Gard Nilssen, 14 de Abril de 2022

Gard Nilssen

Sempre no limite

texto: Nuno Catarino / fotografia: DR / Peter Gannushkin

O norueguês Gard Nilssen é um imparável baterista. Integra múltiplos projetos e promove outros tantos, explorando músicas de diferentes perspetivas, desde o jazz mais puro até à improvisação brusca, passando por fusão com eletrónica ou rock, desafiando constantemente o ouvinte – destaque-se a supreendente Supersonic Orchestra. Ao leme do seu grupo Acoustic Unity, com André Roligheten (saxofone) e Petter Eldh (contrabaixo), promove um jazz aceso que não deixa ninguém indiferente. O trio editou os seus dois primeiros registos na Clean Feed (“Firehouse” em 2015 e “Live In Europe” 2017) e em 2019 publicou o mais recente “To Whom Who Buys A Record” (edição Odin Records). O trio vai agora apresentar-se ao vivo em Portugal em dois concertos: 22 de abril na SMUP (Parede), dia 23 na ZDB (Lisboa). Antecipando a sua passagem pelo nosso país, estivemos à conversa com Gard Nilssen.

O baterista descobriu o jazz ainda jovem e Nilssen começa por referir as influências que foram fundamentais na sua relação com o instrumento: «Tony Williams, Elvin Jones, Jack De Johnette, Paul Motian, Jon Christensen, Roy Haynes, Audun Kleive, Ed Blackwell, Billy Higgins, Max Roach, Tony Allen, Jim Keltner, Ringo Starr, Stewart Copeland, Mitch Mitchell, Brian Blade, Kenny Wollesen, Jay Bellerose, Bill Ward, Questlove, Per Oddvar Johansen». Além dos bateristas, o norueguês reconhece adicionalmente o peso de figuras como «John Coltrane, Miles Davis, Joni Mitchell, Wayne Shorter, Alice Coltrane, Paul Bley, Ornette Coleman, Bill Frisell, Beatles, Hendrix, Eric Satie, Christian Wallumrød, Supersilent, Susanne Sundfør, John Zorn, David Lynch, Keith Jarrett, Don Cherry e Sidsel Endresen». Nas suas bandas - Spacemonkey, Bushman’s Revenge, Amgala Temple, Puma e Supersonic Orchestra – existe quase sempre um certo grau de fusão, seja com o rock, com a eletrónica ou com a improvisação. Nilssen assume a intenção de fazer música aberta a todos os géneros: «eu adoro todos os tipos de música, não quero saber de rótulos».

No seu trio Acoustic Unity conta com a parceria do saxofonista André Roligheten e do contrabaixista Petter Eldh. Nilssen justifica a seleção: «acho que eles são dos improvisadores mais originais do mundo hoje em dia… eles são dos pouquíssimos músicos que realmente me fazem ser melhor do que realmente sou quando tocámos juntos.» Quais são as principais ideias que guiam a música deste trio Acoustic Unity? «Aquilo que eu tento fazer é misturar diferentes expressões num formato clássico de trio de jazz, e adicionar energia extra, imprevisibilidade e dinâmica. Eu quero que a música seja solta mas groovy, livre mas que dê a sensação de estar composta, improvisada mas não de uma forma tradicional e que seja surpreendente, com a sensação de estar sempre no limite.»

 

O trio editou em 2019 o seu registo mais recente. O título do disco "To Whom Who Buys a Record" acaba por ser uma variação de um outro de Ornette Coleman: “To Whom Who Keeps A Record”, de 1975. O que significa este título? Responde o norueguês: «É uma maneira de dizer um grande “vai-te foder” ao Spotify e a todas as plataformas de streaming que pagam demasiado pouco aos músicos.» Nilssen já se encontra a trabalhar no próximo trabalho: «vamos editar um novo álbum de estúdio este ano na ECM Records. O disco foi travado em França no ano passado. Estamos muito entusiasmados com isto!»

Gard integra o grupo Northern Liberties de Rodrigo Amado, grupo que deu alguns concertos e editou o disco “We Are Electric”. O baterista conta como foi trabalhar com o saxofonista português: «Pá, foi muito divertido! Nós aproveitamos uns dias maravillhosos de verão em Portugal e o disco acabou por soar muito fixe!» Além do trabalho com Amado, Nilssen tem editado vários discos na Clean Feed e tem estabelecido uma ligação especial com o nosso país: «Eu adoro Portugal. Parece que estou em casa! Tenho tantos amigos aí e adorava poder tocar aí pelo menos uma vez por semana! Maravilhoso país, pessoas, música, comida, arquitetura, tempo, vinho… e podia continuar!» O que poderemos esperar então destes concertos em Portugal? «Vamos apresentar música do novo álbum que irá sair na ECM e alguns dos “hits” (ehehe) do disco anterior editado na Clean Feed.»

O baterista e compositor conta os seus planos neste momento: «Estamos a trabalhar nesta nova edição pela ECM e também em nova música para a Supersonic Orchestra. Gravei novos discos com UNIONE, Bushman’s Revenge e Team Hegdal. Estes discos irão sair ao longo do ano, mais cedo ou mais tarde. Agora sou pai de um pequenote de dois anos e meio, por isso é a ele que tenho dedicado uma boa parte das 24 horas do meu dia.» 

Agenda

27 Maio

MIVRO I

Teatro Helena Sá e Costa - Porto

27 Maio

Diogo Alexandre Bock Ensemble

Casa D’artes do Bonfim - Porto

27 Maio

293 Diagonal / Gil Silva

Teatro Angrense - Angra do Heroísmo

27 Maio

Antón Quintela 5tet

Teatro Helena Sá e Costa - Porto

27 Maio

Bruno Pernadas e Mário Delgado

Teatro Narciso Ferreira - Riba de Ave

27 Maio

El Twanguero

O Cinema - Oliveira de Azeméis

27 Maio

Júlio Resende & FBP Jazz Sessions

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

27 Maio

Orquestra de Jazz do Algarve com Ana Laíns e Cherry

Cerca do Convento - Loulé

27 Maio

Brian Jackson

Passos Manuel - Porto

27 Maio

João Capinha Quinteto

Sala do Clube - Valado de Frades

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