Genoveva Faísca, 15 de Junho de 2014

Genoveva Faísca

Cantadora de contos

texto Mafalda Costa

É uma das melhores cantoras que temos em Portugal, mas falta-lhe o reconhecimento que merece. Nunca pertenceu a nenhuma cena em especial, e talvez seja essa a explicação. Circula pelos meios da improvisação mas também canta bossa nova, “standards” de jazz e música tradicional portuguesa. Os miúdos adoram-na, e eles é que sabem…

O poder da imaginação pode ser isto: uma menina conceber-se cantora e aprender de cor, às escondidas, uma opereta de Offenbach. «”A Bela Helena”. Eu cantava aquilo tudo, sabia aquilo de cor." O canto foi um segredo na infância de Genoveva Faísca (foto acima de Sofia Faísca), cantora, actriz e “cantadora” de contos. «Era uma coisa só minha, que eu não podia dizer a ninguém.»

Quando lhe perguntamos porquê, Genoveva conta-nos que cantar «tinha de ser (para) alguém especial. Não era para mim.» Mas explica que uma parte de si «funcionava como cantora» e que se via nesse papel, tal como se via a voar. «Uma das coisas que me via a fazer, uma das minhas imaginações principais, era voar. Isso era meu. Mas obviamente que não era doida o suficiente para acreditar que podia acontecer na realidade.»

A verdade é que acabou por acontecer. O canto e o voo. A comparação - o palco e o salto no vazio - ocorreu-lhe nos primeiros saltos de pára-quedas. «Estava no avião, ansiosa, e depois o instrutor dizia: “Já!” E eu lá ia: “Tchau!” Atirava-me. Depois ficava tudo bem, já era o que era.»

Genoveva tinha 16 anos quando se inscreveu no Aeroclube de Faro, num primeiro gesto de fuga à timidez que sempre a moldou. «Eu era uma ostra e ainda hoje sou», explica devagar. Fez o curso e deu 11 saltos. Alguns meses mais tarde, e apesar de «lhe torcer o nariz», caiu no teatro. O teatro agradava-lhe apenas quando via as peças que a RTP transmitia, a preto-e-branco, com actores como Eunice Muñoz, João Perry e Amélia Rey Colaço. Mas não era para ela.

Um dia viu uma encenação de "Alice no País das Maravilhas" dirigida por Luís Aguilar para o Teatro Laboratório de Faro, «uma peça fantástica, toda corpo e movimento, e achei que aquilo era o máximo». Passados os seis meses da formação descobriu que o teatro parecia ser feito para si. Dos adereços aos figurinos e aos cartazes, «desenhados com uma letra muito redondinha», Genoveva deliciava-se na possibilidade de fazer «o que calhasse». Passou a viver mais de noite do que de dia e mais para o teatro do que para a escola.

Lado a lado com a arte do palco, a música ainda era apenas um território aflorado. Com a sua flauta de bisel, mágica desde que pusera os olhos no conto sobre «uma chinesinha e a sua flauta, que podia levar para todos os sítios e a fazia forte como um leão, a futura cantora integrou os Peish Fixe, com um violinista, um percussionista e um guitarrista, «Zé Repolho, um pescador da Fuzeta, que tocava muito bem». Jazz, Bach, umas valsas e temas originais do guitarrista da banda ecoavam a colecção de discos do pai de Genoveva, como “Moonglow” de Benny Goodman, as vozes de Billie Holiday e Ella Fiztgerald e até a banda sonora do musical politicamente incorrecto “Oh! Calcutta!”, que ela, menina, «ouvia, sabia e cantava do princípio ao fim». A pequena ostra abria-se ao mundo. 

