The Nada: “The Nada” (Carimbo Porta-Jazz)

Rui Eduardo Paes

Mais uma lufada de ar fresco vinda do Norte. The Nada é a nova oportunidade de ouvir João Guimarães – um dos mais cativantes saxofonistas da nova geração do jazz português, tal como se descobriu com “Zero” e com a primeira versão do grupo Fail Better! – na plenitude das suas capacidades. O que quer dizer que tanto o encontramos neste álbum homónimo no registo lírico e frágil que o torna imediatamente reconhecível como a lançar-se para situações mais livres. É, também, a oportunidade de saber que marcas deixou a passagem do baixista Simon Jermyn pelo Porto, o mesmo de colaborações com Mat Maneri, Ingrid Laubrock, Tom Rainey, Chris Speed, Kirk Knuffke, John Hollenbeck e Tony Malaby. O quarteto é completado pela guitarra de Eurico Costa e pela bateria de José Marrucho, dois músicos da família Porta-Jazz que merecem toda a atenção e aqui encontram o contexto certo para brilharem.

“The Nada” é jazz eléctrico (o próprio Guimarães surge, por vezes, a tocar teclados) com permanentes incorporações do rock, do funk e de certos padrões “groovy” importados das músicas de dança. Um jazz sem presunções composicionais, todo ele erigido sobre uma ideia de funcionalidade e que, como tal, tem na própria performance o seu valor maior. A música é fluida, ora nervosa nas suas agitações, ora contemplativa, e sabe renovar-se, instalando fórmulas e tipos de abordagem sem se fixar particularmente em nenhuma. Não surpreende realmente, porque vem na sequência de outras práticas do género, mas é altamente eficaz e deixa tudo na superior competência instrumental e no sentido de grupo dos participantes. Quanto mais o disco avança, mais argumentos convincentes acrescenta, seja uma frase em sintetizador, uma malha de guitarra, um solo de baixo ou uma bizarra base percussiva.