Selecção, 25 de Abril de 2018

Selecção

50 discos essenciais do jazz made in Portugal

escolhas de Rui Eduardo Paes

Podiam ser 100 ou podiam ser 75, pois ficaram de fora títulos que têm semelhantes níveis de qualidade e foram marcando a evolução do jazz e da música improvisada que se praticam no nosso país. São 50, os mais preciosos para este ouvidor, funcionando como a banda-sonora de toda uma vida.

Ao seleccionarmos os discos de músicos e grupos portugueses que mais nos têm marcado na área do jazz e da música improvisada ficamos de imediato com a confirmação de todas as impressões empíricas que fomos experimentando quanto ao dinamismo daquilo a que hoje já podemos designar como “cena”. Que impressões são essas? As de que estamos perante uma realidade em crescendo, nestes últimos anos tendo até ganho um ritmo particularmente acelerado. A primeira: são cada vez mais numerosas as edições ao dispor. A segunda: são também cada vez mais habituais as propostas discográficas de alta qualidade.

Da década de 1970 (ou, mais exactamente, desde 1976, ano do lançamento do primeiro disco gravado por profissionais) à de 90 eram, em Portugal, poucos os álbuns editados e menos ainda os casos de brilhantismo musical. Este cenário altera-se com a mudança de milénio e de século, no início com três ou quatro títulos anuais a merecerem novos regressos auditivos e gradualmente outros se somando até a excelente música que por cá é praticada se tornar num problema sério para os bolsos dos melómanos, por serem muitos os LPs e CDs que merecem lugar cativo nas estantes. Estes são os 50 títulos que a este ouvidor mais têm entusiasmado, uns ainda com poucas escutas devido à sua idade, mas outros já longamente “picados”, uns escolhidos por pura veneração e outros com a consciência de que a opção deixa de fora discos que poderiam ser igualmente merecedores.

 

Rão Kyao: “Malpertuis” (Parlophone, 1976)

 

Anar Band: “Anar Band” (Alvorada, 1977)

 

António Pinho Vargas: “Cores e Aromas” (EMI-Valentim de Carvalho, 1985)

 

Carlos “Zíngaro”: “Solo” (In Situ, 1992)

 

Nuno Rebelo: “Azul Esmeralda” (AnAnAnA, 1998)

 

Sei Miguel: “Token” (AnAnAnA, 1999)

 

Carlos Barretto Trio & Louis Sclavis: “Radio Song” (CBTM / Clean Feed, 2002)

 

Telectu feat. Sunny Murray, Eddie Prévost & Gerry Hemingway: “Quartetos” (Clean Feed, 2003)

 

Carlos “Zíngaro” / Joe Giardullo: “Falling Water” (Drimala Records, 2004)

 

Bernardo Sassetti: “Unreal: Sidewalk Cartoon” (Clean Feed, 2006)

 

João Paulo Esteves da Silva: “Memórias de Quem” (Clean Feed, 2006)

 

Rafael Toral: “Space” (Staubgold, 2006)

 

Carlos Bica & Azul feat. DJ Illvibe: “Believer” (Enja, 2006)

 

Variable Geometry Orchestra: “Stills” (Creative Sources, 2007)

 

Mikado Lab: “Baligo” (Tone of a Pitch, 2008)

 

João Lencastre’s Communion: “B-Sides” (Fresh Sound New Talent, 2008)

 

José Peixoto El Fad: “Lunar” (JACC Records, 2010)

 

TGB: “Evil Things” (Clean Feed, 2010)

 

Bernardo Sassetti Trio: “Motion” (Clean Feed, 2010)

 

LUME: “LUME” (JACC Records, 2010)

 

Luís Lopes Humanization 4tet: “Electricity” (Ayler Records, 2010)

 

Red Trio & John Butcher: “Empire” (NoBusiness, 2011)

 

Mário Laginha Trio: “Mongrel” (Edel, 2012)

 

André Fernandes: “Motor” (Tone of a Pitch, 2012)

 

João Hasselberg: “Whatever it is You’re Seeking, Won’t Come in the Form You’re Expecting” (Sintoma Records, 2013)

 

Albatre: “A Descent into the Maelstrom” (Shhpuma, 2013)

 

Eitr: “Trees Have Cancer Too” (Mazagran, 2013)

 

Ensemble Super Moderne: “Ensemble Super Moderne” (Carimbo Porta-Jazz, 2014)

 

Rodrigo Amado Motion Trio & Peter Evans: “The Freedom Principle” (NoBusiness, 2014)

 

Pedro Sousa / Thurston Moore / Gabriel Ferrandini: “Live at ZDB” (Shhpuma, 2014)

 

Slow is Possible: “Slow is Possible” (JACC Records, 2015)

 

The Rite of Trio: “Getting All the Evil of the Piston Collar!” (Carimbo Porta-Jazz, 2015)

 

Marcelo dos Reis / Angélica V. Salvi: “Concentric Rinds” (Cipsela, 2015)

 

Desidério Lázaro: “Subtractive Collors” (Sintoma Records, 2015)

 

Maria João & Ogre: “Plástico” (Espuma Preta, 2015)

 

Ernesto Rodrigues / Abdul Moimême / Antez: “Basalto” (Creative Sources, 2016)

 

Bruno Pernadas: “Worst Summer Ever” (Pataca Discos, 2016)

 

Rodrigo Amado / Gonçalo Almeida / Marco Franco: “The Attic” (NoBusiness, 2017)

 

Bode Wilson: “Lascas” (Carimbo Porta-Jazz, 2017)

 

Pedro Melo Alves: “Omniae Ensemble” (Nischo, 2017)

 

The Selva: “The Selva” (Clean Feed, 2017)

 

JPES Trio: “Brightbird” (Arjuna Music, 2017)

 

João Barradas Home: “An End as a New Beginning” (Nischo / Inner Circle Music, 2017)

 

João Barradas: “Directions” (Inner Circle Music, 2017)

 

Eel Slap: “Vol. 1” (Flea Boy Records, 2017)

 

Sirius: “Acoustic Main Suite Plus the Inner One” (Clean Feed, 2017)

 

Staub Quartet: “House Full of Colors” (JACC Records, 2017)

 

André Rosinha: “Pórtico” (Robalo Music, 2017)

 

Susana Santos Silva: “All the Rivers – Live at Panteão Nacional” (Clean Feed, 2018)

 

Turbamulta: “Turbamulta” (Clean Feed, 2018)