Finalmente uma evidência

Foto de Mayana Modesto 

Um curso no Verão de 1980, em Lagos, com aulas de flauta e voz, decidiu-a: iria para Lisboa, «estava escrito, tinha de ser». Partiu então com uma nova flauta, transversal, a memória de alguns livros lidos meia centena de vezes e uma certeza: a de que Paulo Curado, flautista, seria seu professor. «Estudei flauta com ele na Academia dos Amadores de Música de Lisboa e tive umas aulas particulares, ainda uns anos. O Paulo era a minha referência entre os flautistas. Outra referência era Carlos Bechegas, o deus da flauta.» Genoveva sorri: «Mas qualquer instrumento dá muito trabalho. Estudava muito, mas o meu instrumento não era a flauta, eu já o tinha.» O canto, que Genoveva nunca largou mas não acreditava ser para si, tornava-se, finalmente, uma evidência.

«Acabei por usar a voz enquanto instrumento, mas de uma forma muito minha. Tive uma infância um bocado solitária, era filha única, e em pequenina gostava muito de animais. Então ouvia um som e imitava esse som. Era uma daquelas minhas ideias, como voar - sabia que podia não ser assim, mas era o que eu imaginava. Pensava: se eu quiser falar com um gato, faço a voz do gato e, ao mesmo tempo, penso no que lhe quero dizer. E às vezes o que a gente quer dizer nem é racional, é emocional. Então eu falava com os animais, imitando a voz deles, a língua deles, enquanto sentia o que lhes queria dizer.»

Miados, latidos, chilreios, todos os sons animais eram um compêndio de possibilidades a experimentar na sua voz. Ainda hoje, se a natureza fala, Genoveva ouve.

No dia em que nos encontrámos, a cantora escutava gravações de pássaros, recolhidas no Jardim Zoológico. O kookaburra canta como quem ri com vontade, «é mesmo um bicho muito maluco». O turaco-de-livingstone faz uns “us” agudos, os flamingos «são muito afinadinhos». Começou tudo com um melro, na sua primeira visita às aves. «Era um melro prateado, de cauda comprida, que pousou num tronco perto de mim e começou a fazer uns sons que eu tenho pena de não ter gravado. E eu tentava imitar. E quanto mais imitava, mais longos eram os sons dele. Estava de chuva, não havia ninguém no Jardim Zoológico e ele ficou interessadíssimo na minha conversa. Os outros melros não diziam nada e depois houve até um outro bichinho que veio debicar-me os dedos. Era o turaca-de-livingstone. Não fez barulho nenhum, mas veio picar-me os dedos. Disse-lhe que era bonito e ele deixou-se festejar e tudo.»

Genoveva ainda não sabe o que fará com estes sons. «Tudo o que faço tem depois várias hipóteses... ainda estou a cozinhar.» Mas adianta que o seu “Ornithology” é cantado em «Passarês, com sons de pássaros»: «Consoante quem toca comigo, abuso mais ou menos do Passarês.» 

Diálogo com os outros

Com João Bengala (Companhia Bengala) 

A rota da improvisação vocal, precisa Genoveva, começou muito antes das actuais experiências com sons incorporados na sua performance como cantora. «Porque a voz, tal como é usada no teatro, está ligada à improvisação - não uma improvisação jazzística mas total, que envolve a postura, a respiração. Isso também me abriu um grande horizonte.» A voz enquanto som. Uma nobre tradição em palco, na verdade, que remonta às pesquisas do dramaturgo Antonin Artaud em volta do teatro do corpo e que marcou uma parte do século XX.

O teatro, justamente, reclamou uma parte importante dos últimos 30 anos da vida de Genoveva. Depois da formação na Comuna -Teatro de Pesquisa, à chegada a Lisboa, esteve em cena, regularmente, com espectáculos diversos. De clássicos como “Édipo-Rei” e “O Despertar da Primavera”, com direcção de João Mota, a encenações de Filipe Crawford com a sua Companhia Meia Preta, especializada na Técnica da Máscara, e ao teatro infantil, com várias peças de Os Papaléguas.

Nunca perdeu a oportunidade de alargar competências, aprofundando o movimento do corpo e a dança contemporânea, estudando a dança-teatro Butoh e a Técnica da Máscara. A par e passo, a música. Se há traço que ressalta, no percurso de Genoveva Faísca, é um investimento consistente na aprendizagem que resulta do diálogo com outros artistas.

