, 13 de Novembro de 2017

Improvisadores portugueses fecham 2017 em grande

São dois os festivais que fecharão este ano especialmente dinâmico para a música livremente improvisada tocada por portugueses, em ambos os casos promovidos por duas estruturas DIY que nas últimas décadas têm sido especialmente mobilizadoras de músicos e públicos. Pela primeira vez com cinco dias de duração, o Creative Sources Fest – festival ligado à editora discográfica Creative Sources – vai levar ao O’culto da Ajuda um total de 17 concertos, a realizar de 21 a 25 de Novembro. A 15 e 16 de Dezembro, no mesmo espaço de Lisboa, será a vez do Granular Fest – evento ligado à associação Granular –, com quatro actuações previstas. Num caso como no outro há nomes de outros países que foram convidados, como Etiénne Brunet (Creative Sources Fest) e Fred Lonberg-Holm (Granular Fest).

Se o Creative Sources Fest de 2017 indica que o núcleo de criação estabelecido à volta de Ernesto Rodrigues vem crescendo, já o Granular Fest está a ser apresentado como a última iniciativa do projecto dirigido por Carlos “Zíngaro” (foto acima) na última quinzena de anos: este foi pioneiro no estabelecimento de sinergias nos domínios da improvisação e do experimentalismo musicais que deram os bons frutos hoje testemunháveis, e tanto assim que muitos dos participantes no CSF pertencem ou pertenceram à Granular.

O Creative Sources Fest tem quatro actuações agendadas para o seu dia de abertura, 21 de Novembro, com a dupla François Choiselat / João Madeira, um solo de Abdul Moimême, um concerto pelo grupo Psico-Free & Manicômio de Guilherme Carmelo, José Lencastre, Pedro Santo e Monsieur Trinité e a apresentação de um dos grandes ensembles conduzidos por Ernesto Rodrigues, o Suspensão. A 22, os concertos estarão entregues ao trio de José Bruno Parrinha, Ulrich Mitzlaff e Manuel Guimarães, seguindo-se o saxofonista Etiénne Brunet em parceria com Miguel Mira e o agrupamento de cordas String Theory, em versão de 14 elementos. Brunet volta a tocar no dia 23, mas desta feita com Monsieur Trinité, prosseguindo o alinhamento da sessão com Nuno Torres, Paulo Galão e André Hencleeday, com o quarteto de Eduardo Chagas, Paulo Curado, Carlos Santos e Carlos Godinho e com a nova formação de Sei Miguel, compreendendo Fala Mariam, Bruno Silva e Pedro Castello Lopes.

A 24 de Novembro a oferta é igualmente plural, abrindo com a portuense Free Jazz Company de Paulo Alexandre Jorge, agora com o acrescento do pianista Francisco Morgan ao saxofonista e a Ulisses Teixeira, João Magalhães e José Pereira. Tocam depois o Palimpsest Trio de Paulo Chagas com os italianos Silvia Corda e Adriano Orrù, o já bem conhecido Red Trio e o IKB Ensemble, outra das “jóias da coroa” Creative Sources. Para dia 25 ficam os Zwann Ei Collective, ou seja, a bailarina Sandrine Lascaux e o guitarrista Guillaume Gargaud, um grupo de Rodrigues com o seu filho Guilherme, Gianna de Toni e Vasco Trilla e o dueto de Karoline Leblanc e Paulo Ferreira Lopes. A conclusão virá com a Variable Geometry Orchestra, juntando a maior parte do elenco do festival.

O Granular Fest arranca a 15 de Dezembro com uma superbanda, formada por Carlos “Zíngaro” com Fred Lonberg-Holm, Alvaro Rosso e Nuno Morão, tocando após intervalo um trio composto por Emídio Buchinho, Carlos Santos e Abdul Moimême. No dia 16, dois encontros igualmente aliciantes, primeiro o do marimbista Pedro Carneiro com Yedo Gibson, João Madeira e Ulrich Mitzlaff e depois o CCV Wind3 (ou seja, Paulo Chagas, Paulo Curado e João Pedro Viegas) com o pianista Rodrigo Pinheiro como convidado.