Joshua Abrams, 3 de Maio de 2017

Jazz com guimbri

texto Nuno Catarino

O contrabaixista de Chicago está de regresso a Portugal com a sua Natural Information Society para uma pequena digressão que o levará a Lisboa (Teatro Maria Matos, 3 de Maio), Guarda (Teatro Municipal da Guarda, dia 4), Coimbra (Salão Brazil, 5) e Braga (Museu Nogueira da Silva / GNRation, 6). Os concertos coincidem com a edição de um novo trabalho do grupo, “Simultonality”, que representa um passo em frente na mistura de jazz, minimalismo e música tradicional norte-africana, com um instrumento cerimonial da cultura Gnawa de Marrocos em primeiro plano, o guimbri. Antes de apanhar o avião que o traz a Portugal, Joshua Abrams trocou algumas palavras com a jazz.pt. As possíveis numa tournée que já o levou à Suíça, a Itália, à Eslovénia e à Áustria.

 

Quem foram as suas maiores influências no contrabaixo?

Para mim os contrabaixistas mais influentes foram Wilbur Ware, Jimmy Garrison, Malachi Favors, Israel Crosby, William Parker, Oscar Pettiford, Charles Mingus, Al Stinson, Jimmy Merritt, James Jamerson, Paul Chambers e Lucky Scott.

 

Além do contrabaixo, também toca o guimbri, um instrumento árabe pouco comum no jazz. Porque o escolheu?

Por causa do seu som! Ouvi-o pela primeira vez tocado por Malleem Mahmoud Ghania no disco “The Trance of the Seven Colors” de Pharoah Sanders. Depois tive a oportunidade de visitar Marrocos e pude vê-lo ao vivo. É um instrumento muito vocal, e ao mesmo tempo a combinação entre baixo e percussão faz com que seja uma espécie de versão original do Roland TR-808!

 

Participou de forma activa na cena da música criativa de Chicago. O que ganhou com essa experiência?

Foi em Chicago que tive a possibilidade de desenvolver a minha própria voz e me afirmei como músico e compositor. Tive aí inúmeras experiências: participei nuns 5 mil concertos e em cerca de 100 discos!

 

Tocou com Fred Anderson e Hamid Drake. O que recorda dessa parceria?

Toquei com eles alguma da música mais pesada da minha vida! O Fred é o epítome da fluidez… Para mim eles foram ambos grandes mentores, como músicos e como seres humanos. Disciplina, generosidade, sabedoria, alma, humor…

 

Quais são as principais ideias musicais que guiam o projecto Natural Information Society?

Continuidade, foco, paciência, ritmo, diferenças simultâneas, protecção mental.

 

Neste projecto tem tocado com Alvarado, Ben Boye e Mikel Avery. Porque escolheu colaborar com estes músicos?

Têm trabalhado comigo nesta música durante a maior parte da vida do projecto, ao longo dos últimos oito anos. Todos eles são músicos muito qualificados, entendem o objetivo da música e estão dispostos a juntar os seus sons aos dos demais para todos juntos criarmos o “tecido”.

 

Acaba de editar um novo disco, “Simultonality”. O que podemos esperar dele?

Cinco composições de minimalismo extático.

 

No ano passado tocou em Portugal, na ZDB (Lisboa) e em Serralves (Porto). O que recorda desses concertos?

Um belíssimo duo com Norberto Lobo. Depois ele juntou-se a nós para o concerto, que foi incrível. E o terraço da ZDB também é muito agradável. Serralves é um sítio muito bonito, como se estivesse entre um filme e um sonho. Tivemos a oportunidade de nos juntarmos não só com o Norberto, mas também com mais quatro grandes músicos, o que resultou numa versão alargada da Natural Information Society.

 

O que espera das próximas actuações em Portugal?

Música, amigos, bons momentos, a oportunidade de regressar a uma das nossas cidades favoritas, Lisboa, e visitar outras três que ainda não conhecemos…

 

Para saber mais

http://naturalinformationsociety.com/