Depois de Paulo Curado, uma professora que procurou sem descanso foi Maria João Serrão, especializada na obra de Constança Capdeville e na voz contemporânea. Genoveva esteve sete anos sob a sua orientação, mas não descurou outras linguagens musicais: David Gausden foi seu professor no Hot Clube de Portugal. Com Peter Kowald, Carlos “Zíngaro”, Carlos Bica e Richard Teitelbaum estudou formas e estruturas na música improvisada. A norte-americana Shelley Hirsch, compositora, cantora experimental e artista multimédia, que defende a ideia de que «o corpo é o maior gravador que existe» e se considera uma contadora de histórias, foi uma entre várias artistas com quem pesquisou técnicas vocais.

O dom particular da cantora - o de «ir atrás dos sons com a voz» -, nasceu, convém relembrar, de uma infância curiosa e solitária. A educação formal mais não fez do que abrir-lhe um caminho natural. «Sempre tive essa vontade. Por exemplo, há uma porta que se abre e faz (Genoveva imita o ranger de uma porta). “Ah, posso usar isto!” A partir daqui, onde é que se vai ter? Há sons incríveis, que não têm de ser musicais. Pensando bem, a voz tem essa potencialidade toda: a de imitar um instrumento naquilo que este tem de técnico e de musical, entre aspas, levando a ideia de que a música é aquela coisa com as notinhas todas, e misturando com aquilo que é som completo, a fala.»

O discurso da cantora é sincopado, vivo, cheio de ilustrações musicais. Canta «isto é ópera» e acrescenta: «Posso ser afinada, como os recitativos, mas também posso atravessar a escada da escala e escorregar pelo corrimão.» Sorri. 

Em lado nenhum

 

O que a agasta é que lhe falem de tipologias musicais: «O instrumento é sempre o mesmo. O piano pode tocar jazz, blues, fado, Satie... O instrumento pode fazer tudo! E pode apetecer-lhe fazer hoje uma coisa e amanhã outra.» Se lhe falamos das particularidades da bossa nova, das convenções dos “standards” de jazz, Genoveva suspira: «A mim dá-me gozo cantar o que estou a cantar num determinado momento. Não me apetece estar presa a nenhum género. Mesmo a improvisar, que é tão livre, num dia faço um solo na Trem Azul e, no dia seguinte, outra coisa qualquer... Gargalhadas, por exemplo. Lembro-me de um concerto de improvisação com Ulrich Mitzlaff e Américo Rodrigues em que acabámos a rir à gargalhada. No dia seguinte quis fazer igual e já não consegui...»

A liberdade de cantar blues ou bossa nova, “standards” ou música improvisada é algo que não negoceia. Ainda que se sinta posta de parte: «É uma coisa que me incomoda, o preconceito. É não ser aceite na música improvisada porque também canto bossa nova. Ou, nos meios do jazz, comentarem “ah, a gaja é maluca, faz aqueles sons”... Não ser aceite em lado nenhum porque, como está em todas, não está em lado nenhum. Mas sou assim mesmo e não vou deixar de ser quem sou por isso...»

Ao longo da conversa, Genoveva ensaia explicações, procura palavras, recomeça, volta a fechar-se na concha. É com risos que pontua o fim das frases, mas o riso é, também, uma defesa. «Aquilo que somos, levamos para onde formos. No Algarve, provavelmente estaria mais à vontade.» O que a levou para Lisboa foi «ter coisas para tirar de mim, para dizer, e que não conseguia, e também o contrário disso, que é toda a energia que vai de dentro para fora». Explica, em tom autocrítico: «Abro a boca e faço os disparates. Fi-lo ao longo dos anos, o tempo de conseguir tirar o que tinha cá dentro. E nem sempre soube escolher a coisa certa para revelar.» O riso, de novo.

