Albert Cirera & Tres Tambors “Suite Salada” (Underpool)

Rui Eduardo Paes

Quatro anos depois de “Els Encants”, eis que Albert Cirera volta a colocar no mesmo disco, e nas mesmas faixas, as duas vertentes musicais em que o temos ouvido, como saxofonista de jazz na total acepção do rótulo e desse tipo de improvisação a que se junta o adjectivo “experimental”. O grupo Tres Tambors continua a ser completado por Marco Mezquida (piano), Marko Lohikari (contrabaixo) e Oscar Domenech (bateria), o que significa que se mantém a identidade do projecto, com todas as diferenças relativamente ao outro disco devidas à maturação dos quatro músicos e da música que vêm intermitentemente tocando – ainda há uns meses no Hot Clube, em Lisboa, onde Cirera fixou residência sem, como se verifica, abandonar a cena catalã.

O título “Suite Salada” parece ser irónico, na medida em que reflecte a preocupação em, ao longo deste CD, se tentarem várias abordagens, indo estas do baladismo lírico a um free de desenho pós-coltraneano, e de peças acentuadamente “groovy” ou mesmo swingantes a outras que entram por uma confecção mais abstraccionista. O certo é, porém, que há uma unidade, com a lógica global do disco a não vir apenas da omnipresença das percussões (todos os quatro batem em, raspam ou agitam algo) e do tipo de ambiências que conotamos com Pharoah Sanders. Dentro ou fora da caixa jazz, Cirera e os seus Três Tambores evidenciam uma coerência e uma consistência a toda a prova. Bem representada está a imensa qualidade do líder, mas também se destaca o grande pianista que é Mezquida, um antigo aluno de Agustí Fernández.