica), Nuno Santos Dias (piano), Ricardo Sousa (contrabaixo) e Duarte Fonseca (bateria) levam, por sua vez, ao Alentejo algo de bem diferente: uma música de carácter cinematográfico em que o jazz se casa com a erudita contemporânea e com o rock, aliando algum experimentalismo a argumentos de fácil acessibilidade. As “afterhours” das três noites estarão a cargo de outro grupo nacional, The Rite of Trio, que é capaz tanto de seguir pelo mais assumido “swing” como de incorporar “riffs” do metal ou do punk. O baterista, Pedro Melo Alves, recebeu em 2017 o Prémio de Composição Bernardo Sassetti e foi considerado um dos músicos do ano, mas os seus companheiros de banda não lhe ficam atrás em termos de capacidades e de feitos, designadamente André Silva (guitarra) e Filipe Louro (contrabaixo).