João Barradas: “Directions” (Inner Circle Music / Nischo)

Rui Eduardo Paes

Ao mesmo tempo em que João Barradas apresenta entre nós, ao vivo e em trio com André Rosinha e Bruno Pedroso, o projecto “Directions”, eis que sai nos Estados Unidos, pela editora do saxofonista Greg Osby, uma versão ampliada da mesma música com as participações do próprio Osby e de André Fernandes, João Paulo Esteves da Silva, Sara Serpa (num único tema) e, também com uma contribuição isolada, de uma referência do jovem instrumentista e compositor no que respeita ao acordeonismo jazz, Gil Goldstein. Poucas vezes um disco debutante em nome próprio causou tanto impacto: no próximo sábado dia 7 de Abril, na Festa do Jazz do S. Luiz, Barradas recebe o Prémio RTP / Festa do Jazz como músico-revelação. A estreia recente de outro investimento seu, o grupo Home, está igualmente a contribuir para que o acordeonista esteja em foco por estes dias.

E muito justamente. O álbum “Directions” tem aquele carácter de afirmação, energia e entrega à música que também lançou o nome de Ricardo Toscano para a ribalta, chegando a audiências que não são as habituais do chamado jazz português. O mesmo se diga relativamente a novos valores como João Mortágua, Mané Fernandes e Pedro Melo Alves, este recentemente objecto de um outro prémio, o de Composição Bernardo Sassetti, também com apresentação na Festa do Jazz deste ano. Se a escrita é preciosa (como logo ouvimos na primeira faixa, “Expressive Idea”, com Barradas a tocar consoante os ritmos da fala de Wayne Shorter), o melhor deste disco está nas improvisações, e para começar as do próprio líder. O foco, o fulgor e o sentido de fluxo que nelas encontramos é superlativo, arrebatando-nos logo a uma primeira escuta. Esta nova geração do jazz está, decididamente, a surpreender-nos, e Barradas, com os seus 25 anos de idade, é hoje o seu rosto.