Num percurso rico em colaborações, estranhamos a ausência de discos com o seu nome. Genoveva hesita, não sabe explicar. Uma oportunidade de trabalhar com o francês Hector Zazou, antes da morte do músico, esfumou-se por incompatibilidade de agendas. «Houve outras propostas que também deixei escorregar... Talvez porque naqueles momentos não tinha os músicos para o fazer.» Editada em disco, a voz de Genoveva ouve-se apenas nas colectâneas “Way Out - New Music from Portugal Vol. 1” (1997), concebida por Rui Eduardo Paes (com “Torch Song”, uma parceria com o percussionista José Oliveira), e “Cantigas de Amigos”, lançada em 1999 pela Sony Music, uma recolha de temas tradicionais portugueses com produção de João Balão e José Moz Carrapa. A Genoveva foram entregues os temas “Mira-me Miguel / Çarandilheira” e “Por Riba se Ceifa o Pão”.

Registos surpreendentemente escassos, se nos debruçarmos sobre o rol de experiências musicais que foi tendo ao longo do tempo. Apresentou-se ao vivo, nos domínios da improvisação livre, com José Oliveira, Carlos Bechegas, Greg Moore e Carlos Santos. Esteve envolvida em espectáculos com direcção musical de Carlos Curto. Participou em criações das coreógrafas Clara Andermatt, Amélia Bentes, Meg Stuart e Vera Mantero. Partilhou o palco com Pedro Lopes (gira-discos e electrónica). É a voz principal da Companhia Bengala, que trabalha a música portuguesa de raiz tradicional.

E fez coros: «Foi muito interessante. Às vezes, fazer coros é mais difícil do que cantar a música. É preciso estar muito atenta, conjugar as vozes... Imaginar várias vozes numa composição é uma coisa que me dá muito gozo. Aliás, tenho muitas ideias sobre possíveis trabalhos com vozes, mas os meios técnicos de que disponho não ajudam.»

Com o cabo-verdiano Bana fez um espectáculo no Coliseu dos Recreios, «com orquestra, uma coisa magnífica». Com o guineense Guto Pires e os Issabary aprendeu a cantar em crioulo: «É aquela minha mania de querer falar todas as línguas... Ainda tenho aí uns livros de crioulo da Guiné.» Com Fausto fez «só um espectáculo, num 25 de Abril» e com Amélia Muge «foi fantástico, porque metia teatro também». Como membro de coros, Genoveva Faísca participou no «mágico» “Traz Os Montes” de Né Ladeiras e em “Resistir é Vencer”, de José Mário Branco, por quem tem uma profunda admiração: «Conto sempre esta história: ele diz “agora, levantas voo, dás três voltinhas no ar e pousas em cima daquela mesa” e tu não pensas em mais nada. Levantas voo, dás três voltinhas no ar e pousas na mesa”.»

Os olhos de Genoveva brilham. «Ele é muito especial a trabalhar, a pedir coisas. O deus dos estúdios é o Zé Mário.» Se não for ao vivo, são poucas, pois, as hipóteses de conhecermos a voz de Genoveva. Ironiza a própria: «Às vezes penso que sou mesmo assim, redonda, sem ponta por onde se lhe pegue...» E desata a rir. 

Corpo-maestro

Foto de Mayana Modesto 

Mostra-nos um sol de cartão, com traços orientais, que «foi baseado numa máscara de Kabuki», encostado a uma parede da sala. Um outro adereço, também de cartão, tem pintadas as diferentes fases da Lua e os pontos cardeais. «Com este, pus os miúdos a fazerem de sol e de lua.» Genoveva cria os seus próprios adereços a partir de cartão, o seu «material de eleição», que apanha na rua e pinta com tinta acrílica.

A cantora e actriz é, desde 2003, uma Cantadora de Contos. Sozinha em palco, apresenta a públicos infantis histórias que pesquisa, «mas depois dou-lhes a volta toda e estrago aquilo tudo». Os “Contos do Solstício”, criados em 2009, «começaram por ser contos do Natal». Só que o Natal «era um bocado limitador, pois implica uma tradição judaico-cristã». «O Natal já existia antes de Cristo, como celebração do solstício de Inverno. Então misturei factos científicos com outros, que não têm nada a ver, mais ou menos bem explicados às crianças. E de cada vez que faço o espectáculo, adapto-o ao público, às idades com as quais estou a trabalhar.»

