JiGG - Jazz im Goethe-Garten, 8 de Julho de 2022

JiGG - Jazz im Goethe-Garten

16 HOMENS – 0 MULHERES

texto: Sofia Rajado / fotografia: Nuno Martins

Sofia Rajado, colaboradora da jazz.pt, escreve sobre a falta de diversidade na programação do JiGG - Jazz im Goethe-Garten 2022.

«Promovemos o conhecimento da língua alemã no estrangeiro e o intercâmbio cultural internacional. Transmitimos uma imagem abrangente da Alemanha através das informações sobre a vida cultural, social e política no nosso país. Os nossos programas culturais e educacionais promovem o diálogo intercultural e fomentam a participação cultural. Fortalecem o desenvolvimento de estruturas da sociedade civil e promovem a mobilidade global. (...)

O Departamento Cultural é catalisador do diálogo, intercâmbio e contacto entre artistas e investigadores alemães e portugueses. São abordadas tendências da atualidade alemã e é fomentado o trabalho intercultural nas áreas do cinema, da dança, da música, do teatro, da arte, da literatura e da tradução. Em cooperação com parceiros portugueses, o Goethe-Institut organiza leituras, exposições, conferências, projeções de filmes, concertos, e apoia ainda a participação de artistas alemães em festivais.»

Quando se faz uma rápida pesquisa no site do Goethe-Institut Portugal, estas são algumas das palavras que podemos encontrar no campo “Sobre Nós”. É um belo cartão de visita, uma apresentação que tenta transparecer a filosofia plural, dinâmica, jovem, desta instituição, mas que não se coaduna na totalidade com a sua prática – pelo menos, no que ao JiGG – Jazz im Goethe-Garten diz respeito.

É lamentável que em 2022, um ano já tão marcante, e de certa forma decisivo, para o retorno dos festivais e da música ao vivo, tenhamos novamente espelhado neste festival uma conceção de programação envelhecida, com uma participação de músicos cem por cento masculina. Era suposto este ser um momento de viragem e não o regresso a um passado pouco plural.

Continuando a navegar no site, quando entramos no separador de divulgação do festival, podemos ler: «O JiGG 2022 revela cinco propostas do jazz elaborado na Europa e que continua a destacar-se pela sua originalidade em relação a formas canónicas da expressão». 

Perante esta afirmação, colocam-se as seguintes questões: não existirão mulheres, ou pessoas com outras identidades de género, que reúnam estas condições? Não me parece que não existam. Já são muitas essas pessoas que têm destaque no mundo do jazz e da música improvisada europeus. A resposta “elas não existem” já não serve, apesar de todos os constrangimentos e dificuldades por que passam para chegar ao nível de um homem. Mesmo com tantos debates internacionais e protestos sobre a problemática da igualdade nas mais variadas áreas, nada de novo, portanto. 

Claro que se a filosofia do Goethe-Institut Portugal fosse contra a pluralidade, nada escrito neste texto faria sentido, seria uma instituição e um festival assumidamente machista, veiculador apenas de música masculina. Contudo, não é assim que se apresenta. Por esse motivo, e tendo em conta também o seu importante papel pedagógico, foi grave a opção escolhida pelo programador do JiGG - Jazz im Goethe-Garten com a conivência do Goethe-Institut Portugal. 

16 homens e 0 mulheres – já não dá para calar.

 

 

Cidadania 

Buquê de ruídos úteis
o dia. O tom mais púrpura
do avião sobressai
locomovida rosa pública.

Entre os edifícios a acácia
de antigamente ainda ousa
trazer ao cimo a folhagem
sua dor de apertada coisa.

Um solo de saxofone excresce
mensagem que a morte adia
aflito pássaro que enrouquece
a garganta da telefonia.

Em cada bolso do cimento
uma lenta aranha de gás
manipula o dividendo
de um suicídio lilás.


Natália Correia, in "O Vinho e a Lira" 

Agenda

29 Novembro

Sélène Saint-Aimé

Teatro da Trindade - Lisboa

29 Novembro

Mariana Dionísio e João Pereira “Tracapangã”

Hot Clube de Portugal - Lisboa

30 Novembro

Sul

Museu Nacional Soares dos Reis - Porto

30 Novembro

Miguel Ângelo Quarteto

Teatro Municipal de Bragança - Bragança

30 Novembro

Gonçalo Sousa e Francesca Guatteri

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

30 Novembro

Orquestra Jazz de Matosinhos com Chris Cheek

Casa da Música - Porto

01 Dezembro

Manuel Oliveira, Rodrigo Correia, Alexandre Frazão e Tomás Marques

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

01 Dezembro

Sul

Hot Clube de Portugal - Lisboa

02 Dezembro

João Lencastre Free Celebration

SMUP - Parede

02 Dezembro

Júlio Resende

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

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