, 26 de Maio de 2017

JiGG traz Fernández e Delius ao Goethe Institut

Está anunciado o cartaz de mais uma edição (a 13ª) do Jazz im Goethe Garten, mostra das novas tendências do jazz europeu a realizar nos finais de tarde entre 5 e 14 de Julho próximo no jardim do Goethe Institut, ao Campo dos Mártires da Pátria, em Lisboa. A abertura no dia 5 faz-se, como habitualmente, com um projecto português, cabendo este ano a vez à música de câmara improvisada dos Earnear de João Camões (viola), Rodrigo Pinheiro (piano) e Miguel Mira (violoncelo).

No dia seguinte, actua o Liquid Trio (foto acima) do catalão Agustí Fernández (piano) com Albert Cirera (saxofones tenor e soprano) e Ramón Prats (bateria), mais próximo da linha estética introduzida pelo free jazz, mas também este grupo entrando pelos domínios da livre-improvisação, com exploração de timbres e atmosferas por meio de preparações e técnicas extensivas. O grupo agendado para 7 de Julho vem da Áustria e é outra a sua orientação: os Namby Pamby Boy são formados pelo saxofonista alto Fabian Rucker, o teclista Philipp Nykrin e o baterista Andreas Lettner. Apresentam-se como uma “garage band”, assim assumindo as influências provenientes do rock e aliando um acentuado “groove” à complexidade da escrita.

A 10, juntam-se dois clarinetistas (soprano, baixo e contrabaixo) residentes em Amesterdão, mas um oriundo da Turquia, Oguz Buyukberber, e o outro da Alemanha, Tobias Klein. A música é conturbada, nervosa e muitas vezes conflitual, se bem que o duo se encontre por vezes em inesperados uníssonos, aliando improvisação e composição. Os italianos Roots Magic apresentam no dia 12 uma fórmula musical pouco vulgar, no cruzamento da tradição dos blues do Delta com o jazz criativo de um Julius Hemphill ou um John Carter. O quarteto é formado por Alberto Popolla (clarinetes soprano e baixo), Frederico Defabritiis (saxofones alto e barítono), Gianfranco Tedeschi (contrabaixo) e Fabrizio Spera (bateria).

Da Suíça vêm a 13 os Weird Beard, autores de um jazz que respeita o património do género mas ultrapassa-o a cada momento, introduzindo elementos de outras músicas pelo próprio facto de integrar instrumentistas vindos, por exemplo, do punk e da pop. São eles Florian Egli (saxofone alto), Dave Gisler (guitarra eléctrica), Martina Berther (baixo eléctrico) e Rico Bauman (bateria), capazes tanto de abordagens pausadas e detalhísticas como das maiores explosões. O fecho faz-se no dia 14 de Julho, também como é de regra com uma formação alemã, os Rotozaza. A referência está na escultura cinética de Jean Tinguely com o mesmo nome e os conteúdos ora opõem, ora conciliam, a música improvisada abstracta e o jazz livre. Teremos Tobias Delius no saxofone alto, Nicola Hein na guitarra eléctrica, Adam Pultz Melbye no contrabaixo e Christian Lillinger na bateria.