, 28 de Abril de 2017

MIA traz 80 músicos de 16 países à Atouguia

O MIA – Encontro de Música Improvisada de Atouguia da Baleia vai decorrer entre os próximos dias 11 e 14 de Maio, em vários pontos da vila de Atouguia da Baleia, no concelho de Peniche. O também conhecido como “congresso da improvisação” terá este ano a participação de cerca de 80 improvisadores de 16 países. A vinda do saxofonista George Haslam (foto), músico da cena britânica que trabalhou com figuras como Evan Parker, Lol Coxhill, Paul Dunmall, Elton Dean e Paul Rutherford, é a principal novidade desta oitava edição do evento, e entre repetentes e estreantes são de referir as presenças dos pianistas Nicola Guazzaloca, Karoline Leblanc e Silvia Corda, dos percussionistas Steve Hubback e Sofia Borges (portuguesa radicada em Berlim que se tornou um expoente da música contemporânea alemã) ou da saxofonista Edith Steyer.

A abertura faz-se no início da tarde de dia 11 com a inauguração de uma instalação sonora do músico electrónico Paulo Raposo, na Igreja de S. José. Seguem-se duas “masterclasses”, uma conduzida pelo contrabaixista italiano Adriano Orrú e outra pelo clarinetista brasileiro, mas radicado em Barcelona, Luiz Rocha. À noite, o cenário muda para a Igreja do Imaculado Coração de Maria (Casal Moinho), para a actuação de uma dupla de violinos constituída pela austríaca Mia Zabelka e a portuguesa Maria do Mar. A 12, de volta à Igreja de S. José, o formato é semelhante, com “masterclasses” apresentadas durante a tarde pelo trombonista Carlo Mascolo e pelo já referido Haslam e, no serão, um novo duo com o mesmo instrumento, entre o italiano Mascolo e o atouguiense Fernando Simões.

O ritmo do festival intensifica-se com a chegada do fim-de-semana. O arranque faz-se pelas 15h00 na Sociedade Filarmónica local com o primeiro de vários grupos formados especialmente para este MIA, o Maresia & Co, se bem que este baseando-se no projecto que George Haslam partilhou com Mário Rua no ano passado, e de que saiu o álbum “Maresia”. Além do sax barítono e do tarógató (palheta húngara aparentada com o clarinete) de Haslam e da bateria de Rua, este septeto transnacional inclui Carlo Mascolo, Karoline Leblanc, Paulo Duarte (guitarra), Afonso Castanheira (contrabaixo) e a artista visual Rita Draper Frazão, que projectará os seus desenhos no fundo do palco. As horas seguintes serão ocupadas por formações sorteadas entre os presentes, naquele que é o mais importante momento do MIA e o seu maior factor de atracção.

A tarde termina com um salto até à Igreja de S. Leonardo, para assistir à “Medieval Impro Suite” do Camerata MIA. O guião / estrutura é do multi-instrumentista Paulo Chagas e com este a tocar flauta e oboé estarão Paulo Galão em clarinetes soprano e baixo, Sarah Claman em violino, Helena Espvall em violoncelo, Manuel Guimarães em órgão, Fernando Guiomar em guitarra clássica e Sofia Borges em percussão e electrónica. E se a referenciação deste concerto é medieval, o que abrirá a noite na Filarmónica é campesina. Rural Tableau tem por fundamento uma partitura gráfica da cantora italiana Marialuisa Capurso, a ela se juntando os clarinetes de Luiz Rocha, o saxofone barítono de João Pedro Viegas, o violoncelo de Miguel Mira, os contrabaixos de Alvaro Rosso e João Madeira e os gongos e taças de Carlos Cañao. Tudo termina com o Ensemble MIA a juntar todos os participantes, numa orquestra dirigida por alguns dos seus membros.

A sessão de domingo 14 começa igualmente à tarde na Sociedade Filarmónica, com um colectivo electroacústico cujo nome é um trocadilho entre o dinamofone, instrumento electromecânico inventado por Thaddeus Cahill em 1897, e o título de um tema de Frank Zappa ("Dinah-Moe-Hum"): Dinah-Moe-Phone. Inclui Luís Guerreiro em trompete e electrónica, Lorenzo Lustri em sopros vários e electrónica, Carlo Mezzino em piano e sintetizador, Paulo Raposo e Rui Veiga em electrónica, Abdul Moimême em guitarra preparada e Bernardo Álvares em contrabaixo. Seguem-se mais agrupamentos formados ao acaso, com uma ida antes de o Sol se pôr até à Fonte Gótica para assistir à contribuição da Fanfarra Bizarra II. Integram-na os trompetes de António Alexandre Pinto e Mauro Medda, o trombone de Fernando Simões, os saxofones de António Ramos, José Lencastre e Miquel Jordà e a percussão de Felice Furioso e Pedro Castello-Lopes.

Depois do jantar, apresenta-se a única banda que não foi pensada de propósito para o MIA, ainda que seja de constituição recente: os Baphomet de Mestre André (saxofone tenor, electrónica), Guilherme Carmelo (guitarra), Pedro Santo (bateria) e Monsieur Trinité (objectos). O fecho de ouro acontece com novo Ensemble MIA, mais uma vez com um “tutti” que se pretende intenso e barulhento. Em todos os quatro dias haverá "jams" no Armazém dos Tubos, a partir da meia-noite, outra vertente do Encontro que tem a predilecção dos seus frequentadores.