Genoveva não é apenas uma contadora de histórias, mas uma “cantadora” de facto, não porque cante sempre, mas porque usa o som como elemento primordial para dar vida às narrativas. «Ruídos, instrumentos esquisitos... Convido as pessoas a fazer sons.» O corpo da actriz e os corpos de quem assiste são os maestros: «É um exercício que inventei para os “workshops” que dou, o do corpo-maestro. Faço isso em cena, directamente com o público.»

O próprio acto de contar abre espaço para a improvisação: «Costumava pôr os miúdos a fazer os ventos. Quando o vento passava lá em cima, nas árvores, os miúdos faziam “uuuuuu”. É lindíssimo ver uma série de miúdos pequenininhos a fazerem “uuuuuu”... Houve um dia, creio que no Alentejo, que alguns começaram a assobiar. Eu tinha contado, “mas acontece que, quando o vento passa lá em cima faz “uuuuuu”, e quando passa nos buracos das árvores assobia. Então, para sempre, o vento passou a ser “uuuuuu” e um assobio... Foram aqueles meninos que inventaram.»

Enquanto cantadora de contos, Genoveva Faísca expande os limites da imaginação, que é sempre mais fecunda na infância, cumprindo aquela que é a missão principal do actor e do contador de histórias. O maravilhoso é o material com que trabalha, feito a partir de contos populares e infantis. Histórias da carochinha e de raposas gaiteiras, príncipes com orelhas de burro, palácios encantados, pintainhos de uma só pata, gatos que tocam viola, selvas mágicas e imperadores. São já 10 os espectáculos criados pela Cantadora de Contos, entre “Contos da Terra”, baseado em contos tradicionais portugueses, “O Rouxinol”, a partir de uma história de Hans Christian Andersen, e “Cantos do Japão”, com a colaboração do contrabaixista Miguel Leiria Pereira, responsável pela recolha musical - «ele adora música chinesa e japonesa» - e pelos arranjos.

O trabalho de pesquisa das histórias, da construção de adereços, dos ensaios é, no entanto, solitário. «Muitas vezes, fico simplesmente a meditar. Digo, “vou ensaiar”. E depois fico aqui a pintar uma coisa durante três horas. Mas não estou só a pintar aquela coisa, estou cá dentro a fazer o filme todo, estou a pôr as pessoas a fazer e a ouvir.» Genoveva é uma mulher à escuta - quando grava o canto dos pássaros, quando improvisa, quando perscruta as imagens e os sons que o corpo faz, que a voz faz. E quando representa para e com o público. «Sim, as histórias que me agradam mais são aquelas que ouço mais. Que ouço no sentido em que, quando as leio, ouço as suas possibilidades. Ou vejo as suas possibilidades.»

 

Para saber mais

https://www.facebook.com/genoveva.faisca

Agenda

26 Novembro

Tiago Sousa

Cossoul - Lisboa

26 Novembro

Lynn Cassiers, Manolo Cabras e João Lobo “Dancing With Don”

Porta-Jazz - Porto

26 Novembro

Clara Lai, Amidea Clotet, João Almeida e João Valinho

Penha sco - Lisboa

26 Novembro

Orquestra de Jazz de Espinho com João Barradas

Teatro Municipal de Bragança - Bragança

26 Novembro

José Lencastre, Ziv Taubenfeld e Felice Furioso

SMUP - Parede

26 Novembro

Júlio Resende

Fábrica Braço de Prata - Lisboa

26 Novembro

Mariana Dionísio, Clara Lacerda e Romeu Tristão

Adega do Museu Rural e do Vinho - Cartaxo

26 Novembro

Practically Married

Hot Clube de Portugal - Lisboa

27 Novembro

Jorge Moniz “Cinematheque”

Cine-Teatro Louletano - Loulé

27 Novembro

Lynn Cassiers / Manolo Cabras / João Lobo “Dancing With Don”

MAAT - Lisboa

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