Craig Taborn: “Daylight Ghosts” (ECM)

Rui Eduardo Paes

Um dos magníficos do piano jazz dos nossos dias, Craig Taborn volta a editar pela ECM com um disco que acrescenta algo mais às suas contribulções para a etiqueta de Manfred Eicher – se o primeiro foi um solo, “Avenging Angel”, e o segundo um trio, “Chant”, neste “Daylight Ghosts” encontramo-lo, ao seu piano e a discretos sintetizadores na boa companhia do saxofonista e clarinetista Chris Speed, do contrabaixista (dobrando em baixo eléctrico) Chris Lightcap, e do baterista (também utilizando percussão electrónica) Dave King, todos eles – ainda que não em simultâneo – parceiros do músico em outras aventuras.

As composições e demais estruturas são convencionais, com destaque para os uníssonos das exposições temáticas de Taborn e Speed, mas entre assumidas influências do funk (há um quase omnipresente factor “groovy” ao longo das peças), das músicas electrónicas exploratória ou de dança (perceptíveis até nalguns “loopings” das construções acústicas) e da música erudita de câmara, o que impera é “free playing”. As métricas, essas, são muitas vezes tortuosas, se bem que entregues ao ouvido como se esses procedimentos fossem fáceis, e isso não só na interacção dos quatro músicos como no trabalho do próprio líder com as mãos esquerda e direita. Contribui tal para que, mesmo não se avançando mais do que os tempos médios, haja um grau de intensidade superlativo. Ou seja, Taborn acertou outra vez na mouche.